Guaxupé, domingo, 23 de setembro de 2018
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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O DRAMA DO PRIMEIRO EMPREGO E A FALTA DE EXPERIÊNCIA

Quem está começando a vida profissional sabe muito bem como é o drama de procurar o primeiro emprego e a todo momento receber como resposta: “seu currículo é muito bom mas lhe falta experiência”.

Infelizmente os contratantes/entrevistadores, sejam eles os próprios empresários ou pessoas por eles designadas para tal finalidade, não se dão conta que eles mesmos nos começos de suas respectivas carreiras precisaram de alguém que lhes desse a primeira oportunidade, posto que naquele momento inicial também não tinham experiência.
 
Passei por essa experiência e foi quase desagradável (quase pois consegui reverter o cenário de negativo para positivo): há alguns anos quando me candidatei a instrutor de uma grande instituição brasileira, tive que passar por um teste de aptidão, no qual fui aprovado e encaminhado para entrevista. Durante a mesma me foram feitas várias perguntas e obviamente nenhuma ficou sem resposta. Ocorreu então que ao final da mesma, o entrevistador me informou que, por falta de experiência, eu não poderia ser contratado, pois a instituição só contratava pessoas que já tivessem experiência. Fiquei pensativo por alguns instantes e logo caiu minha ficha, quando pedi que abrissem-me uma exceção de forma que eu pudesse mostrar meu potencial e, caso desse errado, eu estaria queimado e a instituição seguiria com sua política de contratações única e exclusivamente de pessoas com experiência. Consegui meu objetivo e fui autorizado a realizar meu primeiro trabalho. Ao final de uma semana, tempo do curso que fui ministrar como primeira oportunidade, veio a avaliação e fui aprovado, comprovando que meus argumentos estavam certos e que eu realmente tinha merecido aquela chance. Fiquei por algum tempo prestando serviços àquela instituição e após alguns anos, por minha própria vontade e decisão, me desliguei da mesma e segui minha vida.
 
A narrativa acima serve apenas e tão somente para reforçar que em grande parte das vezes, as pessoas merecem um voto de confiança e à partir daí, podem mostrar seus potenciais (ou se queimarem definitivamente).
 
De alguns anos para a cá, presto serviços de consultoria e dentro dos meus limitados recursos, ajudo meus clientes a não errarem (ou errarem menos) nas contratações de funcionários. E temos tido sucesso, graças a Deus e a nossos esforços. Uma das coisas que sempre tento fazer, é, justamente dar oportunidades a pessoas novas e que percebo possam ter um futuro promissor. Recentemente contratamos um professor ainda sem experiência em sala de aulas para lecionar na Academia de Comércio São José e para nossa satisfação (minha em especial), o mesmo correspondeu e tudo deu certo. Ao final do ano, infelizmente por outras questões, veio a decisão dele de nos deixar, indo em busca de um futuro melhor, realizando um dos seus sonhos/projetos que é o de fazer um “mestrado”. Para tal, ele está indo para São Paulo (SP) já colocado e com uma bolsa de estudos para fazer seu curso. Fizemos nossa parte dando-lhe a oportunidade de crescimento, amadurecimento profissional e pessoal e ajudando-o a enxergar novos caminhos/horizontes. E vale frisar que para seu lugar virá outro com as mesmas condições.
 
O que estou tentando mostrar é que sem a passagem pela primeira experiência, ninguém nunca terá experiência comprovada, pois tudo começa pelo princípio e o princípio é receber a confiança e poder retribuir, mostrando que é capaz e que não foi em vão a concessão da oportunidade. Não estou propondo que as empresas e os empresários façam loucuras mas sim que, deem chances a pessoas novas pois estas poderão se sair muito bem e dar-lhes um alto retorno. A contratação de uma pessoa com experiência não pode e não tem como ser garantia total de sucesso. Já vi muitas pessoas supostamente experientes, colocarem seus contratantes em situações complicadíssimas e até mesmo causarem prejuízos.

Um funcionário sem experiência poderá ser formado dentro da cultura da empresa contratante, quando ao contrário, um funcionário já experiente, certamente terá seus próprios parâmetros de desempenho e que muitas vezes, não seguirá corretamente da forma como a empresa gostaria. O patrão dá oportunidade para quem não tem experiência e com isso pode treina-lo da melhor maneira possível para o cargo. E nesse caso, quando o funcionário falha, não falha sozinho e sim o patrão também tem sua parcela de culpa por não conduzi-lo adequadamente ao aprendizado.
 
Fica a dica para os contratantes/entrevistadores pois podem estar queimando pessoas com grande potencial, apesar da suposta falta de experiência, a qual seguramente só virá com o tempo e com oportunidades.
 
Até breve....

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