Guaxupé, domingo, 22 de julho de 2018
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Olhar Poético sobre a cidade

Matéria publicada em setembro de 2008
Wanda, idealizadora do projeto, com alunos do 9º ano do Polivalente envolvidos no Olhar Poético, como Maristela, Alexandre e Valquíria.
Wanda, idealizadora do projeto, com alunos do 9º ano do Polivalente envolvidos no Olhar Poético, como Maristela, Alexandre e Valquíria.
Desde o final de outubro, alunos do 9º ano (8ª série) da Escola Estadual Dr. André Cortez Granero (Polivalente) iniciaram a pintura de vários muros de Guaxupé, com poesias, letras de músicas e desenhos, comprovando que a arte é superior aos rabiscos. Com lirismo conquistaram a simpatia da população.

O primeiro muro a receber o poema Serenata Sintética, de Cassiano Ricardo, está localizado próximo à esquina das ruas Coronel Joaquim Costa e Major Anacleto. O 2º, o muro do palácio do bispo, foi batizado com trecho da letra Eu sei que vou te amar, de Vinícius de Moraes e Tom Jobim. “Fizemos uma pequena homenagem ao nosso já saudoso mestre Elias José. Pensamos em escrever um poema de sua autoria, mas ele mesmo sugeriu os versos dessa canção”, explica Wanda Cândida, professora de Português e Literatura, idealizadora do projeto.

Outro muro já acabado é o dos fundos da agência do Banco do Brasil, com a poética Canção da América, de Milton Nascimento. Está em finalização, na mesma avenida, outro espaço mais próximo do Parque Mogiana. Ao todo, a equipe selecionou 27 poemas e músicas de autores consagrados, como Cora Coralina, Drummond, Mário Quintana, Cecília Meireles, Raul Seixas, Renato Russo, entre outros.

“Tem gente que passa e começa a cantar o que estamos escrevendo. Outros elogiam e até oferecem muros para serem pintados por nós”, conta Alexandre Henrique de Souza, 14, desenhista.

Tudo começou no ano passado, quando Wanda desenvolveu um estudo sobre poesias com a turma do 9º ano, chamado Baú de Emoções. “Cada aluno tinha um caderno onde copiavam poesias”, explica. Com o sucesso do projeto, demonstrado pela receptividade dos estudantes, a professora estruturou o Olhar Poético para além dos portões da escola.

A proposta é extrapolar o centro da cidade e alcançar, também, diferentes bairros: “É uma forma de difundir a poesia para quem não está familiarizado com esse tipo de texto.” Os próximos muros a receberem as intervenções poéticas já estão agendados: um perto do Country Club, outro do Posto SP Minas, na entrada de Guaxupé.

A logomarca Olhar Poético foi desenvolvida pelo publicitário Caetano Cury, um amigo da escola. Os trabalhos acontecem aos sábados, em atividade extracurricular, sob a supervisão da professora. “Estão envolvidas 4 turmas do 9º ano. Eu misturo os alunos de diferentes salas em cada equipe para proporcionar integração. Tenho alunos muito talentosos”, afirma ela.
No semblante desses jovens vê-se a satisfação em participar desse projeto, tanto que muitos trabalham incansáveis, sob sol intenso. “Acho bom porque amplia nossa cultura, isso vai nos ajudar no futuro. Sinto orgulho, a gente mostra pras pessoas que arte no muro não é pichação, viramos artistas”, diz Valquíria Aparecida Fortunato, 14.
 
Efeito multiplicador
 
De acordo com Wanda, a conseqüência desse trabalho se revela numa mudança de atitude, despertando olhares poéticos individuais. “Aqueles desenhos que os adolescentes costumar fazer com rabiscos nos quadros da escola já começaram a ser substituídos por trechos de música e poesias”, garante.

O Olhar Poético é um projeto aprovado pelo governo estadual, que financia todo o material utilizado nos muros, como tintas e pincéis. Periodicamente, em Belo Horizonte, acontecem as reuniões do GDP – Grupo de Desenvolvimento Profissional, entre as Escolas-referência do Estado, como o Polivalente, onde professores de diversas cidades mineiras apresentam seus projetos. “A professora Elizete Mendes, coordenadora da minha área, levou foto do nosso primeiro muro e apresentou no telão. Os outros professores gostaram tanto da proposta que nos aplaudiram de pé”, informa Wanda.

Muitos guaxupeanos também aplaudem, mesmo silenciosamente. “Estou achando isso lindo, deveria abranger a cidade inteira. Gosto muito de ler poesia. Essa atividade é uma escola para os jovens, que aprendem a não escrever bobagens nos muros”, afirma o aposentado Luiz Rocha, 80.

Com tantos elogios, o Olhar Poético tende a alçar vôos maiores, por diversos cantos das Gerais. “Além de estimular a leitura, esse trabalho incentiva o gosto pela poesia. Nunca fui apaixonada pelos livros, mas agora comecei a ler mais”, revela Maristela de Oliveira Carvalho, 14.
 
Sheila Saad
www.papodeviralata.blogspot.com

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Wanda, idealizadora do projeto, com alunos do 9º ano do Polivalente envolvidos no Olhar Poético, como Maristela, Alexandre e Valquíria. O aposentado Luiz Rocha afirma que todos os muros da cidade deveriam ter mais poesia.

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