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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Como diminuir o stress da volta às aulas das crianças e dos adolescentes

As próximas semanas marcam a volta às aulas nas escolas públicas e particulares. Será o início também da temporada de queda de braço entre pais e filhos pequenos e adolescentes para retomarem a rotina dos horários fixos e da alimentação regrada, depois dos exageros das festas de final de ano e das férias escolares.

E por que essa luta é, muitas vezes, tão estressante para ambos os lados? É mais difícil para a criança e até mesmo para o adolescente voltarem para os hábitos saudáveis nos quais os pais vinham se esforçando para educá-los. “Se os pais não souberem equilibrar esse período de permissividade como ‘exceção’ e não como a ‘regra’ do dia-a-dia da família, o trabalho deles será redobrado depois”, alerta a pediatra Dra. Vanessa Guimarães, também especialista em cardiopediatria pela Faculdade de Medicina da USP.

Segundo a médica, um mês fora da rotina saudável já é suficiente para causar estragos. Isso porque a criança e o adolescente se guiam muito mais pelo prazer imediato do que pela razão de um benefício futuro. “Para o adulto, que compreende pelo menos intelectualmente o retorno de seus esforços, já é difícil voltar à alimentação saudável e aos exercícios, depois de um mês de festas, imagine para os filhos”.

O resultado dessa resistência é que muitas vezes os quilinhos extras adquiridos no final de ano não vão embora em janeiro, ao contrário, ficam para abrir as portas para o sobrepeso e até mesmo a obesidade, diz a médica da USP.

“Essas duas condições (sobrepeso e obesidade) estão ligadas a alterações no metabolismo da criança e do jovem que os predispõe a doenças como o diabetes, a hipertensão e o colesterol alto, todos eles fatores de risco importantes para a doença cardiovascular e até mesmo o câncer, quando eles crescerem”.

Crescimento de doenças por sobrepeso infantojuvenil 

Segundo a médica, é crescente o aumento de pressão arterial, glicemia e colesterol nas crianças e adolescentes brasileiros com sobrepeso ou obesidade. Vanessa alerta para o risco do coração dessas crianças e jovens quando eles se tornam adultos. Segundo ela, mantida a condição do sobrepeso ou da obesidade, e os maus hábitos de vida que originam eles, a probabilidade da ocorrência de problemas cardiovasculares ainda antes dos 40 anos é significativa.

“Há estudos que encontraram alterações nas artérias de jovens, antes mesmo dos 15 anos, indicativas de aterosclerose progressiva, desequilíbrio que está na base das doenças cardiovasculares”.

Para fugir desse risco, a médica dá recomendações simples e fáceis de serem adotadas nessa fase de readaptação, como a de oferecer lanchinhos saudáveis e coloridos. “Com menos fome, a tendência é que a criança coma menos guloseimas no lanche com os amigos ou, no caso dos adolescentes, nos programas com a turma”, recomenda a médica.

Adolescentes exigem abordagem específica 

Todo cuidado é é pouco com os adolescentes, alerta a pediatra. “Nessa faixa etária, os pais imporem suas vontades nunca parece ser a melhor opção”, diz Vanessa. É preciso investir no diálogo inclusivo, justificar e embasar o motivo de cada mudança ou do retorno aos padrões perdidos, de maneira a inseri-los no processo de mudança. “A imposição traz a recusa e a não aceitação”.

Os hábitos de sono também costumam ser um problema e isto principalmente por conta da internet e de eletrônicos como o vídeo-game. Explicar que o problema não é usar esses recursos mas, sim, o tempo de exposição a eles costuma ser uma boa opção. “Deixe claro em que momentos do dia eles são bem-vindos, e que a escola, aulas de inglês ou outras línguas, esportes, encontros com a família e amigos são sempre a prioridade”.

A privação de sono atinge o organismo em cheio. Além do cansaço e da fadiga, ele gera falhas na memória e na atenção, tristeza e irritabilidade, piorando a ansiedade e a depressão e favorecendo alterações hormonais, pressão alta e até queda na imunidade.

10 dicas para equilibrar a rotina de volta às aulas:Evitar alimentos industrializados;
Oferecer alimentação de três horas em três horas;

Dar lanches como frutas e sucos naturais, no intervalo entre as refeições principais;

Oferecer um lanchinho saudável antes de a criança ir para festas ou os adolescentes saírem para os seus programas, de maneira que eles não sintam tanta fome quando estiverem no compromisso;

Estimular o consumo de alimentos assados, ao invés de fritos;

Promover a ingestão de água ao longo do dia, para evitar a desidratação;

Manter a prática de atividades física regulares, para aqueles que já têm essa rotina, e incentivar os sedentários para que a incluam no dia-a-dia;

Encorajar a adesão a esportes e também a brincadeiras que mexem com o corpo como correr e andar de bicicleta, de maneira a deixá-los o mais longe possível dos eletroeletrônicos (TV, computador, tablet e celular);

Estabelecer o horário de ir para a cama cada dia mais cedo, até que seja alcançado o horário ideal para, no mínimo, oito horas de sono. Conversar e explicar as novidades na rotina do novo ano letivo. Eles não costumam gostar de surpresas. Serem avisados de novos horários e compromissos com antecedência ajuda bastante na aceitação.

QUEM É A DRA. VANESSA GUIMARÃES

Vanessa tem Residência em Cardiologia Pediátrica e Terapia Intensiva Cirúrgica (2010), ambas pelo InCor – HCFMUSP (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Atualmente é pós-graduanda do Programa de Pós-Graduação em Cardiologia da mesma Faculdade.

A médica tem título de Especialista em Pediatria, pela Sociedade Brasileira de Pediatria (2008), e Certificado de Especialista em Assistência Circulatória, pelo Stollery Children’s Hospital, Edmonton-AB-Canadá (2012). Em Boston, nos Estados Unidos, estagiou (2009) na Cardiac ICU do Boston Children’s Hospital, na Havard University.

No InCor-HCFMUSP, é médica assistente das equipes da Unidade de Terapia Intensiva Cirúrgica Infantil e do Programa de Transplante Cardíaco Pediátrico, além de ser coordenadora do ECMO TEAM do hospital.

Atua como cardiologista pediátrica também nas equipes dos hospitais Sírio Libanês e do Coração (HCor) e coordena o Módulo de Cardiologia, do Programa de Pós-Graduação em Pediatria Clínica do Naes (Núcleo Avançado de Ensino em Saúde), da Facis (Faculdade de Ciências da Saúde).

A médica é membro efetivo da Sociedade Brasileira de Pediatria e dos Departamentos de Insuficiência Cardíaca e de Cardiopatias Congênitas da Sociedade Brasileira de Cardiologia e revisora do periódico “Cardiology in the young”, Cambridge-MA-USA.

É autora e coautora de diversos artigos científicos, guidelines e diretrizes em sua especialidade, tanto no Brasil quanto no exterior

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