VAZIOS - Correio Sudoeste - De fato, o melhor Jornal | Guaxupé Mg

Guaxupé, 27 de setembro de 2021


Publicidades

VAZIOS

Publicado terça, 29 de junho de 2021





Por que muitas pessoas necessitam tanto de se apegar às realidades concretas, palpáveis, materiais, se nós somos seres essencialmente espirituais?

Por dois motivos...

Primeiro: Somos sim seres espirituais passando por uma experiência de peregrinação terrestre. No entanto, não somos apenas alma. Temos um corpo. Estamos temporariamente num corpo físico, material, sensível, que precisa do tato, tem necessidade de pegar, tocar, apertar - tudo isso para poder sentir. O toque é uma necessidade comportamental básica para nós mamíferos. Quando tocamos, imaginamos.

Segundo: Por uma questão de valores sociais instituídos e falta de consciência da nossa essência, os vazios espirituais se mantém em nós. Quer dizer: a sociedade dá muita ênfase na materialidade; isso, por si só - e frequentemente estimulado - nos distrai de quem realmente somos.

Quem somos? Somos imagem e semelhança de Deus. Deus é Espírito. A nossa alma é de natureza imaterial, ela é espiritual.

Bastaria contemplar silenciosamente e de olhos abertos aspectos simples da natureza, ou orar de olhos fechados sem nos distrair, para então, com eficaz maturidade, abstrair a efemeridade das coisas da Terra.

Acontece que a maioria das pessoas não tem esse domínio, essa consciência, esse fortalecimento interior, criando então a necessidade de palpabilidade preenchedora dos vazios interiores.

Vemos muito isso na religião, por exemplo, onde a comunidade sente necessidade de olhar para imagens, tocar em estátuas, estender as mãos para as estátuas, como se elas tivessem vida e correspondessem às súplicas.

A imagem é uma matéria, e matéria significa energia condensada, ou seja, existe numa escultura ou numa pintura aspectos místicos, transcendentais, sinceros, bondosos, bem intencionados e representativos de muita fé.  Mas não ultrapassar isso, faz com que o fiel devoto corra o risco de transformar um pedaço de madeira, gesso ou uma pintura numa divindade com vida própria, representando um apego, uma idolatria, significando uma fragilidade que precisa ser respeitada, porém também esclarecida - quando possível. Digo "quando possível", pois, na mente e no coração de muitas pessoas simples, sem grandes recursos internos (psíquicos, emocionais, intelectuais), retirar uma fé infantil pode significar extrair tudo o que a pessoa tem que a mantém na vivência dessa fé, ainda que seja uma forma de crer e viver a experiência da divindade por muitos considerada errônea ou imatura. Retirar tudo o que uma pessoa tem, pode significar destruir, desestabilizar, prejudicar muito mais do que ajudar.

Portanto, devemos ter discernimento ao pretendermos instruir alguém. Será que a pessoa que gostaríamos de ajudar está pedindo ou precisando da nossa ajuda?

E antes de criticar, é importante entender que acima de todos nós, que conseguimos perceber e assimilar apenas fragmentos da Verdade, está o Deus benevolente que tudo sabe e tudo compreende, releva, perdoa, passa por cima de muitas das nossas falhas e fragilidades, agindo diretamente na nossa sinceridade e necessidade de apenas humildemente crer.

Rodrigo Fernando Ribeiro

Psicólogo CRP-04/26033


COLUNISTA
Rodrigo Fernando Ribeiro
Psicólogo - CRP-04/26033
(Contato: 35 9 8875-5030)


Mais Artigos


PAI-
06/08/2021 Artigos

PAI

 Publicidades

Correio Sudoeste - Todos os Direitos Reservados - Proibida a reprodução total ou parcial do conteúdo sem autorização prévia

Desenvolvido por Paulo Cesar