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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

A história do CORREIO SUDOESTE narrada por ex-funcionários

José Lázaro e Léo
José Lázaro e Léo
A história do CORREIO SUDOESTE foi marcada pela participação de vários colaboradores e funcionários. Em cada edição, novos amantes da imprensa se aderiam à missão de Eloadir, o de informar a verdade dos fatos a toda população.
 
Para esta edição especial, procuramos ouvir alguns dos antigos colaboradores e funcionários que contribuíram para que o jornal tornasse o mais lido e o  de mais credibilidade em Guaxupé, segundo instituto de pesquisas.
 
NELSON DAMITTO
Nelson Damitto foi colaborador por vários anos no CORREIO, desde o início em 1973, até meados de 1985. Colunista investigativo, ele enviava artigos denunciando sobre fatos ilegais da política local, entre elas o fechamento da Academia de Comércio São José, que tinha 1200 alunos. “Escrevi várias vezes para contar a negociata que o então prefeito vendeu, sem licitação, o antigo aeroporto [hoje, Parque das Orquídeas] para uma construtora de um japonês fazer um loteamento. Na época fui processado e ameaçado por telefone, onde a pessoa se identificava dizendo que era o ‘Didi cospe fogo’, acredito que foi a mando do Joaquim”.
 
O ex-colaborador, agora fotógrafo, disse que lembra com fidelidade da criação do jornal, no tempo que era vereador. “Walmor precisava de um meio de comunicação que sustentasse a sua candidatura, tanto que com a criação do CORREIO, ele se elegeu. Na época eu era vereador, e dizia que não ia concorrer a reeleição, porém me colocaram e eu acabei ganhando. Mas, no mês seguinte, após formado, segui rumo a Manaus”.
 
Nelson recorda que toda vez que retornava a Guaxupé, não deixava de contribuir com seus textos para o jornal, pois gostava muito de escrever sobre os fatos ocorridos. “Recordo-me quando de fato ocorreu a venda do aeroporto da forma que denunciei. O Carlos Henrique Magalhães [Sodinha] fez um tributo a mim, pois tudo que falei se tornou verdade. Com isso, ganhei todas as causas judiciais, pois o juiz, muito justo por sinal, verificou que todo o material divulgado somente estava antecipando o que ocorreria posteriormente”.

Hoje, Nelson mora em Guaxupé e cuida de seu estúdio fotográfico na rua Barão de Guaxupé, porém afirmou que não lê nenhum jornal. “Ao acontecimentos de hoje parece que repetem do tempo passado. A única diferença é que a notícia sai colorida, e não preto e branco como era. E, atualmente, por mais vontade que tenha, a imprensa adota uma posição política”.
 
Cezar Tadeu Dias
Apesar de muitos não saberem, o advogado Cezar Tadeu Dias também colaborou e por muito tempo neste semanário. Sua amizade com Eloadir nasceu na Academia de Comércio São José. “O Léo criou ‘O Acadêmico’ e como gostava de jornal, passei a ajudá-lo. Quando nasceu o CORREIO SUDOESTE, ele parou de fazer os exemplares estudantis, tendo eu continuado por mais umas duas ou três edições”.
 
Após alguns anos, em 1975, Léo convidou Cezar para colaborar na elaboração de matérias. “Trabalhava, como voluntário, e fazia todos os tipos de reportagem: policial, Câmara, esporte e cidade. Nesta época criamos o Correio Esportivo, um encarte que informava as novidades dos eventos de futebol e outras modalidades.”
 
Também foi criado por Cezar, Léo e o impressor Carlos Eron (Cheron), o Cala-te boca em 1978. “Não foi criação nossa, baseamos em uma coluna do jornal de Goiânia, porém deu muito sucesso. Muitos leitores até pediam ou enviavam sugestões. Nunca me esqueço de um que fizemos e que deu muita briga, pois as pessoas com cargos de confiança se ofenderam: um casal estava acordando, e o marido falou para a esposa, que estava se sentindo como um burro. E, ela respondeu, não fale assim, pois vão te contratar para trabalhar na Prefeitura”.
 
Segundo Cezar, quem era responsável pelo Cala-te boca era o Cheron. “Ele era o que mais gostava de escrever a coluna, e por ser muito inteligente, coletava informações pitorescas durante toda semana e depois escrevia de forma sátira”.
 
O tema que Cezar mais gostava de escrever era sobre a Câmara. “Assistia as sessões para fazer as matérias. A que mais me recordo, foi quando um vereador tinha apresentado um projeto e queria a aprovação, para isso precisava de votos dos colegas. Para um deles, ele deu um saco de café, e como votou contra, ele foi buscar o ‘presente’ de volta”.
 
Já as ocorrências policiais, Cezar adotava uma linha diferente dos outros. Ao invés de escrever as matérias com os dados do BO, conforme estava escrito, transformava a informação em notícia, com entrevistas dos envolvidos, como é feito até hoje. “Caso não tivesse manchetes, fazíamos uma que chamasse a atenção dos leitores, por isso acredito que todas as edições eram esgotadas, o quanto imprimia era o quanto vendia, ficava bobo de ver como era a venda”.

O agora advogado, conta que colaborou com o CORREIO durante o período que estudou em São João da Boa Vista, de 1975 a 1978. “Posso garantir que trabalhávamos muito, mas era divertido. Sinto saudade daquela época, pois fui muito feliz”, contou ele, que usava os seus tempos livres de universidade e trabalho, para fazer as reportagens e escrever.
 
Comparando o jornal daquele tempo com o de agora, Cezar afirmou que antes os jornais eram mais corajosos e tudo virava notícia, o que não acontece hoje, pois a “indústria de danos morais” acaba impedindo a imprensa de dizer toda a verdade.
 
Finalizando, Cezar revelou que por inúmeras vezes Léo o convidou para retornar ao jornal e definiu sua decisão em uma única frase: “não deu tempo, ele se foi antes”.
 
Waldemir Ricardo Silva
Amante da imprensa escrita, Waldemir conta que ficou dois anos tentando conquistar a confiança de Eloadir para escrever no CORREIO SUDOESTE. Após, criar um vínculo de amizade, o diretor do jornal permitiu que ele fizesse  uma reportagem no Colégio Imaculada Conceição. “Apesar de ser a primeira entrevista, e ter aquele frio na barriga, me senti um pouco tranquilo, pois entrevistaria uma ex-colega do curso de Letras. Na ocasião, o colégio estava iniciando o curso de enfermagem, em janeiro de 1975”, recorda Waldemir.

A partir daquela data iniciava quase uma vida de dedicação ao CORREIO SUDOSTE, colaborando até 2010. No início Waldemir dividia seu tempo com as reportagens do jornal, a gerência de atacadista de armarinhos e o curso de Direito. “Cheguei a escrever no ônibus enquanto ia para São João da Boa Vista, pois usava meus horários de almoço para as entrevistas. Quando Léo aceitou minha ajuda, fiquei tão feliz, que comecei a aprimorar meus conhecimentos no Português”, contou ele, que além de advogado, é formado em Letras.
 
Waldemir, um apaixonado por fotografia, disse que tempos depois, começou a fazer a coluna social. “Queria ilustrá-la com fotos, pois antes só saía os escritos, mas o problema era os clichês, que eram produzidos em Ribeirão Preto, e tinha um custo alto. Depois o Léo me permitiu fazer dois por semana. Foi uma loucura, todo mundo queria ter sua foto publicada no jornal. Para sempre ter fotos diversificadas, fotografava as pessoas nos bares e bailes”.

O colaborador conta que em uma ocasião ele tirou férias para cobrir a Expoagro, para entrevistar e fotografar os artistas.
 
Waldemir ficou um bom tempo afastado do jornal e em uma visita por volta de 1995, encontrou a empresa totalmente informatizada. “Para mim foi uma grande alegria, pois daquele dia em diante ia conseguir fazer o social todo ilustrado. Pedi para retornar ao jornal, e me aceitaram. Nos finais de semana, saía para os bailes, restaurantes e bares, para tirar fotografias”.
Nos últimos anos, Waldemir parou de escrever para a coluna social, porém ajudava na reportagens de política e sobre os processos judiciais (Ação Civil Pública e Júri Popular), além de dar toda assessoria jurídica ao jornal.

Além do social, Waldemir também destacou nas páginas do CORREIO SUDOESTE, a Esportiva, quando disputou a 1ª Divisão. “Entrevistei vários jogadores de Guaxupé e também de grandes equipes: Cruzeiro, Atlético e América”.
 
Finalizando, Waldemir afirmou que o que restou de lembranças do jornal foram as boas amizades feitas com a família Vieira e com os ex-colegas Joaquim José Bastos (Quinzé), José Lázaro de Souza, Cezar Tadeu Dias e Carlos Henrique Magalhães (Sodinha). “Agradeço ainda, a Jorge Wandelei da Silva, Rosa Dias Marques, Isaac Ferreira Leite Ribeiro e João Antoni Nicoli”.
 
Por motivos de saúde, Waldemir se afastou do jornal e de suas atividades.
 
Vicente Luiz da Silva
Permanecendo por cinco anos no jornal, de 1980 a 1985, Vicente começou a trabalhar com Antônio Inácio Franco, que arrendava a gráfica de Eloadir.

Aprendi a trabalhar na impressora Minerva, que era manual, e tínhamos que alimentar o papel na máquina. “O jornal era uma empresa e a gráfica era outra, tanto que não fui contratado como funcionário do Léo”.
 
Com a saída de Franco, Eloadir reassumiu a parte gráfica e convidou Vicente para trabalhar no jornal, tendo aceitado o convite e, passou a paginar o jornal.

Entre as recordações que guarda do jornal está uma manchete, que um ex-prefeito de Itobi foi preso em Guaxupé bêbado. “Outros fatos que recordo, são colegas de escola, pedindo para saírem no social”.
 
Vicente também relembra da construção do atual prédio do CORREIO SUDOESTE. “Foi eu que apresentei o pedreiro para o Léo. Lembro-me de toda construção, desde o alicerce até o telhado. Quando ficou pronta a obra, tivemos uma grande dificuldade para fazer a mudança das máquinas para o novo local, pois eram toneladas e ninguém conseguia transportá-las. Eloadir e seu irmão trouxeram umas máquinas de Monte Belo para ajudar no transporte”.

Questionado sobre os ensinamentos obtidos no CORREIO SUDOESTE, Vicente afirma: “Eloadir foi meu catequista. Eu vim da roça e não tinha habilidades com palavras, hoje tudo que sei de oratória, foi adquirido no jornal. Sempre digo que era um índio, que após a passagem no jornal, cresci e adquiri vontade de estudar e ampliar os conhecimentos, tornando um palestrante em Santos/SP”.
 
Hoje, Vicente atua como pastor evangélico regional do Sul de Minas, na Igreja Assembleia de Deus – Ministério dos Santos. “O CORREIO SUDOESTE foi importante para essa projeção e por isso sou eternamente grato por tudo o que o jornal acrescentou em minha vida. Meu carinho e respeito pela memória de Eloadir e toda família”, finalizou.
 
José Lázaro de Souza
O professor do Unifeg também contribuiu com a história do CORREIO SUDOESTE. Ele conta que trabalhou durante os anos de 1985 e 1989, quando a impressão era feita na linotipo. “Todas as imagens publicadas no jornal eram feitas em clichê, confeccionados em Ribeirão Preto. Tínhamos que despachar a fotografia pela rodoviária para lá na segunda-feira, e depois só chegava na quarta-feira. Então, no sábado já tirávamos todas as imagens que ia ser divulgadas, para revelarmos, e depois recortar da forma que queríamos que fosse feito”.
 
Nesta época também era publicada uma edição na quarta-feira do CORREIO. “Era uma versão mais resumida, com quatro páginas. A de sábado, era com dez”, contou o ex-funcionário.
 
José Lázaro e Léo eram muito amigos e a amizade era tanta que durante um período, quando o diretor permaneceu um tempo em Uberlândia, tratando de negócios pessoais, José Lázaro que ficou responsável pela empresa. “Neste período, ele confiou a mim a missão de cuidar do jornal, tendo eu exercido a função de repórter, redator e administrativo. Os filhos dele, que eram crianças, me ligavam para buscar na escola, comprar pão, me sentia como o tio deles”.

Para José Lázaro, a linha do jornal continua a mesma, com o inesquecível Cala-te boca. “Hoje tudo mudou com a tecnologia, tornando mais simples o processo de elaboração do jornal, e o conteúdo também acompanhou esse desenvolvimento, com a implantação de mais cadernos”.
 
Zé Lázaro recorda das brincadeiras que fazia com Léo. “No meio de tantas risadas, todos dedicavam para fazer o melhor. Mas relembro das inesquecíveis jantas que fazíamos após o jornal pronto”.
 
José Lázaro mantém o laço com a família até hoje, são raras as vezes que passou próximo ao CORREIO, sem ao menos entrar para falar oi. “Por onde passo tento deixar a melhor impressão, e espero que tenha feito isso lá também. Tudo que dedicamos na vida, conseguimos adquirir experiências. Nada é do dia para noite. O jornal colaborou e muito para eu chegar onde estou hoje. Lá aprendi que é necessário trabalhar com a verdade, transparência e seriedade, para alcançarmos êxito”.
 
Finalizando, José Lázaro contou um pouco sobre a TV Guaxupé, criada em 1987 por ele, Léo e Marquinho Rezende . “Eram feitos documentos de notícias da cidade. Após editadas, as fitas era deixadas nas locadoras e as pessoas pegavam para assistir. Em uma oportunidade, montamos um estande na Expoagro para exibir os shows e rodeio do dia anterior, com entrevistas, onde foi necessário mudar de lugar pois aglomerou muitas pessoas”.
 
Dalva Lopes Florêncio
De Caraguatatuba, a primeira colunista social do jornal enviou, por e-mail, um pouco sobre sua história: “A vida nos oferece sempre várias janelas. Uma delas me foi aberta no ano de 1983, pelo proprietário, editor e diretor do jornal Correio do Sudoeste, Eloadir de A. Vieira publicando, semanalmente, vários artigos meus, na área da pedagogia e sociologia comportamentais. Em 1984, ele me convidou para substituí-lo na coluna DESTAQUES SOCIAIS (Leo) pois, o jornal estava crescendo, e requeria sua atenção em outros setores. Deu-se início ao DESTAQUES SOCIAIS- DALVA que perdurou até meados de 1985. Além da coluna social semanal, continuava com os artigos, e também com um espaço FLASHES- de algum evento especial da semana (religioso, profissional, empresarial, etc.).
 
Também, em 1984, sendo professora  no " Grupo Coronel", conversei com o Eloadir sobre fazermos um jornal estudantil, pago por patrocinadores. Então saiu em abril a primeira edição do jornalzinho “A Voz do Coronel", distribuído gratuitamente para toda a comunidade guaxupeana, com esforços de toda a equipe do jornal. Depois vieram outras edições e, posteriormente, quando professora e orientadora educacional no Major Luiz Zerbini, conseguimos levar ao povo o Jornal "Major Notícias" (1996 a 1998), no mesmo estilo, só que maior. Tenho consciência de que se não fosse pela visão alargada do profissional, pelo compromisso que ele sempre teve para com a comunicação de massa, pelo seu desprendimento monetário, só a minha idealização destes jornaizinhos não se concretizaria. E depois disto, outras empresas resolveram publicar um jornalzinho próprio, todos impressos e supervisionados pelo olho clínico do Eloadir.
 
Falar da trajetória do Jornal "Correio do Sudoeste" é falar do seu fundador e idealizador. Eloadir me ensinou a grandeza de se fazer um jornalismo íntegro, com respeito aos leitores; a humildade na conquista da credibilidade do que escrevemos; e, o valor que a Imprensa Escrita tem no progresso cultural de um povo. Conseguiu fazer do seu jornal um canal sério de divulgação de informações valiosas antenando a população com o seu cotidiano e com o mundo.
 
Quero então, neste momento, elevar o meu pensamento a Deus, agradecendo ao inesquecível amigo Eloadir, que deve estar muito feliz com a competência de seus filhos na preservação dos seus ideais, na integridade de seus princípios, na continuidade do seu trabalho sempre colocando o leitor como o principal sujeito do processo jornalístico.
 
Tenho orgulho de ter feito parte da sua história!”
 

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José Lázaro e Léo Pastor Vicente Advogado Valdemir Fotógrafo Nelson Damitto Advogado Cezar Tadeu Dias Dalva Paz

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