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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Computador é burro, não tem calor humano

matéria publicada em junho de 2008
Relíquia do novo museu: máquina mecânica em perfeito estado.
Relíquia do novo museu: máquina mecânica em perfeito estado.
Com mais de 40 anos trabalhando com máquina de escrever, de costura, tricot, entre outras, Ismar Braz Gomes tem experiência para fazer afirmações provocativas: “computador é uma máquina burra. Apenas obedece os comandos, mas não têm calor humano como uma máquina de datilografia”.

Polêmicas à parte, Ismar tem um grande histórico de sucesso como empresário. Aos 10 anos, veio da roça para a cidade, determinado a trabalhar muito e a vencer. Dentre as diversas profissões exercidas, conheceu um técnico da Olivetti no alambique da família. O trabalho consistia em montar e desmontar máquinas de escrever. Fez diversos cursos nessa área e repassou conhecimento a milhares de alunos. Só na aula de datilografia, foram mais de 3 mil formandos. Ainda foi professor de matemática, desenho técnico, educação artística e física, práticas comerciais, artes plásticas... Trinta e dois anos de magistério. Também fez teatro: “todos os cursos profissionalizantes foram importantes pra mim, mas o teatro me deu uma base na vida”.  

Em janeiro de 1967, ele montou empresa própria e não parou mais de se aprimorar. Fato curioso é que Ismar se adaptou aos novos tempos, atendendo à demanda de mercado, como as confecções de lingerie e as indústrias calçadistas. Nem por isso, abandonou maquinários considerados obsoletos por muitos. É o caso da máquina de escrever mecânica, elétrica e eletrônica, do mimeógrafo, das antigas máquinas de costura, entre outras relíquias que ainda se mantém em perfeito funcionamento.

Ismar informa que o computador não exclui totalmente as máquinas de escrever. Muitas empresas e escolas ainda solicitam esses recursos e os encaminha para manutenção. O mesmo acontece com o mimeógrafo. Nem as fotocopiadoras e impressoras extinguiram esse modelo artesanal de fazer cópias, com aquele cheiro de álcool.

Tecnologia avançada e Museu
Nem só de saudosismo vive a empresa de Ismar Braz Gomes, Atualmente, conta com 10 colaboradores, devidamente capacitados. Afirma que não poupa esforço para aprimorar profissionalmente os seus funcionários: “São técnicos específicos para cada máquina”. O resultado é que a empresa atende hoje cerca de 30 municípios – Guaxupé, região e cidades mais distantes e maiores como Uberaba, Limeira e Poços de Caldas.

A estratégia nem é mais vender máquinas, mas personalizá-las de acordo com as necessidades do cliente. Um dos produtos considerados avançados é a máquina de costura sem linha, a laser. “No começo, o proprietário só aproveita uns 80% do maquinário, mas com a prática a máquina gera 100% de rendimento”, afirma esse grande empreendedor. 
A estrutura física da empresa não pára de crescer. Além de 3 pavimentos, há maquinários espalhados por pequenas salas e depósitos. Já se foi o tempo em que Ismar era um consertador de máquinas. Tornou-se um consultor. Analisa as necessidades da empresa e propõe maquinários sob medida para soluções e resultados que garantem produtividade.

Porém, tanto avanço tecnológico não tirou de Ismar um sonho que já está tornando realidade: montar um museu com maquinários antigos. O espaço já está sendo preparado, as máquinas também. Será mais uma conquista realizada desse menino que veio da roça, acreditando que sonhar não tem limite. 

Confira a Galeria de Fotos

Relíquia do novo museu: máquina mecânica em perfeito estado. Máquina de costura que ainda trabalha. Mimeógrafo, nos tempos em que não tinha fotocopiadora e impressora.

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