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Guaxupé, 02 de maio de 2026


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Guaxupé: Perícia aponta falhas em atendimento médico que resultou em morte de gestante

Publicado terça, 17 de março de 2026





Um laudo pericial apresentado à 2ª Vara Cível da Comarca de Guaxupé revelou graves falhas no atendimento prestado à gestante Flávia Aparecida Fernandes da Silva, 22 anos, que morreu em agosto de 2023 após complicações durante o parto. O processo, movido por Flaviano Timoteo da Silva, pai da vítima, tem como réus o Município de Guaxupé e a Irmandade de Misericórdia de Guaxupé, responsável pelo hospital local. O valor da causa é de R$ 2 milhões.

O caso
Segundo os autos, Flávia realizou acompanhamento pré-natal até a 7ª semana de gestação, com consultas regulares e sem histórico de doenças graves, apesar de ser fumante. No dia 2 de agosto de 2023, já com 39 semanas, procurou atendimento hospitalar relatando fortes dores e contrações e a intenção de realizar uma cesárea. Apesar disso, foi informada da falta de leitos e orientada a retornar no dia seguinte.

Na manhã de 3 de agosto, a paciente deu entrada em trabalho de parto, com pressão arterial elevada (150/90 mmHg) e sinais de risco. Durante o procedimento, apresentou convulsões, crises cardiorrespiratórias e foi submetida a uma cesariana de urgência. O bebê sobreviveu, mas Flávia não resistiu, falecendo às 18h15 do mesmo dia, de eclâmpsia.

Conclusões da perícia
O médico perito designado pelo Juízo, Thales Bittencourt de Barcelos, destacou que houve inobservância de normas técnicas e ausência de investigação adequada diante dos sinais de hipertensão gestacional. O quadro evoluiu para eclâmpsia, condição grave que exige monitoramento intensivo e intervenção imediata.

O laudo afirma que a paciente não recebeu todos os cuidados necessários e que a decisão de liberá-la para casa no dia 2 de agosto foi tecnicamente inadequada. Também foram apontadas inconsistências nos registros médicos e falhas na comunicação com a família. "Houve inobservância de normas técnicas no caso concreto, especialmente no que se refere à ausência de investigação complementar e de monitorização adequada diante de níveis pressóricos compatíveis com síndrome hipertensiva da gestação." Sobre a gestante ser tabagista, o perito descartou esta condição como fator de risco.

Impacto
O recém-nascido, que chegou a apresentar índices de Apgar baixos, recebeu alta em setembro de 2023 em bom estado de saúde.

Para o pai da jovem, o laudo pericial comprova a falha no atendimento, que foi negado pela instituição desde o início do processo.  

O processo judicial segue em andamento, com pedido de indenização por danos morais e materiais. Vai caber ao juiz responsável, a decisão final do caso.




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