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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Ex-diretor diz que prefeito transferiu rede de esgoto para Copasa porque estava “com a faca no pescoço”

José Marcos de Oliveira, ex- diretor da Divisão Municipal de Meio Ambiente, secretário de Obras e Chefe de Gabinete do ex-prefeito Roberto Luciano Vieira foi o segundo a prestar depoimento na CPI, Comissão parlamentar de Inquérito que apura uma suposta venda da rede de esgotos da cidade, ato ocorrido em 2012.
 
Perguntado sobre quem defendia a transferência dos serviços de água e esgoto para a Copasa ele disse que não saberia responder, que ele, pessoalmente, defendia porque entendia que os serviços seriam muito complexos e que no entendimento dele a municipalidade não teria condições para criar uma estrutura capaz de “fornecer água de boa qualidade” e sem interrupções diante de eventualidades.
 
Informou que as negociações com a estatal mineira foram realizadas em Belo Horizonte e Guaxupé; que inicialmente a empresa ofereceu R$ 4 milhões pelas redes de esgotos e que depois de muita negociação a oferta atingiu R$ 8,2 milhões, em quatro parcelas.
 
José Marcos também confirmou que o advogado de Belo Horizonte, Adilson Aparecido de Souza, alertava que as contas da Prefeitura não iriam fechar no final do mandato de Roberto Luciano e que a solução seria a venda da rede de esgotos para “cobrir o caixa”.
 
O depoente também declarou que houve “pressão do Ministério Público” para que o problema do abastecimento de água e do tratamento de esgoto tivesse uma solução naquela administração.
 
Ele também disse que houve “pressão da Copasa”, em virtude dos serviços de distribuição de água estarem sendo realizados sem a renovação do contrato, e que a empresa ameaçava deixar a cidade.
 
Perguntado se outras pessoas, além do advogado Adilson, teriam influenciado na venda da rede de esgotos, José Marcos disse categoricamente que “não”.
 
Questionado se poderia ter ocorrido um “desvio de R$ 2 milhões”, tendo em vista que a negociação foi feita por R$ 8,2 milhões, ele disse: “se a Copasa pagou, foi sem necessidade, jamais alguém recebeu dinheiro por fora, os valores recebidos foram depositados na conta da Prefeitura, eu tenho certeza de que ninguém da administração levou dinheiro por fora”.
 
A respeito da avaliação das redes de esgotos, informou que a Prefeitura teria contratado uma empresa para este fim e que não sabia dizer se teria sido feito um estudo técnico do tema e que talvez o advogado José Salomão pudesse informar com mais segurança.
 
Sobre os recursos oriundos da Copasa, se teriam sido contabilizados em conta corrente ou de capital, José Marcos respondeu que “acreditava” que fosse na conta corrente porque o advogado Adilson alegava que precisava “fechar as contas da Prefeitura”.
 
Perguntado se a Câmara Municipal teria autorizado o prefeito Roberto Luciano a alienar a rede de esgoto, ele disse que não saberia responder e que provavelmente José Salomão teria como informar.
 
Aberto espaço para suas considerações finais, declarou “que a Copasa não está cumprindo muita coisa que prometeu” e que os advogados que participaram da comissão de transição de governo, Abel Celestino da Conceição, Guilherme Mussi e Renato Carlos de Gouvêa, poderão fornecer outros esclarecimentos.
 
Concluindo disse que Roberto Luciano só transferiu a rede de esgoto porque “estava com a faca no pescoço, sob pressão da Copasa e do Ministério Público”. (WF)

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