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Guaxupé, 24 de junho de 2021


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GOLPE EM NOME DA OLX TEM SIDO FREQUENTE NA REGIÃO

Publicado sexta, 04 de junho de 2021





Na semana do dia 31 de maio, a Polícia Militar de Guaxupé foi procurada para registrar um Boletim de Ocorrência sobre um golpe envolvendo o nome do aplicativo de negócios OLX.

Uma das vítimas, D.A.D., 21 anos, eletricista, morador em Poços de Caldas, acabou perdendo R$ 9.800,00 que havia transferido para a compra de uma moto anunciada.

Ele esteve em Guaxupé para pegar a moto do vendedor e só aí percebeu ter caído em um golpe.

No dia 2, a vítima foi um empresário de Oliveira-SP. Ele havia se interessado por um veículo anunciado no OLX, de propriedade de um dentista de Guaranésia.

O que ele não sabia, é que o anúncio era uma cópia e estava negociando com os golpistas.

O empresário foi até Guaranésia para buscar o veículo com o verdadeiro proprietário, sem ambos saberem da trama montada pelos golpistas.

Somente depois de preencherem o recibo do veículo em Cartório para transferência dos documentos é que perceberam o golpe. O empresário havia transferido no dia anterior R$ 39.500,00, mas na conta do falso vendedor, o golpista, que usou o nome de Valdir.

O proprietário do veículo disse que só entregaria o mesmo quando confirmasse depósito em sua conta bancária. Como estava demorando, entrou em contato com o tal Valdir, que já tinha bloqueado os dois no whatsapp.

VEJA COMO FUNCIONA O GOLPE

(Obs.: o golpe também vem ocorrendo através do market place do Facebook, mas trataremos aqui apenas da OLX).

Pois bem: O golpe, na verdade, é um crime de estelionato (art. 171 Código Penal) e ocorre da seguinte forma:

1- A pessoa interessada em vender o seu veículo posta seu anúncio online em sites especializados de revenda de veículos (normalmente em sites diferentes da OLX).

2- O criminoso encontra este anúncio, se apodera das fotos e posta um novo anúncio (só que no site da OLX). Neste novo anúncio agora no site da OLX, o veículo passa a ser ofertado pelo criminoso por um valor atrativo, um pouco abaixo do valor de tabela FIPE, e contendo o número de whatsapp do criminoso, como se ele estivesse vendendo o veículo.

3- Uma pessoa interessada é atraída por este anúncio do veículo no site da OLX e entra em contato pelo whatsapp com o criminoso, solicitando maiores informações sobre veículo. O criminoso (normalmente agindo de modo extremamente atencioso, demonstrando fala muito bem articulada e logo, sem levantar nenhuma suspeita) presta todas as informações solicitadas pelo potencial comprador. Por fim, diz que está vendendo o veículo para o seu cunhado em troca de uma comissão pela venda.

4- Temos, portanto, 3 (três) pessoas que estão envolvidas nestes fatos: o vendedor, o comprador e o golpista. Vale relembrar que vendedor e comprador são duas pessoas de boa-fé e ambos serão vítimas do golpe.

5 - À medida que a negociação com o golpista evolui, o comprador demonstra interesse em conhecer o veículo, solicitando ao golpista uma vistoria presencial, para que possa ser concretizada a compra caso o comprador goste do veículo. O golpista diz que irá agendar a visita do comprador com o seu cunhado (o vendedor); Informa também que, no momento da vistoria, caso decida ficar com o veículo, o comprador deverá fazer o depósito bancário nas contas bancárias fornecidas pelo golpista (atenção: são contas bancárias de terceiros (laranjas), que não estão em nome do vendedor).

6 – Para agendar a visita, o golpista estabelece um primeiro contato com o vendedor pelo whatsapp (nunca presencialmente) e, munido de documentos furtados ou documentos falsos, se apresenta como empresário ou como advogado, ou através de qualquer outra profissão que passe credibilidade. (neste momento o golpe pode tomar rumos distintos, a depender da história que o golpista contar ao vendedor). Na versão mais frequente, o golpista se apresenta ao vendedor como empresário e diz ter interesse no carro; diz que precisa fazer um acerto trabalhista com um ex-funcionário seu e que este ex-funcionário tem interesse em conhecer o carro pessoalmente e caso goste, ele (golpista) comprará o carro ao ex-funcionário como forma de pagamento do acerto trabalhista. (O ex-funcionário é na verdade o comprador, que quer vistoriar o veículo);

7- Para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do comprador de que se trata de um crime, o golpista solicita ao comprador que, no momento da vistoria, não comente nada com o vendedor sobre o valor que ele irá pagar pelo veículo e que também não diga nada sobre o fato de o golpista ser cunhado do vendedor – para justificar esta solicitação, o golpista normalmente inventa alguma história para o comprador do tipo: “meu cunhado tem uma dívida comigo, logo, do valor que você (comprador) me pagar, eu vou repassar só uma parte para ele” ou alguma outra história convincente. O comprador, muito interessado na compra (pois o veículo está muito barato), acaba acreditando no golpista.

8- De igual maneira, para não ocorrer nenhuma suspeita por parte do vendedor de que se trata de um crime, o golpista (que se passou de empresário) solicita ao vendedor que não trate de valores do veículo com o ex-funcionário dele que irá vistoriar o veículo; diz que o acordo trabalhista é um assunto dele (golpista) com seu ex-funcionário (comprador). Caso contrário, ele (golpista) não teria interesse na compra do veículo; diz ainda que, caso seu ex-funcionário goste do veículo no momento da vistoria, o vendedor poderia entregar as chaves ao seu ex-funcionário (comprador), pois ele (golpista) faria imediatamente um depósito do valor anunciado para a conta do vendedor.

9. ATENÇÃO: Neste momento do golpe, o comprador está indo vistoriar o veículo achando que a pessoa que está com o carro (vendedor) é cunhada da pessoa que está lhe vendendo (golpista). Por outro lado, o vendedor está achando que quem está indo vistoriar o seu carro é um ex-funcionário da pessoa que irá comprar o seu carro. (Neste ponto, nenhum dos dois - nem vendedor nem comprador - sabem das versões que o golpista tem separadamente com cada um deles).

10. No momento do encontro e da vistoria do veículo, apenas comprador e o vendedor estarão presentes (o golpista comunica com ambos apenas pelo telefone e pelo whatsapp e nunca é visto pessoalmente). E naquele instante, nem o comprador e nem o vendedor entram em detalhes sobre a terceira pessoa (golpista), pois ele assim solicitou separadamente à cada um deles.

11. Caso o comprador decida ficar com o veículo, ele imediatamente avisa ao golpista pelo telefone/whatsapp que fará a compra, fazendo a transferência ali mesmo (pelo telefone celular) para a conta bancária que o golpista tinha lhe fornecido.

12. O golpista imediatamente entra em contato com o vendedor e diz que seu ex-funcionário gostou do carro e pede para aguardar 30 minutos que ele (golpista) fará o pagamento/depósito para a conta vendedor.

13. Comprador e vendedor ficam aguardando os 30 minutos;

14. O golpista deposita um ENVELOPE VAZIO na conta do vendedor, e lhe envia comprovante de depósito. Essas transações costumam ocorrer estrategicamente nas sextas-feiras e no fim de expediente do banco.

15. Neste momento duas coisas podem ocorrer: OU o vendedor com muita boa-fé já entrega o veículo ao comprador e este vai embora para casa (ficando o vendedor sem veículo e sem o pagamento); OU o vendedor aguarda para ver se o depósito foi compensado e, ao notar que o envelope foi vazio e que o dinheiro não “caiu” em sua conta, não entrega o veículo ao comprador (e este fica sem o seu dinheiro transferido e sem o veículo).

16. Neste momento, o golpe “perfeito” foi aplicado e o golpista bloqueia comprador e vendedor de seu whatsapp e desaparece impune e sem nunca ter sido visto pessoalmente.

(Fonte: JusBrasil)




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