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sábado, 19 de março de 2016

No dia da Felicidade, é preciso falar de depressão

No próximo dia 20 de março celebra-se o Dia Internacional da Felicidade, data na qual serão reforçados os benefícios de momentos felizes para a saúde física e mental. Embora pareça algo simples de se alcançar pela tomada de iniciativas positivas em relação à vida, a felicidade pode estar mais intimamente relacionada a fatores neuroquímicos que, quando em funcionamento irregular, impede o indivíduo de seguir com seus projetos. “A questão fica mais clara de entender quando falamos do oposto da felicidade, que é a depressão”, relata o neurocirurgião funcional pela UNIFESP, Dr. Claudio Fernandes Corrêa.
 
Atuando há mais de 30 anos em parceria com psicólogos e psiquiatras, o médico destaca que, embora a medicina tenha evoluído a passos largos ao longo dos anos, a área da saúde mental ainda tem um longo caminho pela frente, inclusive pelo preconceito que se tem contra as doenças a ela relacionadas.

Somando à “escola” da psiquiatria, baseada nas terapias e medicamentos, a neurocirurgia tem oferecido suporte importante para a estabilização de pacientes psiquiátricos, dos casos mais simples aos mais complexos.

Dentre os procedimentos funcionais menos invasivos ou reversíveis, para diversos tipos de distúrbios mentais, destacam-se as técnicas neuromodulatórias, sendo estas ainda enquadradas como off-label.

Apenas para contextualizar o termo off-label, ele primariamente foi usado pela indústria farmacêutica para o uso de drogas não aprovadas para determinada indicação, ou para um determinado grupo etário, uma determinada dosagem ou por questões administrativas.  No entanto, o uso off-label é geralmente legal, a menos que viole as diretrizes éticas específicas ou regulamentos de segurança, mas não apresentando riscos à saúde e incompatibilidade na responsabilidade legal.

“No caso da depressão refratária, estamos falando de uma doença de alta prevalência populacional. É a mais recorrente na psiquiatria, com maior índice de suicídio e com 20% dos pacientes sem resposta positiva aos protocolos vigentes: uso isolado ou combinado de antidepressivos, psicoterapia, eletroconvulsoterapia e estimulação magnética transcraniana”, contextualiza Dr. Claudio.

Estudos publicados em escolas tradicionais do Canadá, EUA e Ásia, revelam que algo em torno de 50% dos pacientes considerados refratários respondem à neuromodulação invasiva de núcleos encefálicos, com mínima morbidade e praticamente zero de mortalidade. “Parece certo que pacientes que perfazem este perfil, acompanhados pelo grupo da saúde mental (psiquiatras e psicólogos) e indicados por estes profissionais, deveriam merecer a oportunidade de serem tratados com o procedimento neuromodulatório, já que 1 em cada 2 responde ao tratamento”, relata o médico.

Fato é que não se pode subestimar esta população e suas dificuldades de se integrar à sociedade. Não se pode minimizar suas queixas como se gostassem de viver na tristeza. “Num mundo onde todos parecem viver em grande felicidade por seus registros em redes sociais, é preciso olhar além das telas, para àqueles que vivem à margem da vida a ponto de querer efetivamente sair dela, oferecendo-lhes uma real oportunidade de existência mais plena”, conclui o médico
 

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