Guaxupé, terça-feira, 13 de novembro de 2018
Você está em: Notícias / Artigos / Maior bom senso, mais inteligente ou mais medroso?
sexta-feira, 10 de março de 2017

Maior bom senso, mais inteligente ou mais medroso?

Dias destes conversando com Geraldo Vasconcelos, grande amigo e parceiro de muitos anos de futebol, falávamos sobre o fato de, depois de uma certa idade, ficarmos mais tranquilos e mais pacientes. Nossa conversa rolou por um bom tempo até que ele me disse que tem uma pessoa que fala que “depois de uma certa idade, não aumenta nosso bom senso, não ficamos mais inteligentes, mas sim ficamos mais medrosos”. Pensei e refleti bastante sobre isso e cheguei à conclusão que o amigo dele tem total razão pois me vejo exatamente nessa situação, ou seja, me sinto bem mais medroso do que quando era mais novo e automaticamente era mais ousado e mais atirado.
 
Quando se é mais novo, tudo se torna mais fácil e as coisas acontecem com mais tranquilidade. O problema é que por nos acharmos em totais condições de fazer de tudo, não avaliamos corretamente as consequências das nossas decisões e bancamos tudo até o fim, mesmo sabendo (mas não considerando) a alta dose de risco que estará envolvida na decisão tomada. Mas quando se é jovem, pouca coisa nos preocupa e seguimos em frente.
 
Com o passar dos tempos, vamos envelhecendo e parte daquela ousadia e destemor vão diminuindo e pouco a pouco vão se transformando em inseguranças, medos e angústias, ainda que mais de leve. Mais algum tempo e a coisa se acentua um pouco mais e mais e mais até que com o real envelhecimento, tornamo-nos literalmente mais medrosos. E como que para justificar nosso medo, dizemos que o tempo nos tornou mais experientes e com mais bom senso, quando, na verdade, é exatamente o oposto.
 
Uma das formas de melhor demonstrar todas essas etapas é nos olharmos enquanto motoristas: quando começamos nossas carreiras como “pilotos”, o fazemos com grande receio natural de principiantes; passa-se algum tempo e começamos a pensar que “já podemos”; mais algum tempo e já nos achamos melhores que todo mundo e durante essa fase é só correria, falta de paciência, enfim tudo que nos leve para o lado da falta de medo. Nessa etapa, ficamos bastante tempo pois o intervalo entre o início da carreira de dirigir até tomarmos consciência de nossa real condição é bastante grande. Somente com a chegada de uma idade um pouco mais “madura” vamos começar a repensar nosso projeto de dirigir. E quando esse processo começa, aí sim, vamos pouco a pouco, diminuindo nosso ritmo até chegarmos a uma velocidade média bem mais baixa.
 
Somando-se a essa questão de dirigir carros, ainda temos as questões ligadas aos motociclistas que quando mais novos, fazem todo tipo de estripulias e à medida em que vão envelhecendo, tornam-se mais pacatos e menos ousados. Quando novos empinam a moto, fazem círculos cantando (e queimando) pneus, altíssimas velocidades, e mais um monte de loucuras.
 
Outra situação é a ligada às bebedeiras, ou seja, quanto mais novos, mais nos achamos super-homens para encher o pote e tomar porres homéricos. À medida em que o tempo vai passando, vamos entendendo que tomar uma cerveja com familiares/amigos é uma coisa extremamente saudável e que não precisamos “chapar violentamente” todas as vezes que temos uma garrafa e um copo na nossa frente. Podemos (e devemos) saber beber.
 
Após toda essa reflexão, ainda fui buscar ajuda no dicionário para saber até onde meu raciocínio estaria certo ou errado. Deparei-me com os seguintes conceitos: bom – que tem as qualidades adequadas; senso – faculdade de julgar, e portanto, juntando-se as duas definições temos que bom senso é “a qualidade adequada para julgar”. Inteligente – que tem a faculdade ou capacidade de aprender. Medroso – que tem sentimento de viva inquietação ante a noção de perigo real ou imaginário.
 
Voltando ao centro da questão, podemos ver claramente que todos nós passamos por estas etapas em nossas vidas e que não se trata de condenar “A” ou “B” por esta ou aquela atitude, mas sim de entender que tudo isso é parte integrante da vida de cada um de nós. Afinal, “quem nunca errou que atire a primeira pedra”.


 "Se você se sentir com medo, vá com medo mesmo, mas vá".
Autor não indicado
 

Comente, compartilhe!

© Copyright 2014 - Todos os direitos reservados