Guaxupé, segunda-feira, 16 de julho de 2018
Você está em: Acontece / Minha História / Uma história cheia de vida e alegria
sábado, 31 de outubro de 2015

Uma história cheia de vida e alegria

Nas horas vagas, Cecília costura retalhos para presentear
Nas horas vagas, Cecília costura retalhos para presentear
Cecília Ribeiro do Vale é tão guaxupeana que causa surpresa ela ter nascido em Cabo Verde e morado até os 21 anos fora de Guaxupé. Foi professora de inglês por 25 anos e administradora de fazenda. A menina que subia grandes árvores na infância realizou o sonho de se manter nas alturas. Teve aulas de trapézio, girou na lira e fez acrobacias em tecido. “Não posso reclamar de nada. Eu fiz o que eu queria”. 

Filha de Benedita (Didita) e Geraldo Ribeiro do Valle, Cecília teve dois irmãos guaxupeanos: Daniel e Esméria (Merita).Elanasceu em Cabo Verde, onde o pai iniciou a carreia de juiz no início dos anos 40, e lá permaneceu durante 4 anos. A próxima moradia foi em Patrocínio, MG, naqueles tempos em que uma viagem até lá levava uns três dias de trem e ônibus. Na sequência, a família morou por 10 anos em Alfenas, onde Cecília começou os estudos e via o pai como referência de professor.

Inicialmente, o desembargador lecionou geografiana Academia de Comércio em São José e em Alfenas. Depois, professor de direito civil em Juiz de Fora.

Em Juiz de Fora,foiprofessor de Direito Civil. Nesta cidade, Cecília concluiu o 2º grau, equivalente ao Magistério. Com comportamento dinâmico e alegre, também aprendeu inglêse aproveitou as diversas oportunidades de formação cultural da época. “Era uma concorrência intelectual muito grande”, recorda-se. Como resultado deiniciativa e atitude, começou a ser professora.

Nesses mais de 20 anos, Cecília passava todas as férias em Guaxupé. Na fazenda, adorava subir em árvores e tirar leite de vaca.Na adolescência, conheceu Fernando Leite Ribeiro, com quem namorou por muito tempo. Por ele, interrompeu os estudos, casaram, se fixaramem Guaxupé e tiveram três filhos: Ana Elisa, Lik, Cristina e Flávio.

Além de mãe e dona de casa, Cecília voltou a estudar e fez Letras na Fafig. Ela conta que teve grandes professores, como os irmãos Iracema e Elias José. Antes de se formar, ela substituiu o professor de inglês Sebastião Mariano,que se mudou para Belo Horizonte. Deu aula no Colégio Imaculada Conceição, passou pelo Colégio São Luiz Gonzaga (atual Ginásio), lecionou no Yazigi,Polivalentee Colégio Dom Inácio. Exerceu o magistério por 25 anos até se aposentar em 1998. Foi herança paterna, tendo continuidade com a filha Lik, que é professora de Artes.“Não me arrependo de nenhuma aula. Era uma época muito boa para ensinar”.

Época boa também para se divertir. Ela se lembra da sofisticação do Baile das Orquídeas, com bandas que vinham de fora e a quase obrigatoriedade de fazer vestidos novos para os três dias de festa. O réveillon e o carnaval no Clube Guaxupé foram marcantes. Optou por participar do bloco carnavalesco mais simples, que nem tinha nome, mas era um dos mais animados.
Nesse período de dedicação ao ensino as, visitas na fazenda eram somente para recreação e integração familiar. E foinesse tempo que ela e Fernando se separaram. Anos depois retomaram o relacionamento atéo rompimento definitivo. No entanto, continuam amigos até hoje.

Herdou outras tradições

Os pais Benedita e Geraldo herdaram fazendas e mantiveram a tradição rural junto com familiares. Algumas propriedades foram subdivididasentre os descendentes e outras vendidas. A Vila Flor, emTapiratiba, é de origem materna. A Monte Alto é do lado paterno. Por algum tempo, o casal teve propriedade em Pirassununga, comandaram a Fazenda Tulha, em Guaxupé; Fazenda Varjão em Guaranésia; Santa Cruz em São Sebastião do Paraíso eSanta Cecília em Muzambinho eSanta Rita em Guaxupé.

Hoje, Cecília e os filhos administram a Santa Olímpia e o sítio São José.

Há fatos curiosos na família. São heranças comportamentais. Três irmãos se casaram com três irmãs: Geraldo e Didita, Joaquim Pedro e Maria Rosa, Esmerino com Célia. Brincalhão, Geraldo pedia comissão aos irmãos porter descoberto esse “ninho”.  Os pais de Cecília começaram o namoro no Clube Guaxupé eno Country Club.  Ela e Fernando foram por esse mesmo caminho, assim como os três filhos. Cristina se casou com Sérgio e tiveram Ana Lea e Francisco. Flávio é casado com Valéria e pais de João Vítor e Pedro. Clarice, a quinta neta, é filha de Lik e Euzébio.

QuandoGeraldo se aposentou como juiz e retornou de vez para Guaxupé, em 1980, foi construído um sobrado para duas famílias morarem, de forma independente e ao mesmo tempo interligadas. Cecília já morou com os pais, um casal de sobrinhos e dois filhos casados.

Em 1994, ela ganhou o filho Samuel. No ano seguinte, perdeu a mãe. Como consequência, o pai foi perdendo a vontade de viver e disse à filha: “A única mulher da minha vida foi a sua mãe”. Parou gradualmente de fazer refeições e decidiu interromper otratamento médico. Em consenso, os três filhosacataram a vontade de Geraldo, que faleceu tranquilamente em 1996, dez meses depois de Benedita.

Por um curto período, Cecília dividiu a administração da fazenda com a irmã Merita, dois sobrinhos agrônomos e os dois filhos.

Depois ela continuou atuante na propriedade junto comFlávio, na administração, e Cristina no financeiro e nas demandas ambientais. É mais uma tradição mantida através de gerações. Samuel, 21 anos, poderá seguir outra profissão.

Grandes mudanças na vida

Quando Samuel e a primeira neta eram crianças, Cecília não esperava por reviravoltas na vida afetiva. “Eu pendurei a chuteira, mas ainda bem que ela estava ao alcance da mão.” Ela se refere ao namoro com o médico Fabiano ArgeuMoraes, desde 2002.

Nesses 13 anos de relacionamento, foram muitas caminhadas na Avenida e diversas viagens. A primeira, para “consolidar o amor”, escolheram o Rio de Janeiro. Depois aconteceram várias outras, incluindo os passeios em família e com o grupo da Feliz Idade.

As duas cidades mais especiais para Cecília são Olímpia, SP, e São Lourenço, MG.Ela gostou muito da Europa, dos Estados Unidos e um pouco menos de Cuba. O casal já foi três vezes em Aparecida (do Norte) para agradecer a vida. Em Cancun, ela aproveitou menos porque percebeu algumas limitações no corpo.

Aquela menina que subia em jabuticabeiras já tinha o sonho de aprender acrobacia. Há dois anos e meio fez “aulas de circo” na Casa da Cultura. “Subir naquele pano me deu um orgulho danado!” Ela já tinha se encantado com apresentações no tecido acrobático quando assistiu um dos espetáculos do Cirquedu Soleil. Nas aulas, também fez trapézio e girou na lira.

Sem perceber, foi sofrendo desgaste ósseo na extremidade do fêmur a cada vez que caía na cama elástica. Há um ano e meio deixou de caminhar, mas de forma geral está bem de saúde. Procurou ajuda médica, fez musculação para preservar a estrutura muscular da perna até receber o diagnóstico de que deve passar por uma cirurgia de prótese de quadril. Mesmo com resultados positivos, terá limitações físicas. “Não posso reclamar de nada. Eu fiz o que eu queria”.

A cirurgia foi agendada para o final deste ano para ela poder participar de alguns eventos sociais.Continua frequentando festas, mas dança bem menos do que antes. Nessas ocasiões, prefere bengalas estilosas. No dia a dia,visita a fazenda e relê livros.

Não tinha gostado de “Sagarana”, mas agora foi encantada. Dos lançamentos, “Maria” é a leitura atual. Tem gostado da atual safra de filmes nacionais e assiste clássicos em preto e branco. Ela se define uma boa cozinheira de pratos básicos. Nas horas vagas (e são poucas) costura retalhos para presentear amigos com colchas e outras peças. Um jogo americano está pronto para será doado à Luz da Vida.

Atualmente, está coordenando a construção de uma capela no sítio, dedicada à Sagrada Família e também à sua própria família. E as surpresas não param por aí. Cecília tem um estilo muito peculiar de fotografar. Já teve foto premiada e expôs alguns trabalhos. Essa visão diferenciada também retrataa vida dela, que herdou ou criou pra si mesma uma esperança e uma alegria admiráveis. Ela tem construído uma história cheia de vida!
 

Confira a Galeria de Fotos

Nas horas vagas, Cecília costura retalhos para presentear Com o companheiro Fabiano, parceiro afetivo há 13 anos Cecília ao lado da irmã Merita, os pais Didita e Geraldo, a cunhada Lourdes e o irmão Daniel Os irmãos Samuel e Lik com Euzébio Cecília, ao centro, com netos e filhos: Ana Léa, Cristina, Clarice, Pedro, Flávio e Valeria

Comente, compartilhe!

© Copyright 2014 - Todos os direitos reservados