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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Lente de contato aumenta em cinco vezes risco de alergias oculares

Estudo mostrou que pessoas alérgicas apresentam uma probabilidade cinco vezes maior de desenvolver doenças oculares relacionadas ao uso de lentes de contato
Nos últimos anos houve um crescimento significativo no número de pacientes que trocaram os óculos de grau pelas lentes de contato. Nos Estados Unidos, são mais de 40 milhões de usuários segundo uma pesquisa.

No Brasil, um relatório recente apontou que as lentes de contato representam 40% das vendas de produtos para corrigir os erros refrativos mais comuns, como a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia.
 
Segundo a oftalmologista, Dra. Tatiana Nahas, Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo, um maior número de usuários de lentes de contato exige atenção redobrada, tanto por parte do paciente, quanto do oftalmologista.

“O mau uso das lentes, falta de limpeza adequada, uso prolongado e/ou constante são fatores de risco para diversas condições que podem afetar os olhos. Além disto, é preciso avaliar o estado de saúde geral do paciente para prevenir certas condições associadas ao uso das lentes de contato”, diz a médica.
 
Atenção alérgicos!
Estima-se que cerca de 20% da população em geral é alérgica (atópica). Dentro os alérgicos, de 40 a 60% podem apresentar alergias oculares. De acordo com um estudo publicado no Current Opinion in Allergy and Clinical Immunology, o uso de lentes de contato em pacientes alérgicos aumenta em cinco vezes a probabilidade de desenvolver alergias ou irritação ocular.
 
“Nos pacientes atópicos, ou seja, naqueles que sofrem de alergias em geral, como rinites, sinusites e dermatites, há uma maior predisposição ao desenvolvimento de quadros oculares alérgicos. Uma das respostas alérgicas mais comuns é a conjuntivite papilar associada ao uso de lentes de contato”, comenta Dra. Tatiana.
 
Lente é gatilho para processo alérgico
A resposta alérgica é desencadeada por algumas substâncias presentes no filme lacrimal, como lipídios e proteínas, que se depositam na superfície das lentes.

“Embora esse processo ocorra com todos os usuários, nos alérgicos o corpo reage à presença destas substâncias com uma resposta inflamatória aguda”, explica a oftalmologista. Outro mecanismo que desencadeia a alergia ocular, segundo a especialista, é o dano mecânico causado pelas lentes, como a constante fricção com a conjuntiva (membrana que reveste o globo ocular).
 
Sinais e sintomas
Entre as principais manifestações da conjuntivite papilar por uso de lentes de contato estão a sensação de areia nos olhos, ardência, coceira, vermelhidão e acúmulo de secreção nas pálpebras.

A condição, em geral, se resolve com a suspensão do uso das lentes de contato por cerca de duas semanas nos casos mais leves. O uso das lentes pode ser retomado depois da remissão dos sintomas.

"Entretanto, em uma parcela dos pacientes o quadro se manifesta novamente. Caso isso aconteça, será preciso pensar em outras alternativas”, reforça Dra. Tatiana.

Entre os recursos estão trocar a solução de limpeza, reduzir o tempo de uso, espaçar mais os intervalos, assim como prescrever lentes descartáveis. Caso haja persistência dos sintomas, a lente de contato deverá ser trocada pelos óculos de grau, de forma definitiva ou ainda avaliar a possibilidade de realizar uma cirurgia refrativa.
 
Qual lente causa mais problemas?
“É importante que as pessoas compreendam que as lentes de contato são recursos terapêuticos fundamentais para a correção de grau. Porém, é preciso considerar alguns aspectos na prescrição das lentes, de acordo com o perfil de cada paciente, incluindo doenças oculares prévias e alergias”, afirma Dra. Tatiana.  
 
Todas as lentes de contato, segundo a oftalmologista, podem desencadear problemas oculares ou alergias, sejam rígidas ou gelatinosas “Do ponto de vista da segurança, em relação a contaminação por micro-organismos e bom nível de oxigenação para a córnea, podemos citar as lentes de contato rígidas. A desvantagem é uma maior dificuldade de adaptação”.
 
“Já as lentes gelatinosas, principalmente as mais modernas, compostas de hidrogel e silicone, promovem maior conforto e melhor hidratação. Mas, justamente por terem mais água em sua composição, aumentam o risco de contaminação e possuem menor permeabilidade de oxigênio”, cita Dra. Tatiana.
 
Uso prolongado x problemas oculares
Além da limpeza das lentes, com produtos adequados e da forma adequada, outro cuidado para prevenir irritações ou condições oculares mais graves, é evitar o uso prolongado das lentes.
 
“O ideal é retirar, higienizar e dar um descanso para os olhos, pelo menos durante a noite. Para pessoas que praticam esportes aquáticos, é recomendado retirar durante a prática. Piscinas são repletas de micro-organismos que podem aderir às lentes.

"Por fim, lembre-se de consulta o oftalmologista, especialista responsável por diagnosticar os erros refrativos e prescrever as lentes de forma individualizada, assim como fazer o acompanhamento periódico do paciente”, encerra Dra. Tatiana.

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