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terça-feira, 13 de junho de 2017

De Guaranésia para o mundo!

Trabalho sustentável de Artesanato... O que isso significa? Qual a importância desse trabalho para o artista, para o aprendiz, para a comunidade e para o Planeta? Confira, na íntegra, a entrevista com a Designer Loli Colpa. 

1-Loli Colpa, o que mais deixou marcas profundas na sua alma durante a época em que viveu em Guaranésia?
 Eu Amo essa cidade e valorizo muito seus encantos... Mas, infelizmente, o que me marcou profundamente foi à instalação da Destilaria de Álcool. Na época eu era adolescente e o desmatamento que houve aguçou minha sensibilidade para as causas ambientais. Apesar de ter sido lançada com toda a pompa e alegria de um evento positivo, em minha opinião o saldo foi muito negativo, mudou a cidade demograficamente e ecologicamente, deu emprego durante o tempo que existiu, até que perceberam que não era possível implantar uma boa logística de colheita de cana em nossas montanhas.
 
 2-Qual é o significado para você ter nascido numa cidadezinha de Minas Gerais, e posteriormente poder contemplar suas obras de arte em exposições nos Estados Unidos? 
 Na verdade Guaranésia foi meu primeiro porto seguro. Nasci em Brasília, e me mudei para Guaranésia aos 3 meses, cidade da minha Mãe. Durante a minha vida morei em vários lugares como São Paulo, Campinas, Rio Grande do Sul, Pará, São Sebastião do Paraíso e alguns retornos para Guaranésia, cidade do meu coração... Participei de alguns eventos Mundiais como a Eco92, e o Fórum Social Mundial em 2005, onde tive a oportunidade de mandar meu trabalho para todo o mundo. Sinto-me uma cidadã do mundo.
 
3- Conte-nos um pouco do seu dia a dia de Designer residindo na cidade São Paulo.
 Eu comecei este trabalho sustentável no ano de 2003 em Porto Alegre. Quando me transferi para São Paulo, o trabalho já tinha uma força e já exportava. Por São Paulo fui ganhadora do Prêmio Top100, onde o Sebrae premia as 100 melhores unidades produtivas do Brasil. Me envolvi na luta do Artesão Nacional para a regulamentação da profissão como conselheira do Conselho Estadual do Artesanato Paulista, e fui durante 4 anos responsável pelo espaço sustentável da Mega Artesanal, evento que participo a 9 anos. Apesar de estar morando em Minas, tenho contínua participação em eventos e workshops em São Paulo.
 
4- O Papa Francisco, na Carta Encíclica Laudato Si’, escolheu como título desse sublime e magnífico documento da Igreja de Jesus uma frase de São Francisco de Assis, que cantava exatamente assim: “Laudato Si’, mi’ Signore” (“Louvado Sejas, meu Senhor!”). O santo de Assis manifestava incansavelmente a sua gratidão a Deus pela Natureza. Francisco ao ver uma lesma no meio da estrada, a recolocava no cantinho do caminho, a fim de não ser pisoteada; se ele avistava um galho quase que totalmente quebrado, por menor e mais frágil que fosse, não o terminava de arrancar, mas amarrava um paninho a fim de que ele pudesse se recompor e voltar a viver, tamanha a ternura que emanava do coração desse cristão. Pois bem... Sabemos do tanto que a humanidade vem agredindo cruelmente a Natureza. Mas sabemos também da iniciativa de muita gente de bem, gente iluminada, que vem fazendo do trabalho sustentável uma poderosa divulgação para ampliar a nossa conscientização rumo à preservação da vida. Você é uma dessas pessoas! Você se sente uma guardiã da natureza no seu trabalho sustentável de Artesanato?
A maioria dos editais sobre sustentabilidade das Fundações contempla quem trabalha diretamente na Terra, mas são de suma importância as ações que visam um novo olhar sobre os resíduos que geramos! A questão do lixo é cada vez mais urgente. O tema tem sido abordado constantemente. O meio ambiente e todas as questões planetárias atuam em rede. Diminuir a degradação da natureza está intrínseco na conscientização do consumo e dos resíduos gerados. Este trabalho é acima de tudo uma forma de expressar esta urgência e esta consciência.
 
5-  De São Paulo para Guaranésia. Você aceitou o convite feito pela Prefeitura Municipal e, após tantos anos, retorna à cidade onde esteve desde menina. Você encontrou uma cidade diferente? Explique-nos um pouco mais de como será o seu trabalho junto a Assistência Social do município, e quais são as virtudes e as limitações tanto de uma megalópole quanto de uma pequena cidade do interior.
Eu escolhi Guaranésia porque aqui me sinto mais próxima das minhas raízes... Adorei ter o trabalho reconhecido e valorizado pela Prefeitura! Mais feliz ainda por acreditar no potencial dessa gestão para detectar as fragilidades e fortalecer nosso município. A cidade com certeza é diferente da cidade da minha infância... A população, depois do advento da Destilaria, está mais miscigenada, com muitas pessoas que vieram de lugares distantes, e se tornaram parte da população. Existem muitas demandas. Em todos os lugares que passei sempre atuei no social e, atuar em Guaranésia, que considero como minha terra natal, fazendo parte da equipe do CRAS, está sendo muito gratificante. São Paulo, como você disse, é uma Megalópole com todos os problemas que isso implica. Minha maior dificuldade lá era em relação a distância das instituições que me ofertavam trabalho. O deslocamento muitas vezes tinha o mesmo número de horas que as oficinas... Aqui tudo é perto! Consigo otimizar meu tempo e me dividir entre o trabalho do CRAS e meu trabalho particular tranquilamente, sem contar que a vontade de fazer algo pelo socioambiental em Guaranésia é muito grande!
 
6- No seu ponto de vista, de onde surge a substancial inspiração do artista?
Eu penso que ela surge da necessidade de expressar o que lhe vai à alma.
 
7- Em quais aspectos o seu trabalho pode contribuir para que muitas pessoas requalifiquem suas vidas, fortalecendo suas almas, dando um novo sentido à existência?
O trabalho acaba levando a mensagem de valorização pessoal, enquanto aborda a importância da interação com o meio em que vivemos; diminuir o excesso de consumo e pensar que todos os recursos que temos, sejam tangíveis ou intangíveis, tem que ser valorizados. Faz com que criemos um novo olhar sobre a vida!
 
8- O que mais da vida te entusiasma?
 Viver e ser íntegra a meus princípios me entusiasma!
  
9- O que você acredita estar deixando para a sociedade enquanto legado do seu trabalho e da sua personalidade?
Principalmente a mensagem que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”... Temos que lutar pelo que acreditamos, ser íntegros, fazendo nosso melhor. Acredito que estamos em plena evolução. Temos sempre muito a aprender, e direcionar o meu trabalho para transmitir minha aprendizagem é o canal mais aberto que consegui para ampliar minha fonte de saber, pois sempre aprendemos muito nessa troca.
 
10- “Há sempre um instante que se eterniza.” Essa é uma das célebres frases do saudoso escritor Elias José. Você pode comentá-la, deixando sua mensagem final para os leitores desse jornal?
 Grande Elias José! Acredito que a vida é feita de instantes eternizados... Então, citando outro poeta, Vinícius de Moraes, “A coisa mais bonita que há no mundo é viver cada segundo como nunca mais...” Temos que ser gratos por tudo que temos, e fazer por merecer cada conquista, dando o devido valor a cada suspiro.
 
Contatos com Loli Colpa:
WhatsApp: (11) 9 8088-3819
Email: lolicolpa@hotmail.com
Facebook: www.facebook.com/Ecodarte/
 

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