Guaxupé, quinta-feira, 23 de maio de 2019
Você está em: Notícias / Câmara / Vereadores rejeitam remanejamento de verbas para a Saúde
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Vereadores rejeitam remanejamento de verbas para a Saúde

Vereador João Fernando
Vereador João Fernando
Durante a realização da 8ª sessão extraordinária da Câmara Municipal sete vereadores votaram contra uma emenda proposta por João Fernando de Souza que beneficiaria a secretaria municipal de Saúde.
 
Ao defender sua proposição, João Fernando fundamentou que estava retirando “migalhas” de 11 rubricas de duas secretarias, Cultura e Obras. Segundo o vereador, o executivo apresentou a proposta de um orçamento milionário de R$ 217.079.323,64 e que ele estava propondo remanejar “apenas e tão somente” 0.33% deste total. No entendimento dele as “migalhas” que estavam sendo remanejadas não prejudicariam as atividades das mencionadas secretarias, porém a totalização delas seria suficiente para o custeio da realização de mais de 400 cirurgias eletivas.
 
No entendimento dele, o vereador precisa priorizar as demandas do povo, ou seja, a saúde seria primordial na vida do cidadão. Para exemplificar João Fernando mencionou que uma pessoa doente, muitas vezes, fica impossibilitada de assistir uma apresentação cultural, ou até mesmo de frequentar uma escola. Disse que existe uma fila de espera assustadora para a realização de exames, além de cirurgias. Complementou informando que a Constituição Federal estabelece que “a saúde é direito de todos e dever do Estado” e que a partir da municipalização da saúde a responsabilidade do atendimento é da Prefeitura. Declarou que não é contra a “Cultura”, que mesmo com o pequeno remanejamento ainda sobraria mais de R$ 1 milhão para a secretaria municipal de Cultura, Esportes e Turismo.
 
Concluindo, mencionou que se a proposta tivesse partido do executivo “todos estariam aplaudindo”.
 
Dra. Salma contra-atacou dizendo que ela como médica da rede municipal, poderia afirmar que as verbas para a saúde são sempre insuficientes, porém o que está acontecendo em Guaxupé é a “falta de gerência”, que precisa ser avaliado como os recursos estão sendo aplicados; acrescentou que na condição de membro do Conselho de Cultura entende ser de fundamental importância a valorização da cultura e do que isto representa para os jovens.
Disse que sabia da boa vontade de João Fernando; alegou que o candidato eleito deputado federal, Emidinho Madeira, teria assumido o compromisso de conquistar uma verba de mais de R$ 2 milhões para a realização das cirurgias eletivas, valor muito superior ao proposto pelo colega.
 
João Fernando respondeu que via com muito bons olhos a iniciativa de Emidinho, porém é uma promessa que não depende só dele e que a mesma poderá se concretizar ou não. Diferentemente, a proposta dele (João Fernando) seria uma garantia prevista em lei e que o executivo obrigatoriamente teria que cumprir, ou seja, uma garantia que os pacientes teriam na solução de seus problemas.
 
Maria José Cyrino disse que os vereadores estavam diante de uma decisão difícil, de um lado a proposta de remanejamento de verbas para a saúde que poderia diminuir o sofrimento das pessoas, e que não é fácil viver de esmolas de deputados, por outro lado estariam os artesãos que dependem do apoio da secretaria de Cultura e que gostaria que os artistas locais fossem valorizados.
 
Diante do empasse, Dra. Salma voltou a insistir que “a secretaria de Saúde precisa ser melhor gerida”.
Francis Osmar alegou que a Câmara Municipal deverá devolver uma sobra de orçamento do presente exercício no valor aproximado de R$ 700.000,00 e que ele gostaria de indicar ao prefeito que 60% deste total fossem aplicado na Saúde e os outros 40% na Assistência Social.
 
João Fernando contestou dizendo que, por imposição legal, os vereadores não podem determinar onde o executivo deve aplicar esta sobra de receita.
 
O líder do prefeito na Câmara, Léo Moraes alegou que João Fernando estava propondo “mexer” não só na Cultura, mas em 11 rubricas. Para Léo Morais o problema da saúde estaria no fato de que as cidades da região enviam pacientes para Guaxupé, porém não contribuem financeiramente; que o Governo do Estado estaria “devendo” mais de R$ 7 milhões para o município.
 
Paulinho Beltrão disparou contra João Fernando alegando que o mesmo teria “jogado o povo contra os vereadores” e que no seu entendimento, para se fazer o remanejamento proposto antes deveria ter sido feito um “levantamento grande” e que o remanejamento iria retirar verbas para “praças, manutenção de estradas e obras”; que os vereadores são cobrados pelos eleitores pela realização de melhorias e que se eles (vereadores) forem cobrar dos secretários municipais os mesmos “vão jogar na nossa cara” que nós retiramos o dinheiro”.
 
Finalmente João Fernando voltou a mencionar que os edis precisavam ter coerência, que o remanejamento era de pequeno valor em cada uma das 11 rubricas, e que a somatória poderia amenizar o sofrimento de mais de 400 famílias e ainda acrescentou “é difícil para quem não quer entender”.
 
AS pessoas presentes na reunião da Câmara Municipal aplaudiu João Fernando logo após seu pronunciamento.
 
Colocada a emenda em votação, foi rejeitada com os votos contrários dos vereadores: Ari Cardoso, Dra. Salma, Francis Osmar, Francisco Timóteo, Paulinho Beltrão e Wilson Ruiz de Oliveira. (WF)

Comente, compartilhe!

© Copyright 2014 - Todos os direitos reservados