Guaxupé, sábado, 17 de novembro de 2018
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quarta-feira, 8 de março de 2017

Revitalização de um grande patrimônio

Republicação da matéria da jornalista e colaboradora Sheila Saad, em 2009
Projeto do arquiteto Luiz Puntel, de 1914.
Projeto do arquiteto Luiz Puntel, de 1914.
Sheila Saad
www.papodeviralata.blogspot.com

Guaxupé tem 13 patrimônios históricos tombados. O antigo “colégio das freiras”, por exemplo, poderia estar entre estes bens, pois representa um marco na história de muitos guaxupeanos, por sua imponência, é destaque na paisagem urbana. Projetado por Luiz Puntel e concluído em 1915 pelo mestre-de-obras italiano Raphael Gesine, encontrava-se em evidente estado de deterioração, mesmo sendo sede do bispado católico.

Em 2001, por decisão de Dom Geraldo, foi elaborado projeto de restauração do Colégio da Imaculada Conceição, que contemplava até um Museu Histórico, aprovado pela Lei Rouanet, do Ministério da Cultura, que possibilita o apoio de pessoas físicas e jurídicas para execução de projetos culturais, mas não conseguiram captar recursos. “O bispo procurou pessoas e empresas renomadas, como Roberto Marinho, Nestlé do Brasil, Furnas, Cemig, entre outros, sem sucesso. Até o ministro da cultura Francisco Weffort se comprometeu verbalmente a destinar 200 mil reais através do Fundo Nacional de Cultura, mas nada aconteceu”, relata Ana Maria Cardoso Moraes, gerente administrativo da cúria diocesana.

Atualmente, está em andamento a revitalização do prédio, dividida em duas partes, uma com recursos próprios da Diocese de Guaxupé, outra, da Catedral. A reforma completa do telhado começou cerca de 40 dias atrás e logo estará concluída. “Foi um acordo entre o bispo Dom José Lanza e o cura da Catedral, padre Elizeu, com anuência dos 93 párocos dos 41 municípios da diocese”, diz Ana Maria.

Parte do prédio será utilizada como centro de pastoral, onde serão realizados os cursos de formação da igreja, infantil e adulto. “Fizemos 500 carnês com 12 parcelas cada um para serem distribuídos aos paroquianos, umas de 50 reais, outras de 20. Vamos precisar de muito auxílio, quem quiser contribuir pode procurar a secretaria da Catedral”, informa padre Elizeu Guimarães Souza.

Outra parte será destinada aos encontros diocesanos regionais, que reúnem cerca de 4 mil fiéis por ano. “Nos últimos 5 anos, nossa diocese ordenou 29 párocos, um número expressivo dentro da comunidade católica mundial. O bispo da França virá nos visitar para solicitar padres e seminaristas, pois faltam religiosos por lá. Temos uma riqueza grande de vocações e nossa diocese é uma das mais produtivas”, revela Ana Maria.

A capela anexa ao Colégio da Imaculada Conceição será transformada num auditório celebrativo, porém sem modificar sua estrutura: “Nenhuma característica da fachada da construção será alterada.” A obra, sob a responsabilidade do arquiteto Moacyr Cyrino Filho, mestre pela USP São Paulo, deverá ser concluída em aproximadamente dois anos. “Construiremos novos banheiros, acessos para deficientes e trocaremos as instalações hidráulicas e elétricas. Vamos dar vida nova ao prédio, nenhum recurso vai ser gasto desnecessariamente”, afirma o arquiteto.

SAIBA MAIS SOBRE TOMBAMENTO

O vocábulo tombamento é de origem portuguesa, utilizado para registrar algo que é de valor para uma comunidade, protegendo-o através de legislação específica. Tombamento é um ato administrativo realizado pelo poder público com o objetivo de preservar, através da aplicação de legislação específica, bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e também de valor afetivo para a população, impedindo que venham a ser destruídos ou descaracterizados.

Tombamento visa proteger patrimônios. De acordo com o Dicionário Aurélio, patrimônio é: “Bem, ou conjunto de bens culturais ou naturais, de valor reconhecido para determinada localidade, região, país, ou para a humanidade, e que, ao se tornar protegido pelo tombamento, deve ser preservado para o usufruto de todos os cidadãos.”

A abertura do processo de tombamento de um bem cultural ou natural pode ser solicitada por qualquer pessoa física ou jurídica, proprietário ou não, por uma organização não governamental, pelo representante de órgão público ou privado, por um grupo de pessoas por meio de abaixo-assinado ou por iniciativa do próprio órgão responsável pelo tombamento, sendo de fundamental importância descrever a possível localização ou as dimensões e características do bem, e uma justificativa do motivo pelo qual foi solicitado.

O bem objeto de tombamento não terá sua propriedade alterada, nem precisará ser desapropriado, pelo contrário, deverá manter as mesmas características que possuía na data do tombamento. Seu objetivo é a proibição da destruição e da descaracterização desse bem, não havendo dessa forma, qualquer impedimento para a venda, aluguel ou herança de um bem tombado, desde que continue sendo preservado.

É de vital importância, não apenas para determinados órgãos responsáveis pela conservação do nosso patrimônio histórico, mas para a sociedade em geral, como bem de interesse comum, que nossas obras culturais e artísticas sejam preservadas, garantindo a possibilidade de que nossos descendentes desfrutem das belezas que hoje desfrutamos.

Bens tombados geram uma pontuação que retorna ao município em dinheiro. Infelizmente, não há políticas públicas que definam onde essa verba deve ser aplicada. O benefício para o proprietário do imóvel tombado é apenas isenção de impostos municipais. Por este motivo, a maioria não tem interesse nos tombamentos com receio de diminuir o valor comercial do seu imóvel.

Cabe à opinião pública pressionar as autoridades para que a sua história e a de seus antepassados não sejam esquecidas. Por meio da preservação dos patrimônios materiais e imateriais o passado particular e coletivo é perpetuado. Se um acordo entre a iniciativa pública e privada não for feito com urgência, em poucos anos não haverá mais o Palácio das Águias, com sua arquitetura singular, na Rua Pereira do Nascimento.

“Outro bom exemplo para os proprietários rurais, é que o tombamento pode agregar valor à edificação. O fato do imóvel ser tombado representa um atrativo a mais para o turista, como no caso da Fazenda Nova Floresta, que tem uma sede de valor histórico e arquitetônico”, explica Moacyr Cyrino. (fonte: www.direitonet.com.br)

 

Confira a Galeria de Fotos

Projeto do arquiteto Luiz Puntel, de 1914. A reforma do telhado do prédio à esquerda foi concluída. Em etapa de finalização, o prédio da direita, onde funcionará o centro de pastoral. Colégio da Imaculada Conceição destaca-se na paisagem urbana. Para Moacyr Cyrino Filho, o tombamento pode ser um atrativo a mais.

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