Cresce em 60% as multas por "furar" o sinal vermelho - Correio Sudoeste - De fato, o melhor Jornal | Guaxupé Mg

Guaxupé, 21 de novembro de 2019


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Cresce em 60% as multas por "furar" o sinal vermelho

Publicado sexta, 20 de setembro de 2019





De janeiro a junho deste ano, as transgressões por avançar o sinal vermelho do semáforo tiveram aumento de 60,9% em Minas Gerais. Os números foram atualizados pelo Detran-MG e são referentes de janeiro a junho/2019.

Para falar do assunto, nesta data que antecede a Semana Nacional do Trânsito, publicamos a entrevista com Sheila Borges, diretora da ProSimulador, empresa paulista de educação e segurança para o trânsito.

 

- Por que os condutores não levam as regras de trânsito a sério?

Os problemas de trânsito, infelizmente estão ligados a uma questão cultural do brasileiro. As leis de trânsito até tentam inibir as más condutas nas vias. Porém, enquanto os brasileiros acreditarem que o maior problema será somente no próprio bolso (ao tomar multas), talvez essa cultura não mude tão cedo.

 

- O que pode ser feito para os motoristas respeitarem mais as leis de trânsito?

De modo geral, para que a mudança de comportamento realmente ocorra, é preciso que haja, primeiramente, uma mudança de mentalidade. Antigamente, as pessoas não utilizavam cinto de segurança e eram relutantes à lei que o tornou obrigatório. Com o passar do tempo, as campanhas educativas e a aplicação de multas foram surtindo o efeito desejado (além da democratização do acesso à informação) e, hoje, é automático entrar em um automóvel e colocar o acessório.

Por outro lado, para que os órgãos responsáveis conscientizem os condutores, é preciso informá-los permanentemente sobre os perigos e consequências do mau comportamento no trânsito, por meio de ações e campanhas online e offline – além da fiscalização, que também atua como ferramenta conscientizadora.

 

- O aumento da fiscalização é suficiente para que os motoristas deixem de ter condutas arriscadas?

A fiscalização é importante e inibe más condutas no trânsito, mas sozinha não é eficiente. Países como Espanha e Austrália, que há algumas décadas tinham cenários bem parecidos com os que hoje o Brasil apresenta, investiram na formação do condutor, em campanhas de conscientização, uma eficiente fiscalização e punição rigorosa. Esses três fatores, bem aplicados, transformaram a realidade no trânsito nesses países. A questão é que, no Brasil, é preciso evoluir mais com medidas voltadas para o trânsito.

 

- Qual o valor da multa para quem é flagrado nesta condição (excesso de velocidade)?

Segundo o CTB (Código de Trânsito Brasileiro), no artigo 218, há três incisos que tratam do excesso de velocidade, cada um representa certo limite e possui penalidades diferenciadas.

* quando a velocidade for superior à máxima em até 20%: infração média, soma 4 pontos à CNH do motorista e gera multa de R$ 130,16.

* quando a velocidade for superior à máxima em mais de 20% até 50%: infração grave, rende 5 pontos na carteira de habilitação e multa de R$ 195,23.

* quando a velocidade for superior à máxima em mais de 50%: infração gravíssima e 7 pontos.

 

No entanto, a penalidade é a multiplicação da multa por três, além da suspensão imediata do direito de dirigir e apreensão do documento de habilitação. Neste caso, o valor é de R$ 880,41 (3x R$ 293,41).

 

- Quais são os principais riscos em decorrência desta infração?

Conduzir o veículo em velocidade excessiva é um ato imprudente, pois aumenta os riscos de acidentes. E quanto maior for a celeridade no tráfego, a gravidade dos danos também aumentam. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), um aumento de 5% na velocidade média aumenta em cerca de 10% os acidentes envolvendo lesões e de 20% a 30% as colisões fatais. Além disso, o risco de um pedestre adulto morrer se atingido por um veículo a menos de 50 km/h é de 20%. Porém, a chance de ir a óbito salta para 60% se a pessoa for atropelada a 80 km/h.

 

- O que podemos esperar da retirada de radares móveis em rodovias federais?

Retirar radares móveis em rodovias federais é uma medida preocupante. Existem estudos que comprovam a importância da redução de velocidade. Diminuir em 1% leva a uma queda de 2% no número de feridos leves, 3% nos feridos graves e 4% nos casos de fatalidades, segundo dados da Conferência Global sobre o Uso da Tecnologia para Aumentar a Segurança nas Rodovias. A formação do condutor, em conjunto com a legislação e as punições, é fundamental pois força a mudança de comportamento.

 

- De que forma as tecnologias podem contribuir para um trânsito mais seguro?

Desde que o Brasil assinou o tratado da ONU (Organização das Nações Unidas), que criou a Década Mundial de Ações pela Segurança no Trânsito, foram implementadas evoluções significativas em seu processo de formação de novos condutores, inclusive, utilizando a alta tecnologia durante as aulas, com o uso dos simuladores de direção - que deixaram de ser obrigatórios e se tornaram facultativos desde 14 de setembro. Comprovadamente, a simulação da realidade contribui para a melhor capacitação nas mais variadas áreas em que é utilizada, como aviação, medicina e no próprio trânsito, o que se observa em países do mundo, como Japão, Austrália, Canadá, Chile, Espanha e Estados Unidos. O uso dos simuladores contribui para que o aluno vá para a prática de direção mais bem preparado, pois treina o autocontrole e a segurança em situações que simulam a realidade das ruas e estradas, como chuva forte e neblina, por exemplo. Também são simuladas situações adversas e de risco, às quais o futuro motorista não poderia ser submetido com segurança nas aulas práticas em vias públicas, como aquaplanagem e ultrapassagens.




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