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quarta-feira, 8 de março de 2017

Pança, um filósofo guaxupeano

Caetano Cury é, também, publicitário, radialista, foi diretor da Rádio Comunitária de Guaxupé e hoje é repórter da Rádio Bandeirantes-SP
Caetano Cury é, também, publicitário, radialista, foi diretor da Rádio Comunitária de Guaxupé e hoje é repórter da Rádio Bandeirantes-SP
Matéria publicada em 2008, por Sheila Saad

Quino, argentino, criou a Mafalda; Bill Watterson, americano, o Calvin; Caetano Cury, brasileiro, o Pança. Obviamente, respeitando-se as devidas proporções: em apenas 10 anos, as histórias em quadrinhos do Calvin e de seu fiel companheiro Haroldo foram publicadas em mais de 2 mil jornais do mundo inteiro. Enquanto isso, poucos guaxupeanos estão familiarizados com as tirinhas do Clube do Pança, mas é uma questão de tempo. O que esses personagens têm em comum é o inconformismo diante dos fatos sociais.

As histórias evidenciam determinados costumes, daí sua importância. Essa crítica social pode gerar mudanças de atitudes, bem como definir valores históricos. “A imagem atinge mais pessoas que a escrita, todo mundo vê”, afirma Caetano Cury, 22, cartunista, que criou seu personagem sem grandes pretensões: “A intenção era fazer alguém revoltado com a vida, indignado, com vergonha da sociedade. De repente, percebi que tudo o que o Pança combatia era exatamente o que ele fazia. Ele esconde o rosto num saco de pão, mas faz parte do contexto, ficou mais interessante com essa contradição.”

Segundo o autor, a personalidade do personagem de quadrinhos deve ser bem definida e baseada na realidade para haver identificação com o público. O Pança é um clube social, possui seis personagens, como Rodrigão Fortinho, Joãozinho Mendigo e Tia Ambrozina. Eles não se limitam ao universo guaxupeano, estão inseridos num contexto mais amplo chamado Brasil.
A 1ª HQ do Pança foi publicada na revista Atitude Interior, de Guaxupé, em abril de 2005. “O traço inicial foi sendo moldado com o tempo, igual a caligrafia, até encontrar um estilo próprio”, explica. Como é um projeto experimental, continuou evoluindo nesses três anos, agora os roteiros surgem com mais espontaneidade: “O tema aparece quando estou no banho, caminhando ou comendo, começo a viajar numa idéia e a moldar o texto. Depois, passo tudo para o papel.”

O trabalho de Caetano é artesanal, todo feito à mão, só utiliza o computador para colorir os desenhos, mesmo assim, com caneta digitalizadora. Na internet, começou preto e branco, depois passou a colorido (www.clubedopanca.com.br). “Faço muitos contatos pelo site, excelente meio de divulgação.” Um dos objetivos é aumentar o número de acessos virtuais, atualmente com 150 visitas diárias: “Quando tiver um público fiel, pretendo publicar num jornal de médio porte.”

Além da internet, as tirinhas capitaneadas pelo mascarado do saco de pão são publicadas também no jornal Da Silva, de São José do Rio Pardo, e no Graphiq, de Suzano, SP. Caetano é autor das charges veiculadas semanalmente no Correio Sudoeste, desde 2003: “Além do humor, característica inerente da charge, o conteúdo aborda fatos que acontecem no nosso município.” As charges podem ser conferidas em primeira mão pelos internautas, atualizadas no blog (http://chargesguaxupe.blogspot.com) todas as quintas-feiras à tarde.
 
Desenhos com personalidade
Caetano desenha desde criança: “No início, todos os desenhos são iguais, depois vão adquirindo personalidade.” Desde a 2ª série, em Guaranésia, fazia por conta própria textos ilustrados, sem a intervenção dos professores. Para ele, quem tem habilidade descobre o dom sozinho.

Seu primeiro trabalho remunerado foi um anúncio em forma de quadrinho para a Cartaxi, empresa paulistana, publicado na revista About, especializada em propaganda e marketing, entre outras mídias. Em seguida, foi contratado para ilustrar a última página de 10 edições da revista Decorar, da Editorial Magazine, de circulação nacional. Outra vez para a Cartaxi elaborou um jornal informativo em forma de HQ, com tiragem de 60 mil exemplares distribuídos nos táxis paulistanos.

Participa de diversos festivais do gênero. Em 2006, no Salão Internacional de Humor de Piracicaba, o maior da América Latina, com mais de dois mil inscritos, Caetano ficou entre os 200 selecionados, sua charge foi publicada no catálogo anual do evento: “Acho que meus trabalhos atuais estão mais engraçados que os primeiros, por causa da prática, leitura e vivência.”

Ano passado ficou em 4º lugar no Salão de Animaserra, festival de quadrinho e animação da região serrana do Rio de Janeiro, com uma série de tirinhas sobre arte, mostrando a dificuldade que o artista enfrenta para sobreviver.

No Salão de Humor de Caratinga, MG, cidade natal do Ziraldo, “pai” do Menino Maluquinho, teve três trabalhos selecionados para a exposição. Também participou do Salão de Volta Redonda e do Salão de Paraguaçu Paulista. “A vantagem é somar pontos para o currículo”, relata Caetano.
 

Confira a Galeria de Fotos

Caetano Cury é, também, publicitário, radialista, foi diretor da Rádio Comunitária de Guaxupé e hoje é repórter da Rádio Bandeirantes-SP Rodrigão Fortinho tem um grande coração, mas não faz ginástica para o cérebro. “Viva a arte”, tirinha premiada com o 4º lugar no Salão de Animaserra, Rio. Pança cantor

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