Guaxupé, domingo, 19 de novembro de 2017
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sábado, 14 de novembro de 2015

Viver de arte é quase uma utopia

 “Exerci a profissão de publicitário, relações públicas e comunicador por mais de 30 anos. Paralelamente desenvolvi minha carreira de artista plástico a partir dos meus 17 anos.”

“Henry Vitor Santos, filho de José Victor dos Santos e Noemia Puntel dos Santos, ela guaxupeana, filha de Luiz Puntel e Isabel Nardi Puntel. Éramos cinco. Eu Henry, o mais velho, depois Márcio, também guaxupeano – falecido no ano passado. Depois Mozart, também falecido. Nasceu em Uberaba. Beatriz,guaxupeana – psicóloga – residente em São Paulo. E finalmente Aureliano, paulista – falecido.

Hoje tenho 76 anos, casei com 34 anos com Janice Castellani (falecida) Tivemos duas filhas:Verena e Marcela Castellani. Marcela meu deu um neto lindo, Bento, hoje  com 2 anos e 8 meses.  E para maio chega mais um neto, ou neta, não sabemos ainda.”

Quais os familiares que tiveram grande importância para você? “Com certeza meu avô Luiz Puntel, meus tios e primos. Eram muitos. Meu avô era um arquiteto construtor. Construiu sua casa, na rua Barão de Guaxupé, como se estivesse construindo um castelo. Infelizmente demoliram essa casa.  Na sala de jantar, enorme, tinham afrescos de pintura italiana nas paredes. E lá no fundo um vitral imenso, com duas crianças junto a uma macieira.

Numa de minhas visitas a Guaxupé, procurando, descobri que esse vitral e algumas janelas da antiga casa tinham sido restauradas e estavam numa fazenda.  Quando eu vi esse vitral, chorei. Não tenho vergonha de dizer isso. Ele está colocado numa sala, silenciosa, solene, como se por ali não passasse o tempo.

Morei em Guaxupé até os 8 ou 9 anos, na casa de meus avós, na rua Barão. Meu pai tinha uma fazenda na região. Em Pratinha, depois Mococa e a última foi em Pouso Alegre. Como todo menino de roça, gostava de empinar pipa. O espantalho era meu confidente. Em noites quentes teimava em contar estrelas e sair pegando pirilampos para fazer uma lanterna mágica. E tinha meus sonhos, meus medos, minhas fantasias. As sementes que por lá plantei hoje florescem na memória.”

Onde você estudou em Guaxupé?“Fiz o pré-primário e primário. Até segundo ano, quando me trouxeram para São Paulo, sem me perguntarem se eu queria. Por incrível que pareça não lembro o nome da escola. Lembro que tinha uma árvore muito grande no pátio. Lembro também que eu ficava bravo com os meninos que pulavam o muro da casa de minha vó para roubar frutos ou flores e levar à professora. Tinha também aula de religião, e eu realmente sofria com as histórias que terminavam com o Cristo sendo pregado na cruz.”

“Sou teimoso, insisti e consegui”

“Além do ginásio, fiz também o clássico. Isto em Paulo, em escolas públicas como o Faustino Sarmiento. Paralelamente, no Senai, fiz o curso de joalheria. Mas nessa área, trabalhei pouco tempo, pois “parentes” achavam que ser bancário me proporcionaria um futuro promissor.

Gostava de estudar. Primeiro fiz Jornalismo na Cásper Libero, depois Propaganda e Marketing na ESPM, e finalmente, Comunicações com especialização em Relações Públicas. Eram três cursos diferentes, mas que tinham relação entre si. E em sistema financeiro trabalhei por 32 anos, mas paralelamente desenvolvi minha carreira de artista plástico.

Exerci a profissão de publicitário, relações públicas e comunicador por mais de 30 anos. Paralelamente, desenvolvi minha carreira de artista plástico a partir os meus 17 anos.

Comecei desde muito pequeno. Nos armazéns de meu avô tinham tonéis de pigmento para pintura. Azul, laranja, amarelo, vermelho. Eram a minha grande tentação. Sempre tive vontade de entrar nesses tonéis e me colorir. Por fora não consegui. Mas lhe garanto que minha alma é tão colorida como a vida, como esses barris. Sempre gostei de pintura. Era um mundo lúdico.

Nunca pude entrar numa escola de arte, pois diziam que ser artista, pintor, era uma coisa que não dava dinheiro. Diziam também – isso não é coisa de homem. Quando tinha meus 16, 17 anos, comecei sozinho. Já tinha meu salário, que gastava para comprar livros, telas e tintas.

Como pintor autodidata, fui buscando meu caminho. Natureza-morta, flores, foram as primeiras manifestações. Pintei muitos palhaços que ainda choram no meu imaginário. Uma criança, um dia olhou para meu palhaço e falou para o pai – Papai, olha o Jesus. Achei engraçado na hora. Hoje, pensando seriamente a respeito, encontro uma porção de questões.

Trabalhei também com a arte conceitual em salões oficiais do Governo. Eram obras de impacto forte. Mas depois senti que meu caminho era mesmo a obra vinda do coração. Aquela que tivesse possibilidades de estar próxima do público. Sempre acreditei que é através da simplicidade que se atinge o outro.”

Quais os artistas que mais te influenciaram?“Existem os pintores do antigo Haiti, os tchecoslovacos, etc... E tive também amigos queridos que me deram dicas de como chegar até os dias de hoje, feliz com meu trabalho. Adoro o que faço.Hoje em dia sou um pintor preocupado com o trabalho. Busco a leveza, a simplicidade, a beleza escondida das emoções. Mas sobretudo busco a alegria, porque é através de meus quadros que chego até as pessoas, levando minha mensagem de alegria.

Os primeiros convites para exposição surgiram quando ainda expunha em praça pública. Ali fiz muitos contatos. E com o passar do tempo surgiram convites para expor em galerias e em empresas interessadas em arte. Com a necessária exposição pública surgiram também as críticas de jornalistas, críticos de arte, curadores e outros. Hoje, esse processo é diferente. O que realmente importa é a opinião daquele que interage com minha obra, seja lá quem for.

Viver de arte é quase que uma utopia. Como sou teimoso, insisti e consegui. Preciso de pouco. Mas o que preciso mesmo é estar bem e poder acreditar que teremos, um dia, momentos melhores.”

Como o seu trabalho artístico ganhou abrangência internacional?“Foi através de Galeria. Através dela, meus trabalhos já estiveram presentes em várias partes do mundo. Ou então em contatos com amigos que me apresentaram a marchands; foi o caso do Japão. Só para Japão e China trabalhei por quatro anos consecutivos.

Entre as inúmeras exposições que realizei tenho que destacar aquelas realizadas em Guaxupé. Foram gratificantes. Voltar a minha terra e trazer meu mundo de sonho, cor e fantasia, foi um presente dos céus. Além dessas exposições, realizei muitas outrasem várias cidades e capitais. Em Curitiba, me senti também um filho da terra. Atualmente desenvolvo um trabalho para empresas, pintando o perfil de pessoas ou produtos. É algo desafiador e sempre criativo.”

Pintar a história do jornal

Trabalho basicamente todos os dias. Vivo diariamente me alimentando de emoções, cores, e contas a pagar.Esqueço que estou numa selva chamada de pedra (São Paulo). Solto a minha imaginação e sem lenço, sem documento, volto a Minas carregando meu bornal de lembranças boas. Minha Minas é sempre fonte de inspiração.  

Tenho programado uma exposição para Guaranésia, se um dia ficar pronta a reforma do prédio onde será realizada a mostra. Tenho várias encomendas de clientes para quadros bem grandes, contando histórias pessoais. Entre essas histórias tenho que pintar a história do melhor jornal de Guaxupé.  Sabem qual é?”

O crescimento de Guaxupé influenciaria alguma obra que você produzisse hoje sobre o município, na área urbana ou rural?:“Com certeza. Quero garimpar informações novas, conhecer pessoas e catalogar novos sentimentos”.
Para sabe mais sobre o artista, http://www.henryvitor.com.br
 

Confira a Galeria de Fotos

Obras de Henry Vítor são “Canto de Amor” “Disciplina” revela equilíbrio na natureza e na vida “Era Assim”, agora ele pretende catalogar novos sentimentos Para Henry, “os Sentimentos também voam”

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