Guaxupé, sexta-feira, 15 de dezembro de 2017
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sábado, 7 de novembro de 2015

Justa homenagem a um cidadão

Carlos Alberto Bárbara Cruvinel, o 5º filho de Magnólia Bárbara Cruvinel e João Cruvinel Filho, nasceu em Nova Resende, em 08.12.1959. Irmão de Célia, Maria Tereza, João Batista, Antônio Carlos, Mariana, José Osvaldo e Ana Lúcia, ele conta que a origem da família Cruvinel pode ser alemã. Beto, que vive em Guaxupé há quase cinquenta anos, aqui fincou raízes, contribuindo com muito trabalho para promover o desenvolvimento do município e de suas instituições. 

“Lembro-me de ter vindo para Guaxupé por volta dos cinco anos de idade. Nas férias, papai alugava uma Kombi para levar toda a família a Nova Resende, onde nos hospedávamos na casa dos meus avôs maternos, Antônio Estevan Bueno e Maria José da Conceição. Papai era fiscal do Estado e mamãe, professora estadual. Era muito apegado ao meu pai. Por três vezes, quando ele saía para fazer fiscalizações, à noite, tentei entrar no jipe com ele. Na primeira ele me levou de volta pra casa. Na segunda, me deixou sem roupa. Na terceira, me trancou, pelado, no banheiro do quintal.

Aos sete anos entrei no Grupo Barão de Guaxupé. A gente morava na Av. dos Inconfidentes, o fundo do nosso quintal ficava próximo do muro do grupo.

Havia um terreno vazio ao lado da nossa casa, onde meu pai mandou passar a máquina para nivelar e evitar o barro nos dias de chuva. Nesse campinho improvisado, eu jogava bola com uma turma de vizinhos: Zé Duarte, Marquinho Machado e Waguinho, entre outros. Minha paixão por futebol vem desde essa época. Meu irmão, João, participava do time da Vila Rica. Enrabichava neles, levando minha chuteirinha pra quando precisassem de reforço. Mesmo não gostando muito, eles me deixavam jogar.

Dona Aparecida Remédio, professora de Educação Física, permitia que a gente usasse a bola durante o intervalo. Como só tinha uma, a gente ficava de butuca na porta, esperando o sinal tocar pra chegar à sala dela primeiro. Na formatura do grupo, lembro que usei uma calça boca de sino. No ano seguinte, fui para o ginásio estadual. Sempre tinha lampejos de matar aula pra jogar bola, mas eu gostava muito das aulas de artes industriais com seu Wilson Calicchio. Muitas vezes ele saía da escola com um grupo de alunos para praticar a teoria.

Eu fazia parte da seleção de futebol de salão do ginásio. A gente participava de campeonatos entre as escolas da região. Aos quinze anos, quando comecei o colegial, fui convidado para jogar no Juvenil da Caldense. Passei no teste e fui para Poços, mas não fiquei nem um mês. Voltei para Guaxupé e repeti o 1º colegial, em 1976. No mesmo ano, fui convidado para fazer um teste no juvenil do Vasco da Gama, no Rio. Passei, mas afinei e vim embora, a cidade grande me assustou.

Nessa época, eu jogava com o time profissional da Esportiva, mesmo sendo menor de idade. Num dos jogos no Estádio Carlos Costa Monteiro, entrei para substituir um colega e um jogador do time adversário machucou minha perna. Fui ver o jogo na arquibancada. Foi quando conheci Cristina Lúcia Calicchio Gonçalves, que estava junto com meus amigos assistindo à partida.

A partir daí, a gente passou a se encontrar na bombonière da minha futura sogra, Carmen, ponto de encontro da nossa turma.

Dia 16 de setembro de 1976, no Cine São Carlos, durante o filme A Noviça Rebelde, começamos a namorar. Minha sogra me ajudou com os estudos, passando a cobrar notas boas na minha carteirinha de estudante. Se eu tirasse vermelha, ela dizia que a gente não poderia namorar nas férias.

No que eu voltei do Rio, tentei terminar o 1º colegial, mas tomei bomba pela 2ª vez. Em 1977, pra tentar arrumar minha vida, pedi transferência para a Academia de Comércio São José. Aos poucos, fui tomando gosto pelos estudos.”
 
Novos objetivos na vida

“Numa partida de futebol, Mirandinha, do São Paulo Futebol Clube, quebrou a perna e teve que abandonar o esporte. Aquilo me acordou para uma realidade que não havia pensado. Resolvi esquecer o sonho de ser jogador profissional.

Em 78, comecei a trabalhar no escritório de contabilidade do Rossetti, onde fiquei até o final de 1979. Na formatura da Academia, recebi o diploma das mãos do seu Raimundinho (Raimundo Macedo), diretor da escola.

No começo de 1980, fui aprovado no vestibular da Unaerp, em Administração de Empresas. Logo no primeiro semestre, também passei no concurso do Banco do Brasil. Devo a seu Raimundinho, também professor de Matemática, o gosto por essa matéria, que foi decisivo para eu passar no concurso.

Tomei posse na agência do BB de Mococa, transferindo a faculdade para São João da Boa Vista, onde estudava à noite. Mas continuei morando em Guaxupé. Não estava dando conta desse ritmo. Em 1981, resolvi largar a faculdade, já que algumas vezes eu matava aulas pra jogar futebol.

Em 1982, consegui transferência para a agência de Guaxupé e, no mesmo ano, em 10 de julho, me casei com Cristina na chácara do avô dela, seu Sálvio Calicchio. Sobre a piscina montaram uma passarela pra gente atravessar. Foi uma cerimônia muito bonita, celebrada pelo Padre Olavo. Catorze dias depois seu Sálvio faleceu. Recebemos a notícia durante nossa lua de mel, no Rio.

Em 1984, nasceu nossa primogênita, Maria Paula. No mesmo ano, perdi minha sobrinha, Ana Cláudia, filha da Célia, minha irmã. Ela ainda não tinha sete anos. Era muito agarrada comigo e com a Cristina. Em 1986, tivemos nossa segunda filha, Maria Lúcia.

Quando Cristina ainda estava grávida da Malu, nos mudamos para Cabo Verde, porque fui transferido pelo Banco do Brasil. Fiquei naquela agência durante oito anos. Mas após dois anos voltamos a morar em Guaxupé. De 91 a 94, estudei Ciências Contábeis na antiga Faceg. Em 95, entrei num programa de demissão voluntária do Banco do Brasil. Em Guaxupé, abri um escritório do Balcão Sebrae e outro de contabilidade, junto com Tércio Claudino e Amadeu Zeituni.

De 95 a 96, fiz pós-graduação em Contabilidade na Faceac, em São Sebastião do Paraíso. Em 99, meu sogro Arthur teve um problema de saúde que me levou a assumir o comando da loja S.Calicchio, de materiais de construção, da qual eu já era sócio junto com meu cunhado, Arturzinho. Trabalhar na loja colaborou para eu curtir melhor minha família, proporcionando um convívio que até então não tínhamos, porque eu viajava muito como consultor do Sebrae.”

Um homem cheio de ideias
 
“Em 97, prestando serviços para o Sebrae, cheguei para o prefeito de Juruaia, o Alvinho, e propus a criação de uma feira de lingerie - que veio a se chamar Felinju.Também a Associg (Associação dos Calçadistas de Guaxupé) é fruto de um embrião lançado em 97, por proposta minha.No mesmo ano, sugeri a realização da Feitec (Feira de Tecnologia), no Clube Guaxupé. Não existiam recursos. Conseguimos material emprestado e botamos a mão na massa. Em 99, fui convidado para ser candidato a presidente da Acig (Associação Comércio e Indústria de Guaxupé), como sucessor do Lauro Nogueira. Topei, ficando no cargo até março de 2001. Estimulei a criação do Conselho da Mulher Empreendedora, que infelizmente não foi pra frente.

Em janeiro de 2001 assumi o cargo de diretor do departamento de finanças da prefeitura de Guaxupé, a convite do prefeito Heber Quintella. Ocupei esse cargo por oito anos, até o final da gestão do Abrão. Por sugestão minha, o funcionalismo público começou a receber metade do 13º salário em julho, junto com o salário de junho. Fizemos modificação na distribuição do IPTU, melhoria na informatização e fiscalização do comércio informal para proteção dos comerciantes locais.

Também em 2001, o Clube Guaxupé estava para ser fechado. Reuni um grupo de pessoas e, a partir daí, surgiu uma chapa disposta a revitalizar o Clube, com Paulo Ferreira Filho na presidência. Participei dos dois primeiros mandatos dessa diretoria, como diretor financeiro.Em 2005, comecei a prestar trabalho voluntário para a AADG, Associação de Apoio aos Deficientes de Guaxupé.

Em 2006 assumi a presidência, ficando no cargo até 2009. A partir de então, passei a tesoureiro. Em maio de 2011, retornei à presidência até 2013.Reeleito até maio/2015 como presidente e voltando à diretoria financeira até maio/2017. Com minha saída da prefeitura, em 2009, me pós-graduei em Administração Pública pela Faculdade do Senac, em Poços. Trabalhei como professor no Senac de Guaxupé.

Em maio de 2010, Márcia Cristina da Silva, presidente da Acig, me convidou para ser gerente administrativo da entidade. Aceitei, ficando por dois anos. Deixei o cargo para prestar serviço de consultoria à TV Libertas, em Pouso Alegre. Como gosto de um desafio, não pude recusar o convite do Ricardo Zaiat.

Depois que cumpri a missão em Pouso Alegre, recebi o convite do Gil para ser diretor financeiro do conglomerado de empresas do Grupo Silva Melo. Após dois anos, outro convite do Amadeu Zeitune (Depois de alguns anos voltamos a trabalhar juntos).

Topei a parada e estamos fazendo um trabalho diferenciado com a prestação de serviços de treinamento e capacitação dos funcionários das empresas clientes do escritório, sem custo adicional nenhum.

Sempre fui muito família. Quando meu pai teve um AVC, em 2001, passei a levantar todo dia, às 4h30, para dar banho nele.

Depois, tomávamos café da manhã juntos; foi assim até 2005, quando ele faleceu. Sou um pai coruja, cada conquista das minhas filhas é minha também. Osmar Neto, que se casou com minha filha Malu, é como um filho para mim. Agora, quero ser avô pra curtir meus netos.”

Beto é integrante da Creche Domit Cecílio, prestou consultoria para o Instituto 14 Bis e foi colunista da Folha do Povo.

Compartilha com a filha Maria Paula o amor pelo São Paulo Futebol Clube.
 
 

Confira a Galeria de Fotos

Casamento de Beto e Cristina, em dez de julho de 1982 Após o jogo da seleção brasileira máster contra o Independente de Guaxupé, Beto com Zenon, as filhas e os sobrinhos, Gabriel e Aline. ) Beto entre suas paixões: Malu, Cristina e Maria Paula. Ao lado dos pais, Magnólia e João, na posse da Acig, em 99.

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