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sábado, 30 de janeiro de 2016

Ainda em formação, Pastoral da Cultura em Guaxupé e na região pretende integrar fiéis de outras religiões

“O início da valorização do diálogo inter-religioso será a marca deste novo século para as pastorais e as teologias da Igreja”
Emerson Ricciard
Emerson Ricciard
Diante da recente oficialização da Pastoral da Cultura no país pela CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), ainda prevalecem opiniões contrárias sobre o fato de a Cultura se tornar uma das ações evangelizadoras da Igreja. Para comentar de forma abrangente sobre este tema,Emerson Ricciardi, especialista em Projetos Culturais e Coordenador de Projetos do NEPAC-CAMP-Sul, concedeu entrevista e já apresentou projetos para a Pastoral de Guaxupé. 
 
Correio Sudoeste – A partir de quando a CNBB implantou oficialmente a Pastoral da Cultura e quando iniciaram os trabalhos em Guaxupé?
Emerson Ricciardi -
Primeiramente é importante destacar que a Igreja desde sempre se empenhou-se na Educação e no diálogo com a Cultura, indispensáveis em qualquer época à ação evangelizadora. Mas em 1999 surge um dos primeiro documentos específicos para a Pastoral da Cultura lançado pelo Vaticano, o Pontifício Conselho para a Cultura, que traz orientações sobre a Pastoral da Cultura e assume o diálogo com a pluralidade e a diversidade cultural e religiosa como um dos grandes desafios para a Igreja do terceiro milênio.

Neste mesmo ano a Igreja no Brasil também começa a dar os primeiros passos em relação a Pastoral da Cultura estruturada na CNBB, com a Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e a Educação, atualmente presididas pelo bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte, Dom João Justino de Medeiros Silva. São quatro setores – Cultura, Educação, Universidades e Ensino Religioso – que desenvolvem suas atividades com o objetivo principal de ajudar a Igreja no Brasil a compreender o mundo onde ela está presente, buscar o diálogo com esse mundo e assim  servir de instrumento para o Anúncio da Boa Nova.

Pastoral da Cultura, ainda em construção, tem buscado colaborar com diversos setores da vida social, como a universidade e meios profissionais, pretendendo apoiar as arquidioceses e dioceses na formação de seus agentes para o diálogo com a Cultura.

Em 2002, o Setor Cultura da CNBB o Brasil – CNBB, lançou um livreto “Um roteiro para a ação cultural. Pastoral da Cultura”, que foi atualizado em outra publicação de 2015. As ações da Pastoral da Cultura começaram a se expandir para todo o Brasil em 2013, com uma parceria da CNBB com o Centro Superior de Estudos Teológicos e Pastorais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), a pedido do então presidente da Comissão Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães. A CNBB oferece dois cursos. O primeiro é de pós-graduação lato sensu à distância, com carga horária de 360 horas, e outro presencial com 64 horas é destinado a pessoas com ensino médio completo; ambos coordenados pelo Prof. Josimar Azevedo.

As ações da Pastoral da Cultura tanto em Guaxupé, quanto nas demais dioceses ainda estão no inicio. Até então estamos elaborando os projetos de atuação e procurando instituições parceiras para as devidas execuções. Mas alguns passos já foram dados. Um bom exemplo é a criação do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Pastoral da Cultura (NEPAC) na cidade de Belo Horizonte. O outro, na cidade de Campanha-MG (Nepac-Camp-Sul), tem abrangência em toda a Arquidiocese de Pouso Alegre (Guaxupé, Campanha e Pouso Alegre), compartilhada com o coordenadorde Emerson Ricciardi, da Diocese de Guaxupé e Priscila Moraes, Diocese de Pouso Alegre.
 
Correio – Quais as ações culturais e projetos idealizados para a Pastoral da Cultura em Guaxupé?
Emerson -
A SAB-CAMP-SUL - Sociedade de Amigos da Biblioteca-Campanha é um dos vértices do Coletivo Polígono Sul Mineiro do Livro, que tem como objetivo principal a difusão do livro e da leitura no Sul de Minas. A SAB-CAMP-SUL- área Guaxupé, sob a coordenação de Maria Helena Penteado, tem a proposta de incentivar as 14 cidades da região a criarem SAB's em suas respectivas cidades para que seja fortalecido o  projeto de um 'Sul de Minas 100%  leitor, sempre levando em conta o Plano Nacional do Livro, da Leitura e da Biblioteca. Em Guaxupé, reunir pessoas para um coletivo de autores, clubes de leitura, clubes literários, artistas plásticos, livrarias, editoras, etc., para atividades sempre com o foco no livro e na leitura.  Em parceria com o NEPAC, desenvolver trabalhos junto aos excluídos ou menos favorecidos, como levar a leitura aos moradores da zona rural, idosos, dependentes químicos, presidiários, entre outros.

Correio – Ainda prevalecem opiniões contrárias sobre a Cultura se tornar uma das ações evangelizadoras da Igreja?A Pastoral poderá convidar fiéis de outras religiões para discussões e ações culturais?
Emerson -
A Igreja Católica é muito sábia e já mostrou isso ao longo da História. Os vários documentos mostram o interesse da Igreja em discutir e aprofundar esta temática, capaz de valorizar as mais frágeis expressões culturais, sem a necessidade de suprimi-las e, sim, ter uma conversa fraterna e convergente em relação à pluralidade cultural - como diferentes formas de existir - para que cada expressão possa ser uma revelação de uma para a outra.

O diálogo com as culturas e a afirmação da necessidade de aprofundamento da relação ecumênica, assim como o início da valorização do diálogo inter-religioso, serão a marca deste novo século para as pastorais e as teologias da Igreja

Correio – Que tipo de diálogo a Igreja orienta para que a Cultura se torne um instrumento de fé?
Emerson.
1) Testemunhar, perante a Igreja e o mundo o interesse dedicado ao progresso da cultura e do diálogo fecundo das culturas, como também o seu encontro com o Evangelho. 2) Estimular as pesquisas, iniciativas, realizações e criações que permitam às Igrejas locais uma presença ativa no próprio ambiente cultural. 3) Colaborar com as organizações católicas, universitárias, históricas, filosóficas, teológicas, científicas, artísticas e intelectuais, promovendo a cooperação recíproca. 4) Dar atenção às ações de organismos que se ocupam das questões culturais, da filosofia da ciência, das ciências do homem, notadamente a educação. 5) Acompanhar a política e ação cultural dos diversos governos. 6) Facilitar o diálogo Igreja-cultura nas universidades, centros de pesquisa, organizações de artistas, de especialistas, de pesquisadores e estudiosos promovendo encontros significativos destes setores culturais.

Correio – A CNBB exige curso de pós-graduação na PUC ou Centro Superior de Estudos Teológicos para participar da Pastoral da Cultura? Para fiéis com Ensino Médio haverá um curso de 64 horas que a própria Igreja realiza?
Emerson -
A CNBB não coloca nenhum curso como exigência para participar da Pastoral. A Igreja sempre foi preocupada com a capacitação e formação adequada de seus agentes pastorais e precisa ter pessoas capacitadas para responder às demandas o setor cultura. A ação da Pastoral da Cultura não tem como finalidade descobrir artistas, mas possibilitar a todos da comunidade a fruição dos bens culturais da cidade, num diálogo permanente com outros bens de outras cidades, estados,nacionais e internacionais.  É importante lembrar que a Igreja é muito expressiva no campo cultural, seja pelo seu patrimônio arquitetônico ou pela história e Tradição. Ela tem uma grande contribuição a dar nesse campo.
 
 
 
 

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