Guaxupé, domingo, 17 de junho de 2018
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

SISTEMA DE PROTEÇÃO

Infelizmente todas as semanas temos visto notícias de pessoas importantes dentro de determinadas instituições que têm problemas com assaltos, sequestros, elas próprias feitas reféns, pessoas da família idem e por aí vai. São problemas sobre problemas. Insegurança e medo total.
 
A bandidagem já entendeu qual a sistemática e como devem tratar os casos que planejam para seus assaltos serem bem sucedidos e seus “modus operandi” são: acompanham por algum tempo as pessoas visadas, verificam e se asseguram de quais são seus hábitos, rotinas, roteiros para ir e voltar do trabalho, horários, enfim, dominam tudo sobre a vida das pessoas-alvo. Ao final de uma semana, têm todas as informações de que precisam para colocar o plano em prática. E daí em diante, é literalmente só prática, ou seja, abordar, entrar na casa da pessoa, mantê-la “sob controle”, manter seus familiares como reféns e na hora programada, executar o ato final, que inclui ter outras pessoas envolvidas com carros, motos devidamente preparados e tudo que for necessário para não existirem falhas. Praticam os atos com um carro, logo à frente têm outros esperando, trocam e se dividem para “despistar”. Muito tranquilo.
 
As instituições “visitadas” colocam sistemas de segurança (alarmes, monitoramento com câmeras, etc) o que, em teoria, deveria dar segurança e/ou garantia de que, ali naquele local, nada aconteceria. Mas se esquecem que, as abordagens são feitas com grande antecedência nas casas dos responsáveis pela “guarda” do dinheiro e estes, inferiorizados/refenizados, não têm absolutamente nada a fazer a não ser cumprir as ordens de quem está no comando, ou seja, os bandidos. Na hora programada por estes, dirigem-se até o local onde o dinheiro estará “disponível”, desligam o sistema, adentram com a pessoa ainda sob seu controle e simplesmente não são incomodados.
 
As pessoas perguntam: mas para que sistema de alarme e o monitoramento se tudo acontece e eles não veem/fazem nada? A resposta é simples: os bandidos já sabem em qual horário o sistema deve ser desativado pela pessoa refenizada para não levantar suspeitas. Isso implica que, quando passaram a semana “estudando” o caso, já viram qual seria o horário ideal para chegar no local visado, desligar todo o sistema, assim eliminando qualquer risco de serem flagrados. E como ainda têm o trunfo de estar com pessoas da família como reféns, sentem-se ainda mais “protegidos”.
 
Sei que o que vou colocar agora poderá não surtir nenhum efeito, mas algumas coisas podem ser feitas, criando um pouco mais de dificuldades para as ações dos larápios: dividir ficando a senha com um, chaves com outro; dotar de alarme e sistema de monitoramento as residências dessas pessoas; trocar com frequência os envolvidos nesses processos; determinar que todos entrem e saiam juntos nos mesmos horários; contratar seguranças para acompanhamento; investir em câmeras para monitoramento externo das entradas dos locais visados. São apenas algumas sugestões que podem (e devem) ser implementadas para aumentar um pouco mais a segurança dos próprios locais e proteger um pouco mais as vidas das pessoas envolvidas.
 
Certamente que algumas dessas medidas reduzirão os lucros das instituições ao final de cada exercício (coisa que comprovadamente as instituições não querem) mas ao menos, as pessoas terão mais segurança. Além dos riscos a que as pessoas ficam expostas, conforme o valor que for levado, certamente este será muito maior que o investimento em mecanismos de proteção e segurança. Não se pode querer lucro a todo custo, principalmente quando este “custo” envolve vidas de pessoas, muitas vezes familiares (maridos/mulheres, filhos, parentes) que nada têm diretamente a ver com o ocorrido mas que terminam envolvidos no caso. E conforme o desfecho, o “caso” pode virar “caos”.
 
Não sou especialista da área mas também vivo e convivo com problemas, exposto a todas as dificuldades que todos têm. E minha família e eu já tivemos a infelicidade de termos “amigos do alheio” em nossa casa por mais de uma vez. É muito triste você chegar em casa e vê-la já aberta, toda revirada e descobrir que quem esteve lá já sabe tudo que tem, onde sua coisas ficam, enfim, você fica sempre à mercê de uma nova investida. É uma experiência meio traumatizante. Só quem passou por ela, sabe. E vale frisar que quando isso nos aconteceu nem estávamos em casa. Penso nas pessoas que estão reféns dentro de suas próprias casas, com armas apontadas para si mesmas e/ou para seus familiares, sabendo que passarão uma noite inteira nessa situação, sem a mínima chance de qualquer tipo de ajuda, sabendo que no dia seguinte com hora marcada serão “cúmplices” de um crime no qual também nada poderão fazer. Deve ser uma das piores coisas do mundo.
 
Fica a provocação para as instituições que têm tido esses problemas, repensarem seus “lucros”, investirem mais na segurança das pessoas envolvidas e assim como os bandidos fazem, repensarem seus “modus operandi”, sendo mais criativos e buscando novas soluções.
 
Até breve.

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