Publicado sábado, 03 de dezembro de 2022

Guaxupé está de luto. Faleceu nesta sexta-feira, 02 de dezembro, o ícone da comunicação, e um dos homens mais respeitados e admirados da sociedade local: Nabih Zaiat, 93 anos de idade.
A sua morte enluta não somente a respeitada e conceituada Família Zaiat, mas uma enormidade de ouvintes, anunciantes e demais membros da imprensa que sempre viram nele um exemplo de prudência, equilíbrio, serenidade, cultura e sabedoria.
Assim a morte retirou do convívio dos encarnados um homem que sempre soube dignificar uma geração pela correção em todos os atos de sua vida. Perde a sociedade um valor de alto gabarito moral e intelectual que nunca deixou de maneira humilde e sincera de honrar o meio em que viveu, não só através de exemplos os mais dignificantes como, ainda pela conduta ilibada e altamente equilibrada. Perde o rádio brasileiro um valor de excepcional qualidade.
Perdemos nós, os seus discípulos da imprensa, o mestre amigo e justo, aquele amigo sereno e delicado que jamais deixou de nos assistir em todas as horas, não só nos apontando os caminhos claros e abertos da vida, ainda nos ensinando a sermos o seu exemplo, de sermos úteis à sociedade, à pátria e à família. Perde a sua família o esposo amoroso, o pai e avô dedicado e reto.
Por isso a sua morte é uma perda irreparável e daquelas que atingem todos os quadrantes da cidade.
Nabih Zaiat nasceu em Guaxupé a 3 de março de 1929, filho dos saudosos imigrantes sírios libaneses Elias Zaiat, falecido em 09 de julho de 1964, e de Dona Angelina Atux Elias Zaiat, falecida em 09 dezembro de 1970. Ele era casado com a senhora Dona Valdete Tolledo Russo Zaiat, e deixa os filhos: Nabih, falecido em tenra idade, no dia 29 de maio de 1963, Marta, Ricardo e Maurício, vários netos, dentre eles Rafael Zaiat, atual diretor da Rádio Clube de Guaxupé.
Como pai de Nabih se dedicava à fabricação de calçados, ele iniciou sua vida profissional costurando bolas de futebol. Posteriormente passou a se dedicar ao comércio de sucatas. Nabih fez parte de um consórcio que fundou a Rádio Clube de Guaxupé, emissora que iniciou suas atividades em 13 de novembro de 1947, e que permanece em funcionamento ininterrupto nos últimos 75 anos.
Na década de 1960, Nabih teve importante participação na vida religiosa de Guaxupé. Naquela época, ele juntamente com o saudoso Monsenhor Hilário Pardini participava das procissões com a sua tradicional perua DKV – VEMAG equipada com potentes alto falantes. Era através daqueles alto falantes que o Monsenhor conduzia as procissões, inclusive com as orações.
Batalhador de longos anos na Rádio Clube de Guaxupé, emissora em que ele foi um dos fundadores, Nabih Zaiat inscreveu-se como um dos baluartes do nosso progresso. Da sua cooperação de radialista experimentado resultaram muitas iniciativas e empreendimentos que impulsionaram o progresso de Guaxupé.
Radialista de altos méritos, ao lado do saudoso Kaled Kury, era o argumentador de fatos e muito seguro nos temas que abordava com precisão e elegância de linguagem.
Orador fluente e de palavras fáceis, era o escolhido para interpretar os sentimentos do povo em momentos culminantes da vida da cidade.
Ele morre depois de cumprir, em vida, uma nobre missão na sociedade e na imprensa, deixando-nos um exemplo de persistência, de trabalho e de coragem e a esta terra que lhe é túmulo hoje uma acendrada devoção e carinho.
Guaxupé deve aos teus esforços de radialista uma parcela de bons serviços que não serão esquecidos. Na sua história, na história do rádio guaxupeano e na imprensa em geral figurarão sempre o seu nome e o seu trabalho.
A sua morte, Nabih Zaiat, foi assim; quando pela cidade toda corria a dolorosa notícia de que já não pertencias a este mundo, partindo para essa misteriosa romagem de onde ninguém volta mais, sentimos que a realidade nos oprimia e que a ilusão se esfumou para sempre.
Entretanto cumpria-se a vontade superior. É que está cumprida também a sua missão no plano terreno, Porém resta-nos o consolo de que foste amigo, foste sincero e foste bom.
Esta deveria ser aquela hora de nos calarmos para que, através do nosso silêncio, ouvíssemos somente o pulsar dolorido de nossos corações. Entretanto não seria justo que na hora em que pagas o seu tributo à morte, e no instante em que a terra generosa de Guaxupé se abre para receber o seu corpo inanimado, os teus amigos e discípulos de ontem se silenciassem, nesta hora extrema, a nossa homenagem de estima, e de saudade.
Terminada está a sua missão aqui na terra, agora ele vai iniciar outra a caminho da Espiritualidade Maior, a caminho desse Deus que fê-lo humilde, bom, honrado e digno.
Seu corpo está sendo velado na Capela do Lar São Vicente de Paula e será sepultado às 11h, no Cemitério da Praça da Saudade.
À família enlutada as condolências do Jornal Correio Sudoeste.
Homenagem dos historiadores Maria Luiza Lemos Brasileiro e Wilson Ferraz.