Guaxupé, domingo, 21 de outubro de 2018
Você está em: Notícias / Religião / Pastoral da Esperança supera limitações e preconceitos para levar oração aos velórios
sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Pastoral da Esperança supera limitações e preconceitos para levar oração aos velórios

Da Funerária São Vicente, José Modulo, Carlos e Carmo
Da Funerária São Vicente, José Modulo, Carlos e Carmo
Os velórios aumentaram em Guaxupé. Também aumentou o trabalho da Pastoral da Esperança da Catedral, que faz oração em velórios. Só diminui a quantidade de voluntárias. Da equipe de doze integrantes em 2002, seis faleceram. Atualmente, três estão afastadas por motivo de doenças e nove  só podem participam esporadicamente. As duas mais atuantes, a coordenadora Maria Jesuína Zavagli e Marieta Volta, praticamente realizam um trabalho diário. Há dias com três ou quatro enterros. Em dois natais, as duas estiveram em cinco velórios em um único dia.

Ambas não lamentam a quantidade de tarefas, mas se queixam da falta de comunicação. Muitas vezes, a notícia de morte chega muito próximo do enterro. Foi o que ocorreu em 23 de agosto. Ficaram gratificadas por levarem oração a três velórios, incluindo o da amiga Cecy de Almeida, mas lamentaram a ausência no quarto velório do dia, às 10h30. Para atender a todos que queiram ouvir palavras de esperança, elas reivindicam que familiares dos mortos, funerárias e amigos informem com antecedência. Ambas evitam fazer o horário próximo do enterro, porque aumenta a quantidade de pessoas.
Aos 81 anos, Jesuína Zavagli deveria estar de repouso por motivo de saúde. Só ficou em casa no mês de março deste ano, quando Marieta Volta atuou sozinha e, em alguns casos, junto a outras colaboradoras. Contrariando a ordem médica, Jesuína voltou à Pastoral. É um trabalho que não tem dia hora, elas explicam. É normal desligarem o fogão e a máquina de lavar roupa para irem, a pé, ao velório municipal e ao Lar São Vicente. Por questões diversas ocorrem atrasos, principalmente quando o morto vem de outra cidade.

Ir a um velório não é garantia de que a oração aconteça. Primeiro é preciso consultar os familiares. É comum que espíritas e evangélicos não se interessem pela oração, assim como famílias católicas. Mesmo quando há aceitação, muitas vezes as representantes da Pastoral da Esperança enfrentam obstáculos. A maior queixa mais é que o texto da oração é longo, aproximadamente meia hora. Jesuína informa: “Não faço trabalho pela metade”. Em alguns casos específicos, o tempo é reduzido e a oração começa  partir do Rito da Encomendação.

A oração é padronizada pela Pastoral e pode ser adaptada pela paróquia da Catedral.  As duas também superam a falta de respeito. São pessoas que falam alto durante a oração, outras saem se distanciam para não ouvir. Quem pede interrupção da leitura geralmente não é da família do morto e nem tem esse poder de decisão.

Mudanças em 20 anos
Segundo Jesuína Zavagli,  a Pastoral da Esperança da Catedral foi criada pelo monsenhor Marcelo Campos, no início dos anos 90. Houve tentativas de implantação em outras igrejas e paróquias da cidade, como a São José Operário, mas não se concretizou. Marieta Volta sugere uma pastoral específica para o cemitério Alto da Colina.

Nos últimos 12 anos, as duas representantes passaram por uma mudança de resistência. Antes, as famílias preferiam a presença de um padre no velório.  A Pastoral foi conquistando uma credibilidade gradual. Hoje, há famílias que pedem para elas chamarem o padre. Se abrirem excedente para um pedido, terão que chamar um padre em todos os velórios. Nesse caso, orientam a família a solicitar um pároco. Mediante comparecimento, podem duas orações. A capela do Lar São Vicente possibilita missa.

Outra mudança atual, relacionada ao crescimento da cidade, é fazer oração para mortos e familiares desconhecidos. Elas também já foram criticadas por atenderem andarilhos mortos e filhos de prostitutas. “A nossa pastoral não é de elite, e para todos”, justificativa Jesuína, que se lembra de uma semana com três velórios de andarilhos. Ela encontrou um deles morto na Av. Dr. João Carlos, em um dia de chuva.

Também chovia quando policiais localizaram três andarilhos mortos na cidade. Alguns têm família, mas preferem morar na rua. Foi o que aconteceu com um adolescente que saiu de casa aos 14 anos. Os pais tentaram resgatá-lo, mas não conseguiram. “É mais fácil darem bebida do que comida para andarilhos”, disse o pai de jovem que morreu um dia antes de completar 25 anos.
A Pastoral da Esperança é essencialmente católica. Há famílias de evangélicos e espíritas que aprovam a oração porque o morto era católico. Em uma circunstância, Jesuína elogiou as palavras de um pastor no velório. Deu parabéns pelo texto escolhido na Bíblia e a mensagem.

O que deveria ter mudado é a visão negativa de levar oração em velórios. Não é uma missão ou tarefa triste, como muitos imaginam. Outra mudança necessária é que homens voluntários passem a fazer desta Pastoral.

Apoio das funerárias e familiares
O apoio das duas funerárias de Guaxupé, informando óbitos e velórios, é essencial para o trabalho da Pastoral da Esperança. Ligada à instituição católica Lar São Vicente de Paula, a funerária São Vicente tem 40 anos de atuação na cidade e, há um ano e meio, passou a comercializar planos funerários.

O diretor Carmo de Oliveira Amaro, enalteceu o trabalho da Pastoral da Esperança. Já o coordenador Carlos Augusto comunica as duas voluntárias são informadas sobre todos os velórios organizados pela São Vicente, na capela da instituição. Carlos ainda facilita o trabalho das duas, perguntando se a família gostaria de ter uma oração durante o velório. Quando há interesse, as duas são buscadas e levadas em casa, de carro. Porém, não ocorre divulgação quando a capela do Lar São Vicente é alugada, para não interferir no trabalho da outra funerária da cidade, a São Dimas, com sede em Muzambinho.

A reportagem do Correio Sudoeste procurou o diretor Haroldo e também Ana Souza, em Muzambinho, para questionar a possibilidade de a São Dimas avisar a Pastoral sobre os velórios da cidade. Não houve resposta até o fechamento desta edição.
Por conta da distância, nos velórios do cemitério Alto da Colina, Jesuína e Marieta só comparecem se alguém buscá-las de carro. Entretanto, grande parte dos sepultamentos que ocorrem lá, os velórios acontecem nas duas unidades da cidade, Lar São Vicente e Velório Municipal.

Para que a Pastoral possa levar oração a um velório, sem custos para a família, há quatro números telefônicos disponíveis. Catedral: 3551-0046, Jesuína: 3551-2263, Marieta: 3551-1856 e Mariinha, 3551-2031.
 
Equipe atual
Atualmente, a equipe de voluntária da Pastoral da Esperança é formada por doze integrantes: Amélia Aparecida Ribeiro do Valle Afonso, Lázara Salomão Ferreira Rezende, Maria Aparecida Imbrizi Bastos, Maria Gabriela Magalhães Melo, Maria Jesuína Coelho Zavagli, Maria Laura Balbino, Maria de Lourdes Silva, Marieta Volta, Neiva Buffoni Gersósimo, Olívia Correa Alves, Olívia Francisca, Célia Couto e Dalva Aparecida da Silva. Do grupo formado em 2002, faleceram Benair Del Corsi, Geni Neto, Genny de Souza Camilo, Maria do Carmo Ferreira, Rosa Peloso e Maria Aparecida Tavares Cabral. 

Confira a Galeria de Fotos

Da Funerária São Vicente, José Modulo, Carlos e Carmo As voluntárias mais atuantes Marieta e Jesuína

Comente, compartilhe!

© Copyright 2014 - Todos os direitos reservados