Publicado terça, 26 de maio de 2026

Em uma demonstração clara do impacto das apostas online no país, mais de 574 mil pessoas já recorreram à Plataforma Centralizada de Autoexclusão do governo federal para impedir o próprio acesso a sites de apostas autorizados a funcionar no Brasil.
Desenvolvido pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda e lançado em dezembro de 2025, o sistema permite que o cidadão bloqueie o acesso a todas as plataformas regulamentadas com um único pedido vinculado ao seu CPF. Além de travar as contas existentes, a ferramenta impede novos cadastros e suspende o envio de publicidade direcionada.
Saúde mental e finanças lideram justificativas
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a preocupação com o bem-estar psicológico é o fator determinante para a maioria dos usuários. Cerca de 207 mil pessoas (41% do total) apontaram a perda de controle sobre o jogo e/ou eventuais danos à saúde mental como a principal razão para solicitar o bloqueio.
Principais motivos para a autoexclusão:
-41%: Perda de controle sobre o jogo e/ou danos à saúde mental;
-18%: Riscos com vazamento de dados;
-13%: Decisão voluntária (sem detalhar motivo);
-12%: Problemas financeiros;
-14%: Não informaram o motivo.
A maioria dos usuários busca uma solução definitiva: 69% das pessoas optaram pelo bloqueio por tempo indeterminado. Entre os 31% que escolheram um prazo específico (que varia de 1 a 12 meses), o período de um ano foi o mais selecionado.
Além do bloqueio: suporte e autoteste
A plataforma não funciona apenas como uma barreira técnica, mas também como um hub de apoio ao cidadão. O site reúne orientações e links de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) para quem enfrenta as consequências do uso problemático de jogos.
O sistema disponibiliza:
-Autoteste de saúde mental elaborado pelo Ministério da Saúde;
-Questionário de saúde financeira desenvolvido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban);
-Lista oficial de empresas de apostas legalizadas no país.
"Estamos criando instrumentos modernos para enfrentar um problema contemporâneo com respostas concretas, baseadas em evidências e orientadas pela proteção da população", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em nota.
Governo investe R$ 6 milhões em pesquisa inédita
O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (26) a assinatura de um Termo de Execução Descentralizada (TED) que vai repassar R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS.
O estudo será conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e começará ainda em 2026. O objetivo é mensurar e analisar o real impacto econômico e psicológico das chamadas "bets" no cotidiano dos brasileiros para embasar futuras políticas públicas de redução de danos.
Onde buscar ajuda?
Para quem está enfrentando problemas com o jogo, a recomendação oficial é buscar apoio especializado na rede pública. O atendimento pode ser iniciado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os endereços e contatos dos serviços de saúde pública de cada região podem ser consultados diretamente na página do SUS Digital.