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quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Ourives, uma profissão em extinção

Matéria publicada em março de 2008
Francisco de Assis Spinelli, 57, é ourives há 37 anos. Começou na Galeria dos Presentes, com os mestres Antônio Custódio Ferreira, Evaristo Francisco Marques e o saudoso Jorge Macedo. Especializado em conserto de jóias e fabricação de alianças em ouro, afirma que a profissão de ourives, principalmente no interior, está em extinção: “O trabalho artesanal que Jorge Macedo fazia já não existe mais. Enquanto se fabricava cerca de 4 peças ao dia, a indústria produz 100.”
 
Em 1985, Chico passou a trabalhar por conta própria: “Como um filho que sai de casa, senti vontade de ficar. Até hoje, a Galeria é como uma família para mim.” Naquela época, maçarico bucal e lamparina de cobre a álcool eram as principais ferramentas de trabalho do Ourives. Atualmente, foram substituídas pelo maçarico a gás.
 
O mercado de jóias era promissor, a procura era grande e a mercadoria girava mais. Hoje em dia, as vendas caíram. Chico consertava muito mais alianças do que hoje: “O chapeado tirou a jóia do mercado”.  O preço e o aumento dos furtos são outras causas da retração desse tipo de comércio. Tanto que, há muitos anos, Chico mantém outra fonte de renda, uma pequena plantação de café. Aos finais de semana, percorre a distância entre a cidade e o sítio do pai, em São Pedro da União, num Fusca 82, ganho do Baú da Felicidade.
 
Carnê premiado
No final de 1981, o carnê do Baú da Felicidade de Chico foi premiado pela Loteria Federal: “Recebi um telefonema me convidando para participar do Qual é a Música, no Silvio Santos. Perguntei se poderia ir em outra data, pois nem imaginava que iria ganhar alguma coisa.”
 
Chico participou do programa com a Gretchen e o Nahim, disputando a vitória, e mais 7 candidatos sorteados pelo Baú. Os prêmios oferecidos eram 3 Fuscas, 1 Brasília e 4 premiações menores. A sorte sorriu para Chico mais 2 vezes, ao escolher 2 envelopes: 1 indicando qual o prêmio ganharia, e outro informando que ganharia o carro somente se a Gretchen vencesse o Leilão das Notas, e ela foi campeã.
 
Desde então, Chico e seu Fusca Cinza Carrara se tornaram inseparáveis: “Só reforcei o motor, nesses 26 anos. Funilaria e pintura continuam originais”. Mesmo com o desgaste do tempo visível na lataria, não vende o carro de jeito nenhum, porque “presente não se vende e é minha ferramenta de trabalho, me leva pra todo lugar”.
 
Em 1982, o Correio Sudoeste publicou com exclusividade a notícia sobre Chico e o Fusca premiado. Até hoje, tem quem se lembre da história e aponta: “Olha, o fusca do Silvio Santos, ou olha, o fusca da Gretchen.”

Textos e fotos: Sheila Saad
www.papodeviralata.blogspot.com
 

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