Guaxupé, domingo, 24 de junho de 2018
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terça-feira, 12 de junho de 2018

Para juiz da Infância e Juventude está faltando compromisso do Governo do Estado

Na última segunda-feira, 11, o juiz da Primeira Vara Cível da Comarca local, Milton Furquim, comentou sobre sua indignação em relação às limitações que vem enfrentando no combate às infrações penais cometidas por menores de idade.
 
Num verdadeiro desabafo o magistrado argumenta que a insegurança promovida por menores infratores parece fazer parte da política governamental, pois ninguém resolve ou dá uma solução para o problema do encarceramento, ainda que provisório destes adolescentes.
Segundo o juiz, na Comarca de Guaxupé, é difícil o dia em que não surgem notícias de infrações penais envolvendo adolescentes com o tráfico de entorpecentes, lesões corporais gravíssimas e prática de roubos e furtos com uso de arma de fogo.
 
Ele lembra do empenho das polícias: Militar e Civil no combate de tais atos infracionais, no entanto é desmotivador a total falta de condições para ao menos se acautelar esses infratores, ainda que por cinco dias, até que se consiga diante das autoridades estaduais a disponibilidade de vagas para internação deste jovens que optaram pela “criminalidade”.
 
Milton Furquim fundamenta que tem 20 anos de experiência como professor e diretor de escola pública e outros 20 como juiz da Infância e Juventude e que esta bagagem lhe autoriza dizer que “medidas socioeducativas” não são soluções para o combate a estas infrações penais envolvendo jovens e adolescentes.
 
Para ele, estes jovens infratores se tornaram senhores de si mesmo; estão cientes da  “impunidade”; tornaram-se “abusados”, ousados e violentos; são cínicos e desafiadores; sabem da “covardia” da legislação. De forma categórica ele afirma que em inúmeras vezes foi desafiado de forma arrogante em audiências por estes jovens.
 
Diante disto ele alega que fica evidente a decepção e a revolta das vítimas com este estado de coisas, além da desmotivação das polícias e da frustração de quem tem o poder de proferir decisões e não conseguir frear este tipo “criminalidade”. Ele considera que esta situação leva ao descrédito do magistrado e do Poder Judiciário.
 
Finalmente o juiz lembra que há alguns meses foi acordado entre os juízes das comarcas de Guaxupé e de Guaranésia a construção de duas celas no presídio local para acolher estes menores; que a construção seria de responsabilidade da sociedade civil, sem nenhum custo ao Governo do Estado; que diante da decisão, em abril passado, foi encaminhado um pedido de autorização ao subsecretário de Segurança Prisional e que até na presente data nenhuma resposta teria sido proferida.
 
Milton Furquim entende que o posicionamento do Governo do Estado poderá caracterizar uma “total indiferença com a insegurança da população guaxupeana”.
 
Num verdadeiro desabafo ele declarou: diante desta situação este magistrado se vê “manietado” em suas decisões, vez que, juntamente com a sociedade guaxupeana, só nos resta assistir, diariamente, estes acontecimentos que tanto atormentam a população de Guaxupé. Só resta lamentar e pedir a Deus que o pior não aconteça, mas se tal ocorrer, as autoridades governamentais deverão se dirigir à sociedade e dar as explicações, se é que haverá explicações, pois nestas circunstâncias todos atribuem a culpa e a responsabilidade ao Juizado da Infância e Juventude, como se fosse relapso e descomprometido com a causa. (WF)

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