O que é ostomia e como ela afeta a qualidade de vida das pessoas - Correio Sudoeste - De fato, o melhor Jornal | Guaxupé Mg

Guaxupé, 20 de setembro de 2019


Publicidades

O que é ostomia e como ela afeta a qualidade de vida das pessoas

Publicado, segunda, 26 de agosto de 2019





O Brasil possui cerca de 400 mil ostomizados, condição que tem na falta de informação e no preconceito os maiores adversários

Estimativas globais indicam que a quantidade de indivíduos ostomizados é de 0,1% da população geral. No Brasil não existem números exatos sobre quantas pessoas são portadoras de ostomias, mas, segundo o Ministério da Saúde, a estimativa é que haja cerca de 400 mil ostomizados no país.

De acordo com o médico coloproctologista, Carlos Mateus Rotta, a realização de uma estomia pode ser decorrente de problemas do sistema gastrointestinal, traumatismos colo-retais, anomalias congênitas e, principalmente, câncer de cólon e reto. E deve ser realizado em todas as doenças que envolvam, em seu tratamento, o desvio do trânsito intestinal.

A realização do procedimento acarreta mudanças no estilo de vida das pessoas, que envolvem desde a aprendizagem do autocuidado com a estomia, pois passam a usar uma bolsa de colostomia, até alteração das atividades sociais e cotidianas.

Para Andreia Muniz, ostomizada após uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino, devido a uma endometriose, que o colou em seus órgãos, entre as dificuldades diárias enfrentadas estão, por exemplo, a questão da acessibilidade a banheiros adaptados fora de casa. “A falta de banheiros com uma duchinha é um transtorno para nós, ostomizados. Não temos controle sobre o estoma, então, se ele funciona e enche a bolsinha enquanto estamos na rua, não tem jeito: tem que trocar, senão ela pode vazar e o odor é muito forte. E os banheiros públicos não atendem nossas necessidades de higiene, e isso é um grande dificultador,” lamenta.

E, na maioria dos casos, as pessoas que passam por esse tipo de cirurgia acabam sendo vítimas de preconceito. É o caso de Sandra Neves Rabelo que, há sete anos, convive com uma bolsa de colostomia após o tratamento de um câncer de colo de útero que afetou seu intestino devido à radioterapia. “Ser uma ostomizada representa enfrentar dificuldades, sobretudo em lugares públicos. Isso sem contar o olhar de preconceito das pessoas a nossa volta, o que nos causa constrangimento e faz com que percamos a vontade de sair de casa”, afirma.

Um bloqueador de odor sanitário que resolveu o problema do mau cheiro

De acordo com Sandra, um fator que constrange muito as pessoas ostomizadas é o forte odor das fezes, o que muitas vezes leva a pessoa a se isolar. Há alguns meses ela conheceu um produto, na casa da irmã, que, segundo ela, mudou seu comportamento na hora de fazer a higienização da bolsinha. “Não sinto mais vergonha, espirro o bloqueador de odor no vaso, como recomenda a fabricante FreeCô, esvazio a bolsa e não fica nenhum cheiro. O produto foi libertador pra mim”, revela.

Em seu processo de recuperação, ela conta que, embora tivesse o apoio da família, se sentia muito triste, inconformada com a situação, o que a levou a um processo de negação do quadro. “Levei um bom tempo para perceber que precisava me aceitar, entender que estava saudável, que não estava sozinha e que muitas outras pessoas enfrentam o mesmo quadro que o meu. Que a limitação estava na minha cabeça”, lembra ela.

O coloproctologista ressalta que, o maior desafio dos pacientes com esse quadro, é aprender a conviver com a nova situação e que para isso é muito importante reconhecer que a estomia salvou a vida delas. “O ideal é sempre contar com acompanhamento psicológico, nutricional e de um enfermeiro especializado em estomia, suporte essencial para que o paciente viva bem com a colostomia”, afirma Carlos Mateus Rotta.

Enfrentando o preconceito

O preconceito às vezes vem de quem menos se espera. Foi o caso de Andrea. Quando ela chegou para uma consulta de rotina, com a bolsa à mostra, foi repreendida pelo próprio médico que alegou que ela não precisava expor a bolsinha. “A situação piorou quando perguntei se podia entrar na piscina com a bolsa, pois pretendia viajar. Para minha surpresa, ele falou que não, que era muito nojento. Simplesmente, ignorei e viajei. Mas, confesso que não fiquei à vontade, escondi a bolsinha com receio de que as pessoas percebessem. Mas, depois do ocorrido, decidi que não deixaria ninguém mais agir dessa forma”, afirma.

Apesar da decisão, colocá-la em prática não foi tarefa fácil. Andrea precisou superar momentos difíceis, que a levaram a enfrentar uma depressão. A superação veio com a coragem de enfrentar o quadro. Hoje, ela produz capinhas coloridas e divertidas para sua bolsa, trabalho que passou a divulgar por meio de suas redes sociais. A atitude lhe rendeu incentivos e contatos com outros ostomizados, que passaram a solicitar encomendas. “Queria mostrar que os ostomizados precisam de cuidado, sim, mas podem levar uma vida normal com leveza e bom humor, desde que a gente se aceite primeiro”, reconhece Andrea.

Um novo propósito

Sandra e Andrea além de terem em comum o uso de uma bolsa de ostomia, têm também o propósito de ajudar pessoas ostomizadas a lidarem bem com o quadro. Há quase um ano, com ajuda de José Guilherme, que é ureterostomizado, criaram a Associação dos Ostomizados do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba (AOTMAP).

Por meio da instituição, elas realizam trabalhos junto a hospitais da região, oferecendo assistência aos recém-ostomizados com informações sobre cuidados, higiene, como agir para ter acesso às bolsas gratuitamente, como lidar com determinadas situações, qual o melhor modelo de bolsa para cada um, etc.

A AOTMAP atende o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, região que conta com cerca de 500 pessoas ostomizadas que, por lei, gozam de direitos específicos. “Mas, muitas delas não sabem disso, e nosso papel é levar esclarecimento a elas,” afirma Sandra.

“Nosso objetivo é promover o bem estar e a ressocialização das pessoas que estão começando esse processo de adaptação e aprendizagem. Ajudá-las a entender a importância da bolsa na vida delas e a superar as dificuldades e desafios que têm pela frente”, explica Andrea.




Mais Saúde


 Publicidades

Correio Sudoeste - Todos os Direitos Reservados - Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo sem autorização prévia

Desenvolvido por Paulo Cesar