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sábado, 7 de março de 2015

Família Morais e Veroneze

Aniversário de 80 anos entre os filhos Fábio e Renato
Aniversário de 80 anos entre os filhos Fábio e Renato
Aos oitenta anos, completados em 21 de fevereiro, Maria Helena Moraies Veroneze recebeu familiares e amigos de Guaxupé, Guaranésia, Ribeirão Preto, Campinas, Araçatuba, São Paulo e Curitiba para a comemoração de diversas superações na vida e uma força interna sustentada pela espiritualidade. Hoje, com dificuldade de locomoção, Maria Helena passa a maior parte do tempo acamada, mas mantém uma boa memória para contar as tantas dificuldades e conquistas vividas em família.

Natural de Cabrália, SP, ela é filha caçula de Adolpho Pires de Moraies e Celina Alcântara. Dos sete irmãos, os quatro primeiros já faleceram: Odete, José, Renato, Edith. Luzia, Lázaro e Maria Helena continuam fazendo história.  O pai, administrador de fazendas, morou em alguns municípios de Minas e São Paulo, incluindo Guaranésia, onde a família residiu por um bom tempo até se fixar definitivamente em Guaxupé, em 1947. A residência onde moraram por mais tempo foi um sobrado na rua Tiradentes, onde os pais chegaram a completar Bodas de Ouro, com festa organizada pelas filhas e noras.

Com 12 anos, Maria Helena estudou na escola estadual Delfim Moreira, migrou para o Colégio Imaculada Conceição e, posteriormente, cursou a Academia de Comércio São José. Em paralelo, trabalhou, a partir dos 13 anos, na fábrica de macarrão Pasqua até os 18 anos. Mudou-se para a casa do tio, em Campinas, e se tornou secretaria do lar na família Penido, enquanto esperava vaga no Hospital desta família. Meses depois, o pai Adolpho a trouxe de volta. Em Guaxupé, por quatro anos foi operária da Indústria de Calçados Beatriz, tornando-se conhecida na cidade como a “Princesa dos Calçados”.

Após essa fase, passou a cuidar da mãe Celina que começou a ter problemas de saúde. Para completar a renda familiar, fazia bolos e salgados para fora. Em 29 de junho de 1958, no do dia de São Pedro, a mãe Celina teve um derrame que a deixou acamada durante 12 anos e seis meses, por conta de uma paralisia. Enquanto sua irmã Edith Moraies trabalhava na agência local do Correios, mantendo as despesas domésticas, Maria Helena cuidou dos pais por quase 13 anos e ainda fazia salgados, doces e bolos para festas, incluindo eventos para o Rotary Club.

Católica fervorosa, devota de Nossa Senhora da Aparecida, Santo Antônio e do Coração de Jesus, em 1964 atuava como voluntária na festa da Aparecida, que acontecia na praça da Santa Casa. Lá, conheceu o comerciante  guaxupeano Oduvaldo Veroneze, que tinha um bar próximo à ponte do Taboão. Namoraram por seis anos e se casaram em setembro de 1970, na Catedral, pouco depois do falecimento do pai Adolpho Moraies, aos 80 anos.

Um dos presentes de casamento foi uma viagem de lua de mel cedida pelos padrinhos Severo Antônio Silva (atual presidente da Casa da Cultura) e Silvia Helena Barbosa, filha do empresário Olavo Barbosa. Porém, os recém-casados  resolveram não viajar. A mãe Celina só aceitava ser cuidada pela Maria Helena, o que os levou a morar na mesma casa que Edith, que se manteve solteira.

Surpresas em São Paulo

O primeiro filho, Renato Tadeu Veroneze, nasceu em 1971. Quatro meses depois, com a morte da sogra, Oduvaldo  tentou a vida em São Paulo. A primeira casa se limitava a um cômodo. Um ano depois levou Maria Helena. Renato ficou a com a tia Edith até os quatro ano e depois foi para a capital paulista.

Oduvaldo trabalhou como vidraceiro, produzindo luminosos de neon. Maria Helena atuou em diversas áreas: secretaria do lar, vendedora, costureira, auxiliar de cozinha e funcionária de grandes empresas. Deixava o filho na creche do bairro Vila dos Remédios até ele começar a estudar em período integral.

Aos 44 anos, ela teve o segundo filho. Fábio Tadeu Veroneze nasceu prematuro e ficou quase um mês na incubadora para ganhar peso. Com dois meses foi operado às pressas de uma hérnia umbilical e continuou com  problemas de saúde.

Para contornar dificuldades, Oduvaldo se tornou sócio de uma empresa de produtos luminosos em Campinas, cidade em que residiram por três anos. Aposentada, Edith também foi morar com eles, principalmente para cuidar de Fábio. Assim, sobrou tempo para Maria Helena vender roupas e produtos diversos de porta em porta. Não durou muito. Com a sociedade desfeita, voltaram para São Paulo. Em dezembro deste ano, morre Oduvaldo Veroneze. Viúva e com dois filhos, Maria Helena voltou para Guaxupé e novamente morou com a irmã Edith até o seu falecimento, em 1996.

Também em Guaxupé, o irmão Lázaro Alcântara (Zito), foi telegrafista e casado com Purcina Resende, conhecida na cidade como Dona Lolô; ambos falecidos. Tiveram os filhos Lázaro Antonio  (falecido) e José Adolpho Moraes, que hoje mora em Araçatuba. A quarta irmã, Luzia, funcionária da Telemig local casou-se com João Francisco e viveram em São Paulo.  Hoje, ela reside em Curitiba com a filha, netos e bisnetos.

Mais desafios e superações

Em Guaxupé, Maria Helena foi secretaria do lar na casa de Maria Valdete Semensato e Maria do Carmo Pasqua. Ao mesmo tempo voltou a fazer salgados e doces, com ajuda do filho Renato,  que a partir dos 13 anos já gostava de culinária e ainda vendia a produção de porta em casa. A especialidade dos dois eram as empadas. Mesmo depois de ter conseguido o primeiro emprego, na sorveteria DaDirce, onde ficou até os 19 anos, Renato continuou fazendo salgados, doces e bolos de festa nos finais de semana.

Por mais que tentasse ajudar o filho mais velho nas atividades domésticas, Maria Helena fazia viagens semanais para o tratamento de Fábio, que até os nove anos foi tratado como deficiente mental, até passar por uma tomografia em Belo Horizonte e concluir que se tratava de uma atrofia cerebral. A partir de então, iniciou um longo período de viagens para tratamento médico em São José do Rio Pardo, Mococa, Campinas e Ribeirão Preto. Maria Helena conta que o próprio Nasser (proprietário da frota de ônibus) concedeu, por dois anos, passes para mãe e filho viajarem gratuitamente até Ribeirão.

Após a viuvez, a ajuda de familiares e amigos foi essencial para superar dificuldades financeiras e os desgastes emocionais. Nessa época, passaram a morar definitivamente no Taboão, onde conseguiram comprar a tão sonhada casa própria. Entretanto, em dezembro de 2014, Maria Helena teve um infarto e passou a depender definitivamente do filho Renato, 22 anos, que assumiu os afazeres da casa, manteve um emprego e ainda cuidou de Edith, que já manifestava fragilidades de saúde.

Maria Helena afirma que para a família o ano 1996 foi marcante. Renato começou a fazer graduação de História na antiga Facig / Faceg (atual Unifeg) e trabalhava em um supermercado. Em novembro, antes de concluir o primeiro ano do curso, Edith foi internada no hospital da Unicamp, passou por uma cirurgia e faleceu. Renato precisou faltar um dia do trabalho para providenciar atestado de óbito em Campinas. Como consequência, foi demitido do supermercado.

A irmã Luzia, que morava em Curitiba, veio para o funeral e ficou alguns meses em Guaxupé. Costureira experiente recebeu ajuda do amigo Alberto Camilo Filho que sugeriu que ela fizesse roupas com a grande quantidade de retalhos que tinha na casa de Alberto. Assim, tia e sobrinho fizeram roupas de criança para doarem no Natal da Solidariedade do Centro Espírita Nova Espírita.

Essa divulgação resultou em diversos trabalhos. Os dois chegaram a fazer todas as cortinas da casa de uma grande fazenda na região. Renato ainda lavava e passava roupa para fora, além da produção e comercialização de doces de salgados. A casa chegou a ter até um forno semi-industrial. Com muito trabalho, ele realizou o sonho de comprar um piano.

Apesar das limitações de saúde, começou um período de estabilização financeira, levando Renato e a família a se mudarem para Poços de Caldas em busca de melhores oportunidades.

Período tranquilo em Poços

Dos cinco anos de moradia em Poços, Maria Helena só tem lembranças boas. Foi cantora no Coral Municipal; fez amigos como as italianas mãe e filha Giulia e Marli Giacomelli; participava do grupo de dança no coreto próximo ao Palace Hotel e realizou o sonho de coroar Nossa Senhora da Luz. Enquanto Fábio estudou na Apae, Renato trabalhou e fez curso de piano em três conservatórios.

Em 2002, novamente a saúde de Maria Helena se agravou e os três voltaram para Guaxupé no ano seguinte. Oito anos depois, Renato retornou à faculdade, optando pelo curso de Serviço Social, concluído em 2007. Conseguiu conciliar os compromissos familiares com três pós-graduações concluídas, uma na Unifeg (onde ele se tornou professor universitário até 2014), outra na PUC de Poços e um mestrado na PUC de São Paulo, onde atualmente ele faz doutorado em Serviço Social. 

Força espiritual

Maria Helena tem boa memória quando o assunto é espiritualidade. Lembra-se quando Dom Inácio João Dal Monte visitava sua mãe Celina, acamada pelo derrame e paralisia. Nesta época, ela relata com alegria que participou de todo o trajeto em Guaxupé das imagens peregrinas de Nossa Senhora de Fátima e Nossa Senhora Aparecida. Também se lembra do funeral de Dom Inácio e a sagração de Dom Hermínio Malzone Hugo.

Ela só lamenta não poder mais frequentar a igreja, mas tem a benção de poder receber em casa fiéis do setor paroquial da igreja Nossa Senhora das Graças, no Taboão, para rezar o terço e fazer novenas. Considera que teve o privilégio de serem realizadas na sua casa duas missas do setor paroquial do bairro. A primeira na área externa, na rua. A última, em junho de 2014, foi criado um cenário especial na residência. No aniversário de 80 anos, uma oração antecedeu a comemoração festiva. Outra conquista é receber a comunhão semanalmente, por meio da Ministra da Eucaristia Aparecida Bueno.

Diariamente, assiste programas católicos na TV, em especial a Missa de Aparecida. Mesmo com uma aparência séria, causada pelas enfermidades, Maria Helena mantém alegria de vida e a facilidade de fazer amigos. E faz  questão de agradecer, de coração, todas as suas cuidadoras, em especial Ana Maria dos Reis do Santos, Nayara Braghini e Ana Aparecida Honório, atual secretaria do lar, além muitas visitas. Ela continua fazendo história. 

Confira a Galeria de Fotos

Aniversário de 80 anos entre os filhos Fábio e Renato Em setembro de 1970, casamento de Maria Helena com Oduvaldo Veroneze Em 1980, Maria Helena com Fábio e Renato ao lado de Oduvaldo Veroneze (última foto do marido vivo). Na crisma de Fábio, em 1993, Maria Helena com a afilhada  Izabel, o filho Renato e a irmã Edith Missa de Ação de Graças pelos 100 anos da amiga Giulia Giacomelli Os pais Oduvaldo e Maria Helena com o primogênito Renato

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