Publicado quarta, 20 de maio de 2026

O comércio mineiro voltou a apresentar sinais de recuperação em março, enquanto os setores de serviços e turismo ainda operam em ritmo mais lento no estado. A análise do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com base nos dados divulgados pelo IBGE, mostra um cenário de desempenho desigual entre os principais segmentos da economia mineira.
No comércio, o destaque ficou para o varejo ampliado em Minas Gerais, que avançou 11% na comparação entre março de 2026 e março de 2025, superando a média nacional de 6,5%. No acumulado do ano, o crescimento chegou a 5,1%, puxado principalmente pelos segmentos de atacado de alimentos, bebidas e fumo, além de veículos e motocicletas. Já o varejo restrito registrou alta de 5% na comparação anual. Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, mesmo em um ambiente de juros elevados e crédito mais restrito, o comércio mineiro mostra capacidade de reação. “O consumidor segue mais seletivo, priorizando gastos essenciais, mas alguns segmentos vêm respondendo de forma positiva, impulsionados por fatores sazonais, possíveis renegociação de dívidas que promove um efeito positivo no curto prazo, e melhora gradual da confiança”, avalia.
Setor de serviços mantém trajetória de desaceleração em Minas Gerais
No setor de serviços, os dados indicam desaceleração da atividade em Minas Gerais. O volume de serviços caiu 0,7% em março frente ao mês anterior, acumulando quatro retrações consecutivas nessa base de comparação. No acumulado do ano, o setor registra queda de 1,6%, enquanto o Brasil apresenta crescimento de 2,3%. Os segmentos de serviços profissionais, administrativos e transportes seguem entre os mais pressionados no estado. Segundo Fernanda Gonçalves, o cenário reflete os impactos do ambiente macroeconômico mais restritivo. “Os juros elevados reduzem a demanda, aumentam o custo operacional das empresas e limitam uma recuperação mais consistente do setor de serviços em Minas Gerais”, explica.
Atividade turística mineira segue abaixo da média nacional e acumula perdas no ano
Já no turismo, Minas Gerais voltou a registrar retração em março. O volume de atividade turística caiu 2,8% frente a fevereiro e recuou 8,1% na comparação com março do ano passado. No acumulado de 12 meses, o estado apresenta queda de 6,3%, enquanto o Brasil acumula crescimento de 3,5%. Minas teve o pior desempenho entre os estados analisados nessa base de comparação. Para Fernanda Gonçalves, os números revelam perda de dinamismo do setor no estado. “A atividade turística mineira ainda enfrenta um ambiente de demanda mais contida e recuperação lenta, especialmente diante da redução do consumo das famílias diante de elevadas taxas de juros, que comprometem o poder de compra por parte da população, acrescido a isso o aumento das passagens áreas e combustíveis dificultam a logística turística”, afirma.
A avaliação da Fecomércio MG aponta que o comportamento da economia mineira segue diretamente influenciado pelo cenário de juros elevados, atualmente em 14,5% ao ano, além do alto nível de endividamento das famílias brasileiras. Ainda assim, o comércio demonstra maior capacidade de sustentação no curto prazo, enquanto serviços e turismo continuam enfrentando um ambiente mais desafiador.