Guaxupé, sábado, 18 de novembro de 2017
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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Quando a transgressão pode virar um Transtorno de Conduta

Desafiar os pais e figuras de autoridade, matar aula, mentir e ter comportamentos que vão contra as normas e regras sociais são comuns entre crianças e adolescentes. Contudo, até que ponto isso é normal e quando os pais devem pensar que tais comportamentos estão relacionados a um Transtorno de Conduta (TC)?
 
Segundo Dr. Caio Magno, psiquiatra e cofundador da Estar Saúde Mental, a diferença entre a normalidade e a psicopatologia está na frequência destes comportamentos e na disfuncionalidade. “Antes de pensar que o filho tem algum transtorno, é preciso que os pais avaliem a recorrência e consequências destes problemas. O Transtorno de Conduta é caracterizado por um padrão de comportamento em que há violação dos direitos básicos dos outros, normas e regras sociais. Além da recorrência, há prejuízos importantes no funcionamento social, acadêmico e familiar”, explica Dr. Caio.
 
Rebeldia sem limites
Em geral, adolescentes com TC costumam ser agressivos. “São aqueles que costumam se envolver em brigas, mentem, manipulam, infringem regras, destroem objetos, furtam e se opõem a uma figura de autoridade. Enfim,apresentam diversos comportamentos que buscam burlar o que aceitável socialmente para aquela idade, sem respeito à individualidade do próximo", comenta o médico. 

De onde vem tanta agressividade?
O Transtorno de Conduta costuma surgir em crianças e adolescentes que vivem em ambientes familiares problemáticos ou disfuncionais, ou que sofreram ou sofrem privação afetiva. “Quando há negligência, violência doméstica, uso de drogas ou alcoolismo, pais com problemas psiquiátricos, divórcio e pais que não conseguem impor limites e educar apropriadamente, o risco do desenvolvimento de comportamentos antissociais é maior”, explica Dr. Caio.
 
O TC é um dos transtornos comportamentais mais comuns na infância e adolescência. Sua prevalência é de 6 a 16% para meninos e de 2 a 9% para meninas. Em adolescentes, essa diferença de gêneros diminui. Vale lembrar que o TC é um diagnóstico que se aplica apenas a crianças e adolescentes. No caso dos indivíduos com 18 anos ou mais, o fenômeno é tratado como transtorno de personalidade antissocial (TPAS).
 
Entretanto, segundo o psiquiatra, a presença do TC na infância ou na adolescência aumenta o risco de desenvolver dependência química e o TPAS na idade adulta. Outro ponto importante é que quando os problemas de conduta se iniciam na primeira infância, geralmente há consequências mais sérias do que os transtornos iniciados na pré-adolescência ou na adolescência.
 
Procurar ajuda é fundamental
“O Transtorno de Conduta (TC) deve ser identificado e tratado, portanto os pais devem procurar um psiquiatra para uma avaliação. O tratamento normalmente é feito em conjunto com um psicólogo e a terapia é direcionada tanto para o paciente quanto para os pais.
 
Prevenção começa em casa
É importante entender que os pais têm papel fundamental na educação dos filhos, assim como podem moldar seus comportamentos. Veja algumas dicas para melhorar o manejo parental:

 Reforço Positivo: Elogie quando a criança ou o adolescente se comporta conforme o esperado/combinado.

Cumpra suas promessas: Isso ajuda a manter seu discurso coerente. Faça o que disse que ia fazer.

Cuide dos seus comportamentos: Nunca minta na frente da criança/adolescente, afinal eles aprendem os comportamentos por imitação. Isso serve para outros comportamentos inadequados, como xingar pessoas no trânsito, jogar lixo no chão, gritar, etc.

Monitore: Veja quem são os amigos, o que a criança/adolescente faz na internet, como está o desempenho escolar. Estudos mostram que o monitoramento parental pode diminuir os comportamentos inadequados.

Dê atenção e afeto: Crianças e adolescentes que são amados, se tornam adultos que sabem amar. Amor nunca é demais, a presença é mais importante que qualquer presente.

Coloque limites: Pais são pais, não são melhores amigos. É preciso estabelecer os limites desde da infância e isso deve permanecer na adolescência. Os pais devem ser figuras de autoridade e com respeito e amor, fazer os filhos compreenderem que existe uma hierarquia em casa e que as regras devem ser cumpridas.

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