Publicado segunda, 12 de dezembro de 2022

Consternou profundamente todos os meios sociais da cidade o falecimento do empresário, Miguel Pascoal Filho, 84 anos de idade, ocorrido no último domingo, 11 de dezembro.
Empresário da área de eletrificação, incluiu-se entre os nomes dos que lastrearam o progresso e o desenvolvimento da região. Sempre educado e atencioso, conquistou um largo círculo de amizades e sempre mereceu de todos respeito e acatamento.
Homem modesto, teve sempre na convivência dos seus familiares e dos amigos o carinho que bem mereceu pela nobreza de seus sentimentos e pela despretensão com que marcou a sua vida. De gênio expansivo e acolhedor, ele foi um animador das boas iniciativas e a todas deu sempre o apoio de sua ajuda generosa e a solidariedade de sua colaboração.
Poucos homens entre nós terão tido a ventura de terem sido amados tanto como ele foi. A sua velhice, teve a doirar-lhe os dias, a alegria dos filhos e netos com quem dialogava como um patriarca maneiroso, recolhendo na argúcia e no entusiasmo dos moços as forças dominadoras para os seus dias já apoucados de sonhos e dando à sua descendência o exemplo de bom humor e da arte de viver em que se primou pela sua bondade e pela sua convicção de homem de fé.
Miguel Pascoal Filho era filho de Miguel Pascoal, o saudoso Miguelão eletricista, e de Dona Hermínia Pelluci. Era viúvo de Gilda Gallate, e deixa os filhos Gilberto, já falecido; Mauro, Maderlene, viúva do também saudoso empresário, José Honofre; Márcia e Mara, além de netos e muita saudade.
Seu pai, além de encanador hidráulico, foi um dos pioneiros da eletrificação de Guaxupé a partir de 1913, participando das construções das primitivas redes de abastecimento e de iluminação de Guaxupé, inclusive da Santa Casa de Misericórdia, da velha e da atual Catedral de Guaxupé, além de outras edificações de relevo da cidade.
Seu corpo foi velado no Velório da Funerária Pax, localizado na Av. Dona Floriana, e sepultado no dia seguinte, às 13h00, no Cemitério Parque Alto da Colina com grande acompanhamento como uma homenagem póstuma do grande círculo de amizades que conquistou em vida.
À família enlutada as condolências do jornal Correio Sudoeste.
Homenagem
Findo o velório, e antes do corpo seguir para o sepultamento, o pesquisador, historiador, colaborador deste jornal, e particular amigo do pranteado extinto, Wilson Ferraz, proferiu as seguintes palavras:
Enfermo há algum tempo Miguel teve a resignação cristã das almas bem formadas e voltadas para Deus, pois ele soube suportar os seus sofrimentos com a coragem e com aquela força extraordinária dos que sabem viver na prática do bem, e na perseverança da fé, e que por isto mesmo aceitam cristãmente o sacrifício,
Sua vida foi uma lição de trabalho e se irradiou beneficamente num envolvimento de afetos e de ação sobre homens e fatos da cidade numa constância que lhe deu créditos de alta benemerência e marcou-lhe o nome com fulgores indeléveis de estima e respeitabilidade.
Miguel encartou na história social de Guaxupé realizações que a sua visão de homem esclarecido e a sua vocação progressista efetivaram com os lastros de sua operosidade e se dimensionaram nos altos níveis de sua admirável capacidade.
Ele deixa atrás de si uma grande história de dedicação e de um trabalho honesto, e que tanto progresso trouxe a esta terra que lhe é túmulo hoje.
Com a sua morte perde a cidade um dos seus homens exponenciais e a geração a que ele pertenceu um homem singular que viveu e cuidou de colaborar para um mundo melhor, cujas coordenadas maiores foram o seu lar, a sua família, e a enormidade de amigos que lamentam a sua morte.
Sua morte abre no coração dos teus, dolorida chaga e, no de teus amigos uma dor imensa.
O seu túmulo não se recolherá no espaço pelo silêncio das coisas sem vós porque será no tempo um livro aberto à reverência do povo, contendo as imorredouras lições de trabalho e de ação que Miguel deixa na história e no coração dos guaxupeanos, que ele tanto soube amar e servir.
Descansa lutador, pois a sua alma repousará na região dos bons, enquanto aqui na terra, na emoção da lágrima que chora, ficam teus amigos num preito sincero de saudade e gratidão.
Portanto aqui trazemos o nosso adeus. Não são os elogios convencionalistas de após morte, são elas, as nossas palavras, a expressão sincera de uma estima e admiração de longos anos, pois temos certeza de que foste um abnegado, um apaixonado pela grandeza e pelo progresso desta terra.