Guaxupé, sábado, 20 de outubro de 2018
Você está em: Notícias / Câmara / Representantes da Copasa não conseguem esclarecer dúvidas de vereadores
sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Representantes da Copasa não conseguem esclarecer dúvidas de vereadores

Uma audiência pública aconteceu no recinto da Câmara Municipal, na última quinta-feira, às 13 horas, na tentativa de se esclarecer o verdadeiro imbróglio que se tornou a construção do sistema de tratamento de esgotos da cidade.
 
Apesar do presidente daquela Casa Legislativa, Danilo Martins, ter solicitado que todos os vereadores comparecessem, três deles não se fizeram presentes, João Fernando, Dra. Salma e Wilson Ruiz de Oliveira.
 
Participaram do evento os representantes da Copasa, Flávio Bócoli, a engenheira responsável pela unidade de Guaxupé, Márcia Cristina Sá Gomes, o gerente de operações de Guaxupé, José Arquimedes, além do engenheiro José Luiz.
 
Iniciando os trabalhos, Flávio Bócoli informou que é preciso que se diferencie “taxa de esgoto” de “construção do sistema de tratamento de esgotos”; que são duas coisas distintas e que uma não tem relação com a outra. Que a construção é de inteira responsabilidade da Prefeitura; que a Copasa está apenas fiscalizando as obras. Que a responsabilidade da licitação para a contratação da empresa responsável pelas obras e do pagamento das medições é da Prefeitura.
 
O vereador Francisco Timóteo quis saber o verdadeiro motivo da paralisação das obras. Em resposta José Luiz declarou que o projeto está suspenso para adequação da obra. Que o projeto original foi elaborado pela municipalidade, porém não contemplava 100% da cidade, deste modo foi necessário uma complementação da estatal. Ele não soube informar quanto a Prefeitura já teria pago à empreiteira, porém declarou que a Copasa já investiu aproximadamente R$ 4,8 milhões nas obras.
 
O vereador Donizete mencionou que a população não concorda com a cobrança da taxa de esgoto proporcional a 50% do valor da tarifa de água. Ele perguntou quando terá início o tratamento do esgoto. José Luiz disse que não tinha como informar tendo em vista que no decorrer das obras surgem problemas, dentre eles licenciamento ambiental.
 
Francisco Timóteo quis saber quanto a concessionária arrecada mensalmente com a taxa de esgoto, porém Flávio alegou que não tinha como informar.
 
A vereadora Maria José perguntou, depois de construído o sistema, quem será a proprietária, a Prefeitura ou a Copasa. Respondendo Flávio mencionou que seria a Municipalidade.
 
A vereadora, de forma categórica mencionou, o esgoto não está sendo tratado, mas está sendo cobrado. Flávio respondeu que em virtude do contrato firmado com a municipalidade, na administração do prefeito Roberto Luciano, devido a coleta, transporte e manutenção das redes de esgotos, a empresa tem o direito de cobrar o equivalente a 50% da tarifa de água e depois que iniciar o tratamento, o equivalente a 100%.
 
Maria José disse que a empresa não cumpre a lei que estabelece que as concessionárias do tratamento de água devem aplicar 0,5%  da fatura de água na preservação dos mananciais que utiliza. Flávio contra atacou dizendo que a empresa já implantou fossas em algumas fazendas, além do plantio de árvores nas margens do córrego que abastece a cidade.
 
Maria José alegou que estes investimentos não são suficientes, que na verdade a Copasa visa lucro e que os dividendos repassados aos acionistas provão a sua teoria.
 
Finalmente a vereadora disse que a população está se sentindo lesada pela empresa, que a Copasa é mal vista pelo povo para não dizer coisa pior; que a empresa já vem sendo investigada em 15 CPIs, Comissões Parlamentares de Inquérito.
 
Jorginho alertou que o prefeito tem como rever o contrato celebrado com a empresa; que durante a campanha política o então candidato Jarbinhas se manifestou contra a cobrança da taxa de esgoto.
 
Finalmente Ari Cardoso mencionou que o prazo para a construção do sistema de tratamento de esgotos já se inspirou há dois anos passados. Exibiu um mapa com as nascentes de água do município e ainda declarou “a Copasa não zela pelas nascentes, só pega o dinheiro da população e não faz nada na preservação das nascentes”.
 
Investigações
A Polícia Federal instaurou, em 07-04-2017, um procedimento para investigar os pagamentos já realizados na construção do sistema de tratamento de esgotos.
 
A Procuradoria Especializada aos Crimes de Responsabilidade de Agentes Políticos Municipais também instaurou um procedimento investigatório na seara criminal, inclusive determinando que um dos promotores de justiça da Comarca de Guaxupé reabra dois inquéritos civis públicos para apuração na seara cível para substanciar uma possível ação penal. (WF)

Comente, compartilhe!

© Copyright 2014 - Todos os direitos reservados