Guaxupé, sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A visão de D. Inácio sobre o trabalho de acolhimento aos necessitados

O bispo Dom Inácio João Dal Monte esteve à frente da Diocese de Guaxupé no período compreendido entre 08 de setembro de 1952 e 29 de maio de 1963, ocasião do seu falecimento, vítima de trombose arterial.
 
Ele nasceu no município de Ribeirão Preto em 28 de agosto de 1897, filho de Luiz Dal Monte e de Ângela Guglielmini. Seu nome de batismo era João Dal Monte. Após ser ordenado sacerdote adotou o nome de Frei Inácio João Dal Monte.
 
Seu corpo foi sepultado na Cripta da majestosa Catedral de Nossa Senhora das Dores, em 31 de maio de 1963. Durante o sepultamento o saudoso prefeito Dr. Benedito Felipe da Silva, falando em nome do povo guaxupeano, mencionou: “Com a morte de Dom Inácio perde o episcopado um grande bispo, mas ganha a Igreja um grande Santo”.
 
Realmente, Dom Inácio não foi apenas um bispo da Igreja Católica, foi um Santo da Igreja Católica que viveu entre nós.
 
Apesar de ser um “príncipe da Igreja” viveu e pregava a modéstia e a humildade. Na sua grande sabedoria ele defendia que a Igreja precisava ser rica para ajudar os pobres e os necessitados. A riqueza da Igreja não deveria dar asas à ostentação, ao luxo, com ouro no interior dos templos, muito pelo contrário. A riqueza da igreja deveria proporcionar casas de acolhimentos para meninas que viviam em condições de vulnerabilidade; escolas profissionalizantes, retirando crianças e adolescentes das ruas proporcionando-lhes uma qualificação profissional; instalação de um seminário com cursos superiores para que os padres, com mais conhecimento, pudessem orientar melhor o pastoreio dos fiéis; uma faculdade de filosofia que pudesse formar professores do curso secundário com melhor qualificação; um convento que pudesse orientar a formação das irmãs de caridade que, na época, prestavam o serviço de enfermagem nas santas casas.
 
Casa da Criança
Em 1953 Dom Inácio lançou a ideia de se construir um orfanato para meninas. A saudosa Eugênia Costa Monteiro, Dona Gena, abraçou a proposta do bispo e muito contribuiu com seus recursos próprios para que fosse construído o atual prédio da Avenida Dona Floriana, 272, onde atualmente encontram-se instaladas, a Casa da Criança e a Delegacia de Polícia Civil.
Naquela época Dom Inácio já dizia:
 
“Nunca o problema dos menores, principalmente os órfãos, exigiu imediata solução como nos tempos atuais. Em se tratando de órfãs, principalmente, tem de se dar a elas toda a atenção. Ampará-las é dar-lhes formação, através de estabelecimento próprio, resguardando-as, assim, dos perigos que as cercam, é tarefa das mais grandiosas. É por assim dizer uma das maiores obras de caridade.”
 
“Não é preciso dizer que os guaxupeanos estão convocados para levar avante uma das mais nobres campanhas para um dos mais dignificantes fins: a formação, amparo e educação das órfãs.”
 
“Certo que a gente guaxupeana vai colaborar decidida e valiosamente para erguer o orfanato, cujas paredes atestarão o seu espírito de solidariedade e os seus sentimentos.”
  
“Tornar a pequena abandonada de hoje em dama guaxupeana de amanhã é um problema muito sério. Mais do que isto: é muito grave. Há inúmeras meninas na cidade, sem a menor assistência moral, numa convivência condenável, em tarefas desaconselhadas, enfim, enveredando pelos caminhos menos desejados porque perigosos e horríveis.”
 
“Considerando, pois, este drama sem palavras, mas estarrecedor, o reverendíssimo Cônego Marcos Noronha, cura da Catedral, tomou a iniciativa de um movimento afim de se dar andamento às obras da Casa da Divina Providência do Instituto Dr. José Costa Monteiro afim de ali abrigar as meninas urgentemente necessitadas.”
 
Uma vez inaugurada a Casa da Criança, em 1963, a mesma ficou sob a responsabilidade de irmãs de caridade. Desta forma, as meninas órfãs, carentes ou rejeitadas pelas famílias, eram acolhidas com o maior carinho, recebendo, além de gêneros materiais, como roupas, alimentos, abrigo, mas principalmente amor e carinho. Infelizmente as dificuldades financeiras foram surgindo, novos valores sociais e a “rebeldia dos anos sessenta” e o orfanato não mais pode sobreviver. As internas foram distribuídas em outros orfanatos. Naquela época Dom Inácio já tinha falecido.
 
Em 18 de novembro de 1964 duas entidades se uniram, dando origem à atual Casa da Criança.
 
(Extraído do documentário elaborado por Maria Luiza Lemos e Wilson Ferraz sobre o episcopado de Dom Inácio)

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