Guaxupé, sábado, 25 de maio de 2019
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sexta-feira, 1 de março de 2019

Brumadinho: a maior operação de busca e salvamento do Brasil

Trabalhos já contabilizam mais de 530 horas de ações envolvendo cerca de 1.800 bombeiros militares, além de outras forças de segurança
foto: Divulgação/CBMMG
foto: Divulgação/CBMMG
Após pouco mais de um mês do rompimento da barragem da Mina do Feijão, em Brumadinho, cerca de 1.800 bombeiros militares passaram pela operação de busca e salvamento na região, além de efetivos de outras forças de segurança e apoio. Também estiveram envolvidas 62 máquinas pesadas, 31 aeronaves, 22 equipes de cães farejadores, em mais de 530 horas de trabalho.

Esta é a maior operação de busca e salvamento interagências realizada no país. O governador de Minas, Romeu Zema, instituiu um gabinete de crise, imediatamente após a tragédia, para organizar a atuação na região atingida. A partir daí, houve a atuação harmônica e integrada de mais de 55 órgãos públicos, envolvendo a atuação em nível municipal, estadual e federal. Sendo somente do Governo de Minas mais de 25 instituições, entre secretarias de Estado, autarquias, agências reguladoras, fundações e órgãos de Justiça.

Os bombeiros mineiros contaram com o apoio do Corpo de Bombeiros de outros estados (Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul), além da Força Nacional e das Forças Armas e Exército de Israel. Todos os profissionais atuaram sob o comando do CBMMG.

O volume de rejeitos, que se espalhou por uma área de 4 milhões de metros quadrados, foi de cerca de 10,5 milhões de metros cúbicos, o que equivale a 4,2 mil piscinas olímpicas. Para retirar todo esse material, foi necessário que os bombeiros organizassem um trabalho de inteligência. Para tal, o CBMMG tem em seus quadros especialistas formados nacional e internacionalmente, em países como Japão, Reino Unido e Portugal, além de um corpo técnico de engenheiros, geotécnicos, aviadores, entre outros.

Até o momento mais de 60% dos corpos dos desaparecidos já foram localizados e identificados. O CBMMG já realizou mais de 378 recuperações de corpos e segmentos corpóreos, que foram repassados à Polícia Civil (PC), responsável pelo trabalho de identificação das vítimas. Todo o trabalho de identificação é feito com um corpo de legistas da PC altamente qualificado.

Trabalhos aéreos

No primeiro mês da operação, foram feitos 299 pousos e decolagens por dia, o que resultou na maior movimentação aérea do Estado. Para se ter uma ideia, o Aeroporto de Confins realiza cerca de 260 pousos e decolagens por dia. Somente a operação aérea em Brumadinho envolveu 31 aeronaves e mais de 1.516 horas de voo até o momento. Com essa quantidade de horas voadas, utilizando o helicóptero, em condições normais de velocidade e alcance, seria possível dar quase oito voltas completas ao mundo.

Além das aeronaves, estão envolvidos nos trabalhos um balão de observação, um radar de drones, uma estrutura de controle aéreo específico e sete drones do CBMMG, com recursos de imagem termal, dando apoio às operações em terra. As aeronaves são monitoradas em tempo real graças a um sistema específico montado para a operação. 

O trabalho dos cães farejadores também tem sido essencial para a operação. Nos últimos sete dias, todos os corpos e segmentos localizados foram encontrados com o apoio dos cães.

Integração

A integração tem sido aspecto fundamental da operação. A partir de uma investigação da Polícia Civil, por exemplo, foram identificados dois estelionatários -que haviam inserido nomes falsos na lista de desaparecidos com intenção de obter vantagem econômica ilícita - o que evitou buscas desnecessárias das equipes de resgate. A Polícia Militar auxilia no isolamento do local e proteção dos locais evacuados; a Defesa Civil realiza o reestabelecimento de serviços essenciais e gestão das pessoas desalojadas, entre outras atividades. O Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) monitora os impactos ambientais e implementa medidas mitigadoras, para que o impacto na fauna e flora sejam os menores possíveis. 

A operação não possui previsão de término e somente existem duas hipóteses de encerramento: a localização de todos os corpos desaparecidos ou a impossibilidade real de recuperação de corpos devido à questão biológica, que diz respeito ao momento em que o estado de decomposição dos corpos impedirá a sua localização em meio ao rejeito devido à interação entre os materiais. Até o presente momento, não houve nenhum dia em que não tenha ocorrido a localização de corpos ou segmentos, o que comprova ainda ser impossível prever o término da operação.  

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