Guaxupé, quinta-feira, 21 de junho de 2018
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Maria Honório Ruiz (Lola)

Faleceu na última terça-feira, 23, a empresária Maria Honório Ruiz, a tão popular e conhecida Lola do Bariloche, ocorrência que ficará marcada na história, pois ela fez parte de uma tradição de uma cidade que ficou nacionalmente conhecida.
 
Guaxupé, desde os seus primórdios, se destacou pelas suas casas noturnas de diversões de adultos, mais especificamente os bordéis. As proprietárias destes estabelecimentos, ao longo da história desta cidade, sempre tiveram o reconhecimento, o respeito e a admiração das autoridades, dos detentores do poder e “do dinheiro” e por que não dizer do homem simples do povo. O fato é tão verdadeiro que no século passado uma rua que homenageava o delegado de polícia assassinado, Capitão João Machado, teve o seu nome mudado para “Rua d’ Aparecida”, denominação que vem sendo mantida até os dias atuais. Aparecida foi proprietária de uma boate localizada naquela rua.
 
Dona Lola, como nós, carinhosamente costumávamos chamá-la, não desmereceu esta tradição que ela desenvolveu ao longo de mais de quatro décadas. Mulher de fino trato, de uma educação invejável, solicitava de suas colaboradoras o bom atendimento e o respeito para com os clientes e, principalmente, a discrição.
 
Principalmente nas décadas de 1970 e 1980 a Boate Bariloche era reconhecida em boa parte do país, equiparada às do Jardim Itatinga, em Campinas, e às de Bauru, ambas no Estado de São Paulo, atraindo clientes de vários estados da federação.
 
Marcada por esta sensibilidade, viandou ela pelas áreas da “poesia” e ali o seu estro revelou a romântica inspirada que era. Entre “Ceres e Musas” construiu um mundo de aspirações e sonhos para uma realidade única de seus amigos e clientes. Para ela, era preciso amar para ser amado. Assim proporcionou uma exuberância de vida que aflorava nos gestos de seus clientes.
 
Ela também foi uma mulher de negócios e de finanças, se destacou na forma em que administrava seus empreendimentos, honrando seus compromissos financeiros com uma pontualidade inigualável, conquistando amizades inúmeras e duradouras.
 
Apesar dos seus tantos afazeres, abriu seu manto e acolheu os filhos Clarice, Cleusa, Eduardo e João, com seu coração generoso de mãe. Soube aceitar com resignação os duros golpes que sofreu com a perda de três dos seus quatro filhos, Clarice faleceu na Europa, não se tendo definido a causa de sua morte e sido sepultada em Guaxupé; Joãozinho, coração generoso que era incapaz de ofender uma mosca, faleceu de forma trágica, enquanto que Eduardo foi vítima de um enfarto fulminante, sobrevivendo apenas Cleusa.
 
Se sofreu, não se sabe, pois ela nunca queixou, apesar de ficar visível em sua fisionomia o sentimento da perda dos filhos. Com a morte de cada um, parece que ela também morria um pouco, porém nunca lamentou, mas a sua saúde ia se debilitando.
 
Não seria justo Dona Lola, que na hora em que a senhora paga o seu tributo à morte e no instante em que a terra generosa de Guaxupé se abre para receber o seu corpo inanimado os seus admiradores se silenciem e não lhe rendam, nesta hora extrema, a sua homenagem de estima e de saudade.
 
Aqui trazemos o nosso adeus. Não são os elogios convencionalistas de após morte. São as nossas palavras sinceras de estima e admiração.
 
Agora ela descansa das lidas e das pelejas que venceu, sempre no anseio de fazer menos sofredores os seus conterrâneos e mais felizes os seus clientes que ela tanto considerou e estimou.
 
Seu corpo foi velado no Velório Municipal, ocasião em que muitas e justas homenagens lhe foram prestadas através de dezenas de coroas e cestas de flores. O sepultamento aconteceu naquele dia, às 17 horas, com grande acompanhamento, como uma homenagem póstuma do grande círculo de amizades que conquistou em vida.
 
À família enlutada, as mais sinceras manifestações de condolências do Correio Sudoeste. (Wilson Ferraz)

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