Guaxupé, quinta-feira, 14 de dezembro de 2017
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terça-feira, 8 de agosto de 2017

Especialista revela oito tratamentos para ceratocone

Doença ocular que deforma a curvatura da córnea é intensificada pela coceira. Tempo seco e primavera agravam o quadro
Sempre que as chuvas estão abaixo do necessário para manter um nível saudável da umidade relativa do ar por vários dias, os olhos sofrem.  Coçar o olho passa a ser uma atitude automática, mas o que muita gente não sabe é que, além de causar vermelhidão, irritação e até mesmo infecção, essa coceira pode aumentar o astigmatismo (imperfeição no formato da curvatura da córnea), impedindo a luz de entrar homogeneamente e resultando em distorções e borrões na imagem final. Em casos graves, essa alteração pode causar ceratocone – com perda acentuada da acuidade visual.
 
“O tratamento do astigmatismo consiste, primeiramente, em detectar que parte da curvatura da córnea está causando problemas de visão. Depois disso, podemos recomendar desde o uso de lentes corretivas até cirurgia refrativa a laser. Com relação ao ceratocone, em sua fase mais simples ele pode ser tratado com o uso de óculos de grau. A forma mais grave, que pode resultar na perda da visão, costuma ter indicação de transplante de córnea. Por isso, essa doença ocular preocupa tanto e exige prevenção e diagnóstico precoce para interromper sua progressão e permitir um tratamento mais bem-sucedido”, diz o oftalmologista Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos.
 
O especialista diz que o ceratocone pode ser classificado em cinco etapas: inicial; moderada e estável; moderada em evolução; avançada; e avançada com opacidades (forma mais grave). Vale a pena conhecer um pouco mais do que cada tratamento oferece. Neves revela oito opções de tratamento do ceratocone:
 
1.  LENTES DE CONTATO. “No início, a doença pode ser tratada com o uso de lentes de contato ou óculos. As lentes mais modernas oferecem melhor resultado. A híbrida tem a parte central mais rígida e a periférica gelatinosa. Já as lentes esclerais dão um resultado ainda melhor. Por terem um diâmetro grande, elas se apoiam na parte branca do olho (esclera), oferecendo mais conforto e segurança”.
 
2.  LENTES INTRAOCULARES FÁCICAS. “Quando o paciente também tem uma miopia muito forte, ele pode se beneficiar das lentes intraoculares fácicas. Elas são implantadas no interior dos olhos e podem corrigir até 20 graus. Geralmente, essas lentes proporcionam excelente melhora da visão à distância sem necessidade de óculos de grau ou lentes de contato”.
 
3.  ANÉIS INTRACORNEANOS. “Numa fase intermediária, os anéis intracorneanos são indicados para restaurar a asfericidade da córnea, ou seja, seu aplainamento. Eles podem melhorar a tolerância às lentes de contato e adiar uma cirurgia. A técnica envolve a inserção de dois segmentos de arco de acrílico especial na córnea”.
 
4.  CROSSLINKING DE COLÁGENO. “O crosslinking é uma técnica que endurece a parte anterior da córnea. estabiliza o ceratocone e, em alguns casos, proporciona melhor visão. Consiste na aplicação de uma vitamina chamada riboflavina (B2) na córnea que estimula novas ligações entre as moléculas de colágeno – quando exposta à luz ultravioleta a cada cinco minutos durante um total de 30 minutos. Trata-se de uma alternativa segura e que oferece importantes benefícios para os pacientes”.
 
5.  MÉTODO CAP – Contour Ablation Pattern. “Com esse tratamento personalizado, o cirurgião utiliza o laser Excimer precisamente controlado para esculpir a córnea e atingir o resultado ideal. Pacientes com visão estável, mais de 30 anos de idade, e espessura suficiente da córnea podem se beneficiar muito do método CAP, obtendo resultados bem parecidos com a cirurgia a laser PRK (fazendo uso de óculos). Normalmente, o crosslinking também é associado a essa modalidade”.
 
6.  TRANSPLANTE DE CÓRNEA. “O transplante de córnea é um recurso a ser considerado nos estágios mais avançados de ceratocone. Os resultados têm apresentado uma taxa de sucesso superior a 97%. O paciente pode realizar uma cirurgia a laser (LASIK ou PRK) logo após o transplante e ficar menos dependente de óculos ou lentes de contato”.
 
7.  CERATOPLASTIA LAMELAR PROFUNDA (DALK). “Neste caso, o transplante é realizado tomando-se o cuidado de preservar a camada interior da córnea – chamada de endotélio. Essa técnica tem se destacado por reduzir os casos de rejeição. Havendo qualquer embaçamento da visão depois do transplante, o paciente deve procurar seu médico imediatamente. Até porque, em caso de rejeição, o paciente recupera 100% da visão se ela for imediatamente tratada”.
 
8.  LASER DE FEMTOSSEGUNDO. “Trata-se de um dos maiores avanços na cirurgia de córnea nos últimos 30 anos. O uso do laser de femtossegundo, que utiliza pulsos de luz no lugar das lâminas de corte, é muito mais preciso e seguro, além de garantir rápida recuperação para os pacientes. Essa tecnologia é indicada a pacientes que desejam melhorar a visão com ou sem lentes de contato. Seu uso também já foi aprovado na realização de transplante de córnea (também conhecido como IEK)”.
 
Fonte: Prof. Dr. Renato Augusto Neves, médico oftalmologista, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos, em São Paulo, e autor do livro “Seus Olhos”
(Editora CLA). www.eyecare.com.br

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