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Guaxupé, 14 de fevereiro de 2026


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Janeiro Branco: quem cuida da saúde mental das mães atípicas?

Publicado quarta, 14 de janeiro de 2026





O Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, chama atenção para a realidade silenciosa de milhares de mães atípicas. Entre consultas, terapias, demandas escolares e a constante vigilância sobre o desenvolvimento dos filhos, essas mulheres vivem sob estresse prolongado, muitas vezes sem tempo ou permissão para cuidar de si.

Para a neuropsicopedagoga, especialista em autismo e mãe atípica Silvia Kelly Bosi, o impacto emocional começa logo após o diagnóstico. “A mãe precisa absorver informações, tomar decisões importantes e ainda lidar com o luto do filho idealizado. Sem acolhimento, esse processo se torna extremamente desgastante”, explica. Segundo ela, o cuidado com a criança deve caminhar junto com o cuidado com quem cuida.

A fundadora do Voz das Mães, Natália Lopes, ressalta que a sobrecarga é agravada pela solidão. “Muitas mães atípicas enfrentam abandono afetivo, falta de rede de apoio e pressão social para serem fortes o tempo todo. Isso gera culpa, exaustão e adoecimento emocional”, afirma.

No contexto do atraso de fala, a fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer destaca que o ambiente emocional influencia diretamente o desenvolvimento infantil. “A fala não se desenvolve apenas na terapia. Ela depende de um cotidiano mais leve, com interações afetivas, sem excesso de cobrança. Quando a mãe está emocionalmente esgotada, isso se reflete na comunicação com a criança”, orienta.

Para a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan, normalizar o cansaço extremo é um erro comum. “O estresse crônico afeta o funcionamento do cérebro, o humor e o corpo. Cuidar da saúde mental não é luxo, é necessidade”, reforça.

Dicas práticas para promover a saúde mental de mães atípicas

Pare de se cobrar perfeição: aceitar limites não significa amar menos. A maternidade atípica não precisa ser heróica para ser suficiente.

Busque apoio profissional: terapia individual ou grupos de apoio ajudam a elaborar emoções, reduzir a culpa e fortalecer a autoestima.

Construa uma rede possível: o apoio não precisa ser grande, uma pessoa de confiança já faz a diferença. Dividir responsabilidades alivia o peso emocional.

Respeite o próprio ritmo: cada criança tem seu tempo, e cada mãe também. Comparações só ampliam o sofrimento.

Inclua pequenos rituais de autocuidado: pausas curtas, respiração consciente, caminhada ou momentos de silêncio ajudam a regular o sistema emocional.

Cuide da informação que consome: excesso de conteúdos sobre desenvolvimento pode gerar ansiedade. Informação deve orientar, não adoecer.

Mais do que um mês simbólico, o Janeiro Branco é um convite para que mães atípicas se autorizem a existir para além do cuidado com os filhos. Cuidar da própria saúde mental é um ato de amor, por si e por quem se ama.




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