Guaxupé, segunda-feira, 22 de outubro de 2018
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sexta-feira, 16 de março de 2018

Antonieta Bruzadelli Felipe

É com profundo sentimento de pesar que registramos o falecimento de Dona Antonieta Bruzadelli Felipe, 104 anos de idade, ocorrido no último domingo,11.
 
A morte não surpreende, entristece, principalmente quando atinge uma anciã tão querida e venerada na cidade, seja pelas suas qualidades éticas, morais e de convivência social.
 
 Ela era a última neta materna do saudoso Tenente Coronel José Caetano Marques e de sua segunda esposa, Ana Luiza Guimarães Marques, que ainda sobrevivia. O Ten. Cel. José Caetano era um homem progressista e detentor de grande fortuna; proprietário das fazendas: Boa Vista do Mazargão e do Bagri, verdadeiras sesmarias localizadas no município de Caldas Novas, no Estado de Goiás; do Tomba Perna, em Monte Santo de Minas; Monte Alegre e Boa Vista, em São Sebastião do Paraíso.
 
O capital da Família Marques, além da visão futurista de seus integrantes, foi de fundamental importância no progresso e no desenvolvimento de Guaxupé. Foi deles a iniciativa da criação da empresa “Viação Férrea do Rio Pardo”, instituição responsável pela construção do ramal férreo ligando Casa Branca a São José do Rio Pardo, além de duas estações, patrimônio que foi transferido para a Cia. Mogiana em 30 de maio de 1888. Também foi dos “Marques”, em 1910, a iniciativa da construção do primeiro aumento do perímetro urbano da Vila de Dores do Guaxupé, o chamado “Loteamento da Estação”, com 308 lotes de 800 metros quadrados e com ruas de 20 metros de largura, o que diferencia Guaxupé em todo o Estado de Minas Gerais e em boa parte do país.
 
Dona Antonieta, como ela era mais conhecida, nasceu em Guaxupé em 20 de dezembro de 1913, porém foi registrada no dia 9 do mês seguinte, filha de Rita Marques Bruzadelli e de Victório Bruzadelli. Rita era a oitava filha do segundo casamento de José Caetano. Ela viveu sua infância em uma casa localizada na Rua Tiradentes que pertencera a meu bisavô materno, Paschoal Mancini. Casou aos 17 anos de idade com Jorge Felipe, com quem teve quatro filhos: Célia, Célio, Celina e Celso, além de uma filha adotiva de nome Cidinha. Assim ela deixa 12 netos, 17 bisnetos, 1 tataraneto e muita saudade. Nos primeiros anos de casados, a família residiu no distrito de Biguatinga, ponto final do ramal férreo de mesmo nome.
 
Assim como seus ascendentes, Dona Antonieta já trazia no sangue e na tradição uma visão futurista e de progresso. Na primeira metade do século passado não era comum mulheres desenvolverem atividades profissionais fora do lar, porém ela já tinha uma visão diferenciada do mundo, o que veio a se confirmar com o correr dos anos. Durante longos anos ela atuou como agente postal da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em Biguatinga.
 
Dona Antonieta era dessas criaturas boas, cuja simplicidade realçava lhe as virtudes. Dedicada ao lar, viveu para a família e para os amigos, orientando e educando cuidadosamente os filhos, netos e bisnetos.
 
Devido à sua modéstia, não sei se ficaria bem aqui desvendar uma de suas grandes virtudes. Biguatinga por ser uma “ponta de linha da Cia. Mogiana” era considerada a entrada do sertão servindo a uma vasta região, numa época em que a comunicação era extremamente deficiente e, por conseguinte, a entrega de correspondências. Nestas circunstâncias ela se mantinha sempre atenta fazendo com que cavaleiros que passavam pelo vilarejo pudessem levar as correspondências até seus respectivos destinos na zona rural.
 
No início de nossas pesquisas históricas, principalmente quando iniciamos a catalogação de dados a respeito da Família Marques, a sua colaboração e de seus primos, Jair Hermínio e a saudosa Tonica da Praça do Rosário foram de fundamental importância.
 
Em décadas passadas, Tonica e suas irmãs se dedicavam ao comércio de aviamentos, além de outros materiais para costureiras e alfaiates, inclusive fornecendo artigos para que Dona Antonieta confeccionasse os enxovais para as moças que pretendiam casar.
 
As lágrimas que sua morte provoca vêm do mais fundo do coração dos que a amaram, pois Dona Antonieta foi uma vida consagrada ao bem e ao lar, uma vida sinalizada pela bondade que lhe marcou os dias e a fez criatura exemplar e admirável.
 
Aqui trazemos o nosso adeus, não são elogios convencionalistas de após morte, são nossas palavras de sincera estima e admiração de longos anos porque temos certeza que a “história de Dona Antonieta” ficará sempre gravada na memória do povo e da cidade de Guaxupé.
 
Seu corpo foi velado na Capela do Lar São Vicente de Paula e sepultado naquele mesmo dia, às 15h, no cemitério da Praça da Saudade, com grande acompanhamento.
 
À família enlutada, as condolências do jornal Correio Sudoeste.
 
Wilson Ferraz

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