Guaxupé, sábado, 25 de maio de 2019
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Vereadores reconhecem que erraram e prejudicaram o povo com a eliminação de pontos de ônibus

O presidente da Câmara e ex-líder do prefeito, Léo Moraes, foi o único que votou favorável ao veto
Vereador e presidente da Câmara, Léo Moraes
Vereador e presidente da Câmara, Léo Moraes
Com a pressão de um número expressivo de pessoas nas dependências da Câmara Municipal, os vereadores rejeitaram vários vetos do prefeito. O fato aconteceu durante a realização da primeira sessão ordinária daquela Casa Legislativa, na última segunda-feira, 25.
 
Com 12 votos contra e um a favor, os edis derrubaram o veto do prefeito ao projeto de lei de iniciativa da vereadora Maria José Cyrino, que pretende revitalizar antigos pontos de ônibus intermunicipais, além da criação de outros fora do itinerário das respectivas linhas.
 
Entenda o caso
,No início de 2017. o prefeito encaminhou um projeto de lei à Câmara Municipal, propondo a extinção de vários pontos de embarque e desembarque de passageiros que já eram tradição há mais de meio século. O projeto de lei previa o embarque e desembarque apenas no Terminal Rodoviário Sálvio Calicchio e em um ponto próximo à Ponte do Taboão, na Rua João Pessoa.
 
Como a medida era extremamente impopular, criou polêmica e insatisfação da população. Diante disto o então presidente do Legislativo local preferiu retirar o projeto da pauta de discussões. Posteriormente o mesmo foi reintegrado. Naquela época o vereador Jorge Batista Bento, o Jorginho, apresentou algumas emendas, permitindo o embarque e desembarque em alguns pontos, evitando que os usuários do transporte coletivo intermunicipal fossem prejudicados. Por questões políticas as emendas propostas pelo vereador foram rejeitadas, sendo o projeto aprovado com o voto contrário de Jorginho e com o texto original, conforme havia sido elaborado pelo poder executivo.
 
A partir de novembro passado a administração municipal passou a exigir o cumprimento da nova lei.
 
Notícias não oficiais dão conta de que centenas de pessoas se deslocam diariamente até Juruaia, onde exercem atividades profissionais e, para tanto, se utilizam de ônibus de linhas regulares, além de outros fretados.
 
Segundo se apurou, alguns ônibus de uma linha regular com destino a Juruaia, após partir da estação rodoviária, estariam se desviando do percurso previamente estabelecido por ocasião da obtenção da concessão, passando pelo bairro Santa Cruz, parques dos Municípios I e II, Bairro Bela Vista, para posteriormente retornar ao itinerário.
 
Segundo a vereadora Maria José Cyrino, diante da suposta irregularidade, a fiscalização da Prefeitura teria notificado a empresa infratora. A partir de então o embarque e desembarque dos passageiros “da linha regular que serve Juruaia” passou a ser feito exclusivamente no terminal rodoviário, causando grandes transtornos, principalmente para as mulheres que trabalham na cidade vizinha.
 
Diante do clamor popular, Maria José apresentou o projeto de lei nº 44/2018 propondo a revitalização dos pontos que haviam sido extintos além da criação de outros fora do itinerário previamente estabelecido, dentre eles: Escola Caic (Av. Felipe Elias Zeitune), Praça Santa Cruz, Parque de Exposições, Praça Planalto, Rotatório do Bairro Bela Vista, Posto Texaco, entre outros.
 
O projeto apresentado pela vereadora foi aprovado, sendo submetido à apreciação do prefeito, ocasião em que o mesmo vetou alegando que a competência de legislar neste sentido seria exclusiva do poder executivo, o que caracterizaria “uma ingerência do poder legislativo”.
 
 Veto
Desta forma o veto foi submetido à apreciação do plenário da Câmara Municipal na última segunda-feira.
 
Colocado o veto em discussão, a cada vez que um vereador defendia a derrubada do mesmo o público aplaudia e ainda proferia palavras de ordem, o que parece ter deixado o presidente Léo Moraes, irritado. Além de ter sido líder do prefeito na Câmara, ele também foi um ferrenho defensor da eliminação dos pontos de ônibus. Em determinado momento ele mencionou que iria encerrar a sessão. Diante disto foi vaiado e criticado, inclusive com palavras ofensivas. Percebendo que o desgaste político seria ainda maior, caso paralisasse as atividade, Léo Moraes voltou atrás e deu prosseguimento aos trabalhos.
 
Em seus pronunciamentos os edis mencionaram: Maria José, que o veto do prefeito estava impedindo o direito de muitas mulheres arrimo de família de trabalharem; João Fernando, que o veto deveria ser rejeitado em benefício do povo; Francisco Timóteo, que em 2017 ele votou a favor de um projeto que sabidamente iria prejudicar o provo, porém reconheceu o erro e agora iria votar a favor do povo, rejeitando o veto; Luzia Angelini, que iria votar contra o veto porque já havia assumido um compromisso público através das redes sociais; Donizete Luciano, que iria votar contra, porque o veto estaria tirando o direito das pessoas trabalharem; Dra. Salma, que antes de mandar o projeto de lei eliminado os pontos de ônibus, a administração municipal deveria ter ouvido a população em audiências públicas; Francis, que iria rejeitar o veto porque devia satisfação ao povo, que no passado ele se equivocou votando pela eliminação dos pontos de ônibus; Paulinho Beltrão, que ia votar contra o veto porque este é um anseio do povo; Jorginho, que Guaxupé está na contra mão, que em outras cidades se prioriza o transporte coletivo, inclusive permitindo que mulheres e idosos desembarquem dos ônibus perto de suas residências, fora dos pontos previamente estabelecidos. De forma categórica mencionou ”estou deixando um recado para o prefeito, ele pode mandar no Supermercado São João, no Hotel Class, mas na cidade não, pois quem manda na cidade é o povo”. Diante disto o público aplaudiu com uma longa salva de palmas e ainda dizia palavras de ordem.
  
Traiu o povo?
Conforme prevê a LOM a votação dos vetos necessariamente tem que ser de forma secreta. Colocado em votação apurou-se 12 votos contra o veto e apenas uma favor. Diante disto o público presente se manifestou com uma longa salva de palmas e algumas pessoas ainda bradavam: “quem foi o vereador que traiu o povo?”; “quem é o Judas?”.
 
Léo Moraes tentou defender o veto alegando que pontos de embarque e desembarque estariam sendo criados fora do itinerário, que seria inconcebível que os ônibus com destino a São Paulo e Belo Horizonte tivessem que percorrer os bairros Santa Cruz e Parque dos Municípios antes de iniciar o percurso.
 
Parece que a argumentação do presidente serviu somente para descontentar ainda mais os presentes que lhe dirigiam palavras ofensivas.

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