Guaxupé, segunda-feira, 17 de junho de 2019
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segunda-feira, 1 de abril de 2019

Beatificação de Dom Inácio: historiador intensifica pesquisas no Paraná e Santa Catarina

Matriz Santo Antônio da Platina
Matriz Santo Antônio da Platina
Dando continuidade nas pesquisas para substanciar o processo de beatificação do bispo Dom Inácio João Dal Monte, falecido em 29 de maio de 1963, o pesquisador e historiador Wilson Ferraz realizou uma profunda pesquisa a respeito da vida do prelado nos arquivos da Paróquia de Santo Antônio de Pádua, na cidade de Santo Antônio da Platina- PR, onde ele foi pároco; na cúria diocesana de Joinville, Santa Catarina; nos mosteiros dos Freis Capuchinhos de Joinville e de Curitiba. As pesquisas foram realizadas entre os dias 19 e 29 de março passado.
 
Dom Inácio, após ser ordenado padre da Congregação Franciscana, na Itália, onde também realizou os cursos de bacharelado e Doutorado em Direito Canônico, retornou ao Brasil assumindo como “Custódio” (irmão superior) da congregação, com sede em Curitiba, posteriormente atuou como pároco em Santo Antônio da Platina entre 10 de setembro de 1938 e 26 de maio de 149, quando foi sagrado bispo. Permaneceu como bispo coadjutor da Diocese de Joinville ate agosto de 1952. Em 8 de setembro daquele ano assumiu a Diocese de Guaxupé, permanecendo até sua morte, em 29 de maio de 1963.
 
Paróquia de Santo Antônio da Platina
 No século passado a maioria das paróquias do norte do Estado do Paraná ficou a cargo dos Freis Franciscanos Capuchinos. Só mais tarde algumas delas passaram para os padres diocesanos.
 
A Paróquia de Santo Antônio da Platina foi criada pelo primeiro bispo da Diocese de Jacarezinho, Paraná, Dom Fernando Taddei, em 8 de abril de 1928, e entregue aos Frades Capuchinhos, tendo como primeiro pároco o Frei Angélico de Ênego, que lá permaneceu até 1933. O quinto pároco foi o então Frei Inácio João Dal Monte, que também era conhecido por Frei Inácio de Ribeirão Preto (Inácio, nome adotado após a ordenação sacerdotal, e “de Ribeirão Preto” pelo local onde nasceu). Ele assumiu aquela paróquia em 10 de setembro de 1938.
 
Conforme consta do site daquela paróquia, Frei Inácio marcou sua gestão com importantes obras, dentre elas a instalação do Colégio Santa Terezinha, da nova Casa Canônica, a Casa das Irmandades e o prosseguimento das obras da Matriz que haviam se iniciado em 1929. Foi através de sua iniciativa que as Irmãs Franciscanas do Egito implantaram o Colégio Santa Terezinha, prestando relevantes serviços até 1947, quando foram substituídas pelas Irmãs da Sagrada Família, que tinham como superiora a Irmã Matilde.
 
 Em 5 de abril de 1946, após brilhante preparação da Comunidade de Santo Antônio da Platina, aconteceu a celebração do Jubileu Sacerdotal do então “Frei Inácio de Ribeirão Preto”, ou seja os seus 25 anos de sacerdócio.
 
Durante seu paroquiato o então Frei Inácio já era reconhecido Santo por muitos fiéis. A lembrança de alguns destes milagres atribuídos a ele ainda permanece viva na memória das pessoas daquela cidade. Segundo a Professora Thereza França Veado, 91 anos de idade, durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler pretendia bombardear uma cidade italiana onde residiam os parentes do então Frei Inácio. Diante da tragédia iminente, o pároco convocou a população para que se realizasse, diariamente, num mês de maio, uma procissão em louvor a Nossa Senhora e logo após a realização de um terço na igreja Matriz com a intenção de que o bombardeio não acontecesse. Segundo ela, as preces foram ouvidas e a cidade italiana não foi dizimada. Diante do fato, anualmente, a procissão era realizada em agradecimento a Deus pela graça alcançada.

A professora menciona que antes de partir para a Diocese de Joinville, já na condição de bispo, Dom Inácio solicitou que a tradição fosse mantida, ou seja, de que em todos os meses de maio a procissão fosse realizada.
 
O atual secretário da paróquia, Diego Lopes, informou ao historiador Wilson Ferraz, de que a tradição vem sendo mantida; que o atual pároco agenda anualmente, no mês de maio, a procissão, sendo que um cortejo parte de um ponto da cidade e o outro de um local diferente, porém ambos se encontram formando uma procissão que se dirige à Igreja Matriz, onde é celebrada uma missa em ação de graças.
 
Bispo Coadjutor de Joinville
Em 26 de maio de 1949, na Matriz da Paróquia de Santo Antônio da Platina, o então Frei Inácio foi sagrado bispo titular de Agbia e designado coadjutor com direito à sucessão do Bispo de Joinville, pelo núncio apostólico no Brasil, Dom Carolo Chiaralo, sendo consagrantes os bispos de Jacarezinho e de Joinville.
 
Dom Inácio assumiu como coadjutor da Diocese de Joinville em 29 de junho daquele ano, cerimônia que contou com a presença do então governador do Estado do Paraná, além de diversas personalidades da administração estadual.
 
Conforme consta do site da Diocese, Dom Inácio desenvolveu grande atividade pastoral; visitou quase todas as localidades daquela Diocese e todas as paróquias. Era muito assíduo e incansável; tinha um interesse especial pelos seminaristas e pelas catequistas.
 
Em fins de maio de 1952, durante a realização de uma visita pastoral em Rio Negrinho, recebeu do então núncio apostólico no Brasil a comunicação de sua transferência para bispo titular da Diocese de Guaxupé, onde tomou posse em 8 de setembro de 1952.
 
Segundo o Padre José Chafi Francisco, mais conhecido por Monsenhor Juca, chanceler da Diocese que foi por muitos anos e contemporâneo de Dom Inácio, em virtude da saúde precária do bispo titular, era Dom Inácio quem procedia todos os atos administrativos, tais como provisões de párocos e de capelas, autorização de casamentos com relação de consanguinidade dos noivos, dentre outros, além das celebrações.
 
Monsenhor Bertino Weber, 82 anos de idade, menciona que conheceu Dom Inácio durante as visitas que ele realizava no Seminário Menor, na cidade de Salete, SC, onde o mesmo estudava. Segundo Mons. Bertino o seminário localizava-se distante da cidade três quilômetros e num local de difícil acesso, para tanto Dom Inácio se valia de uma charrete para a realização das visitas. Apesar das dificuldades de locomoção, Dom Inácio realizava três visitas anuais ao seminário. Nos dias de visita as aulas eram suspensas para que os seminaristas pudessem se confraternizar com o bispo.
 
Os monsenhores, Juca e Bertino, são unanimes em dizer que “Dom Inácio era um homem Santo, que os padres que o conheceram sempre disseram o mesmo, que a pregação dele sempre foi de acordo com a doutrina da Igreja e com respeito ao Papa; que ele foi um bispo que sempre teve a preocupação com a profissionalização e capacitação das pessoas e que ele pregava que voto de pobreza não significa viver em condições miseráveis, mas sim sem luxo e ostentação, porém com um mínimo de dignidade e que por isto ele foi humilde e manso de coração”.
 
Mosteiro de Joinville
A sede provincial dos Capuchinhos do Paraná e de Santa Catarina encontra-se localizada em Curitiba, na Avenida Manoel Ribas, nº 966, bairro Mercês.  É um grande complexo, onde se localiza a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, alas de atendimento pastoral, mosteiro dos Freis Franciscanos, a Cúria provincial, os arquivos e museu histórico, além de outras dependências.
 
Atualmente o Frei Juarez de Bona é o secretário da Cúria, foi ele quem atendeu ao historiador Wilson Ferraz, franqueando o acesso a todo o arquivo, disponibilizando  cópia de inúmeros documentos em meio eletrônico e físico, para substanciar o processo de beatificação de Dom Inácio.
 
 Conforme foi informado ao pesquisador, Dom Inácio, na condição de Custódio dos Capuchinos, foi responsável pela construção de boa parte daquele complexo.
 
Wilson menciona que nos dias que permaneceu em Curitiba ficou hospedado no mosteiro, onde foi recebido com muito carinho, tendo recebido um acolhimento de forma diferenciada pelos 22 freis residentes naquela casa. Disse que os freis manifestaram a satisfação e a alegria pela abertura do processo de beatificação, embora saibam que o procedimento é demorado e exaustivo.
 
Embora Dom Inácio tenha falecido há quase 56 anos ele ainda é muito lembrado naquele mosteiro, principalmente pelos frades mais idosos e que o conheceram.
  
Resultado final
Wilson Ferraz menciona que, acima de tudo, a viagem foi gratificante e a mais nobre missão da vida dele, que a receptividade que teve em todos os locais por onde passou foi excepcional, porém o acolhimento dos freis capuchinhos é algo indescritível; que o apoio do Padre Reginaldo e do bispo Dom José Lanza tem sido fundamental em todas as pesquisas que tem realizado ao longo dos últimos anos. Acrescentou que teve a oportunidade de conhecer Dom Inácio e agora, através das pesquisas, está tendo a comprovação de sua santidade.
 
“Com a morte de Dom Inácio perde o Episcopado um grande bispo, mas ganha a Igreja um grande Santo”

Quando do sepultamento de Dom Inácio o então prefeito municipal, Dr. Benedicto Felippe da Silva, mencionou: “Com a morte de Dom Inácio perde o Episcopado um grande bispo, mas ganha a Igreja um grande Santo”. Realmente Dr. Benedito estava certo, numa época em que ninguém falava em drogas ilícitas Dom Inácio já dizia que a rua era o caminho para todos os vícios e todos os males, defendendo a implantação de escolas profissionalizantes, de uma casa para formação ética e moral para as meninas, a criação de cursos superiores para os leigos e seminários com curso de Teologia para os seminaristas, desta forma os professores e os sacerdotes teriam melhores condições para orientar os alunos e os fiéis em geral.
 
Neste ano o tema da Campanha da Fraternidade são as Políticas Públicas, porém ao longo de toda a sua vida Dom Inácio já se pregava que a Igreja precisava ser rica para ajudar os pobres, porém a riqueza não era para ser utilizada em ouro ou ostentação nos templos, mas sim em ações que pudessem, capacitar e profissionalizar, dando dignidade às pessoas, portanto há mais de meio século nosso “Santo Dom Inácio” já defendia as “Políticas Públicas”.

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Matriz Santo Antônio da Platina Frei Juarez Mons. Bertino Mons. josé Jafich Francisco

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