Guaxupé, sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
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sábado, 19 de dezembro de 2015

“Quando se planta o bem, tudo reverte a nosso favor”

Marilete Vieira Zampar tem formação e pós-graduação em Letras pela FFCL de São José do Rio Pardo. Concluiu Psicanálise na Unifran, Psicopedagogia na Unisantana; Psicodrama nos Distúrbios Psicossomáticos - EPP Doutorado – WDU. Na FCM Unicamp foram duas pós-graduações: Saúde Mental e Transtornos Alimentares. Ainda estudou Neurociência na UFMG eNeuropsicopedagogia – UCAM. 

A escritora Marilete Zampar conta que o pai Ovídio Antônio Tavares nasceu em Carmo do Cajuru, MG, mas cresceu em Itaúna.

A mãe Celina Vieira Tavares é natural de Poços de Caldas, mas cresceu em Guaxupé. Ela também relata alegrias da infância, o início de uma longa sequência de estudos, o casamento e mudanças de cidade.

“O primeiro encontro dos meus pais foi em Guaxupé, quando ele veio a trabalho, como Fiscal de Rendas. Conheceram, noivaram e se casaram em nove meses. Dessa união nasceram os seis filhos: Lincoln que se casou com Zélia. Arlete com Mário. Edison com Márcia. Jefferson com Marlene. Ivonete com Roberto. Finalmente, depois de acreditarem que já estavam com a família completa, venho eu após alguns anos.

Nasci em Guaxupé, em fevereiro de 1948, residindo boa parte da infância e adolescência na Vila Rica. Contrariando o desejo de meus pais, eu gostava mesmo era de andar sem sapatos, subir em muros, telhados, árvores, brincar de estilingue, pipa, pegar “rabeira” em todos os caminhões que passavam. Pular do último trampolim da piscina, correr na rua e outras traquinagens.

Estudei no Grupo Barão de Guaxupé e no Colégio Imaculada Conceição. Fiz piano, violão, teatro, canto, dança. Participei da juventude estudantil católica. Como todas as crianças, amava dona Maria Eulália Gurgel, que foi professora da segunda série.

Desde muito pequena, gostava de fazer peças de teatro, encenando ou até criando alguns textos. Talvez nesse momento tenha iniciado o desejo pelas palestras e livros.

Meu primeiro trabalho foi como professora particular de Português aos dezesseis anos. Em seguida, estudei no colégio “das Freiras.”Assim que terminei o magistério, ou seja, a Escola Normal, fui convidada para dar aula de português nesse mesmo colégio.

Tive amigas encantadoras, das quais sempre me lembro com muito carinho. Boas lembranças dos bailes, do teatro com Dona Geralda Toledo, do longo namoro com Edson Zampar, com quem me casei aos vinte e um anos e fomos para São José do Rio Pardo, pois meu esposo havia passado no concurso do Banespa.

Em Rio Pardo não poderia dar aulas, pois precisaria fazer novamente o magistério. (O estado de São Paulo não aceitava diplomas de outros estados). O curso seria de três anos. Aplicaram uma prova para avaliar meus conhecimentos. Para minha alegria e graças ao excelente ensino que tivemos no colégio, consegui nota máxima em todas as matérias e assim a secretaria de educação do estado de São Paulo me permitiu realizar novamente o magistério em apenas um ano. Foi tão gratificante, que no ano seguinte, ao ingressar na Faculdade para cursar Letras, convidaram-me para dar aulas na escola onde havia acabado de me formar.

Quando lecionava em Rio Pardo, em todos os intervalos ou após as aulas, havia sempre um número grande de alunos que me procurava para falar de suas vidas, problemas dos pais, dificuldades pessoais ou outras mazelas. Assim fui percebendo que conseguia acalmar ou mesmo dar algumas dicas para esses jovens, que por sinal, a maioria contava com mais anos vividos que eu mesma.

Os colegas professores me apelidaram de Júlio Louzada. Este locutor da Rádio Tupi fazia sucesso na década de 50, 60 com o programa “Pausa para Meditação”, ouvia e orientava as pessoas em suas angústias. O apelido pegou e todos assim me chamavam.

“Não acredito em coincidências. Tudo tem um sentido” 

Lecionei em Rio Pardo até nos mudarmos para São Paulo. Entre o magistério, faculdade e tantas aulas,  nasceu meu primeiro filho Edson Júnior, nosso Juninho. Não era uma vida fácil, muitas vezes meus pais se deslocavam de Guaxupé para ficar com o neto, para que pudéssemos fazer prova, pois meu esposo também estudava Direito em São João da Boa Vista.

Embora nos organizássemos da melhor forma, nem sempre dava certo. Em meio a tantos compromissos, para nossa imensa alegria, engravidei da filha Cristiane e por motivo de transferência de meu esposo para posse de novo cargo, fomos para São Paulo com uma criança de dois anos e meio e outra na barriga. Sempre tivemos vizinhos maravilhosos, até hoje. Considero minha vida abençoada, pois muitas mãos nos foram estendidas na trajetória das dificuldades. 

Mudando para São Paulo, além de dar aulas de piano e Português, comecei a fazer cursos de Medicina Alternativa. Estudei ao todo mais de dez anos e trabalhei nesta área por um bom tempo. Como não acredito em coincidências, mas que tudo tem um sentido, uma sincronia, com o tempo fui percebendo a necessidade das pessoas, iniciei outras faculdades e tudo foi se encaixando de forma natural.

Assim vieram a Psicopedagogia, a Psicanálise, o Psicodrama, as pós na Unicamp. O Doutorado, A Neurociência, a Neuropsicopedagogia. Cada qual abrindo portas ao próximo. Precisei contar com a compreensão dos filhos, a ajuda incansável do esposo, que sempre me acompanhou em tudo. Em algumas faculdades brincavam com o Edson e diziam que seria justo ele receber também um diploma, pela sua dedicação. Grande parte do que sou hoje devo a ele, aos filhos e a todos que acreditaram em mim, não faria quase nada sozinha. 

Quanto à escolha dos filhos pela área do Direito e posteriormente à Magistratura, foi uma decisão muito pessoal, sem nossa interferência ou orientação, talvez pelo desejo imenso de manter a ordem e a justiça, que são peculiaridades suas e também uma escolha pessoal de ambos.

Aos trinta anos, na mesma época em que perdemos nosso pai, ingressei com muito amor na Doutrina Espírita, o que considero uma dádiva de Deus em minha vida. Consegui entender muito mais sobre a vida e seu desenrolar.Aproveitei todas as oportunidades para conhecer vários países, pois me encanta perceber as diferentes culturas e concluir que apesar de tantas diferenças, no fundo somos todos muito semelhantes.

“Família é a base de toda estrutura e equilíbrio”

Em 1990 consegui compilar um pequeno livro de poesias de minha autoria, que leva o título Força Interior, após ter vencido um concurso de poesias em Brasília, com um dos poemas.

Como sempre gostei de escrever, colaborei durante muitos anos com dois jornais de Rio Pardo, com uma coluna semanal. Para chegar ao livro sobre Inteligência Emocional, foi um passo. O livro sobre Inveja, embora tenha um número pequeno de páginas, demorei sete anos para concluir.

Quanto ao tema, sempre me incomodei com a ideia de que algumas pessoas pudessem não desejar o bem de outras e assim foi surgindo o livro. É uma pena que nem todos consigam entender que a inveja paralisa o crescimento, impede o sucesso, mesmo daqueles que têm fama. Um dia tudo acaba e ficam apenas as cinzas. Quando se planta o bem, tudo reverte a nosso favor, pois a vida age em sincronia de ação e reação.

Realizo palestras desde sempre e os temas mais procurados são os que falam sobre relacionamento, família e desenvolvimento pessoal. Por aí podemos concluir que mesmo alguns insistindo em dizer que a família não está com nada, creio ainda ser ela a base de toda nossa estrutura e equilíbrio.

Hoje, apesar dos quase sessenta e oito anos, continuo na ativa como se tivesse menos, mas na hora de pendurar a chuteira, quero estar preparada para passar a tocha, pois a vida é assim: uns vão substituindo os outros que vêm com muito mais garra, sabedoria e conteúdo.”

Para finalizar, Marilete fala do crescimento da família e do prazer de ser avó. “O primeiro filho Juninho casou-se com Raquel e tiveram o encantador Lucas. A filha Cristiane casou-se com Amadeu e tiveram minha companheirinha Lara e as não menos adoráveis gêmeas Bia e Ane. Sempre desejei ser avó e aproveito o máximo que posso para curtir essas preciosidades.

Não poderia deixar de mencionar nosso querido Chiquinho, que é um cãozinho muito especial e a alegria dos netos. É parte integrante de nossa vida.

Agradeço o convite do Correio do Sudoeste e agradeço a Deus por todas as oportunidades bem como àqueles que acompanham minha existência, seja pela força ou pelos puxões de orelha. Um feliz Natal e ótimo ano a todos.

 

Confira a Galeria de Fotos

Edson e Marilete com Amadeu, Cristiane, Raquel e Edson Júnior Marilete e Edson no Hotel Venetian, em Las Vegas Marilete entre os cinco irmãos Comemoração de aniversário do pai Ovídio com a mãe Celina

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