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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Se eu sou eu e você é você...

Reginaldo de Souza
‘Se eu sou eu, porque você é você; se você é você por que eu sou eu; então eu não sou eu e você não é você; mas se eu sou eu porque eu sou eu e se você é você porque você é você, então eu sou eu e você é você, então podemos conversar.’’ Esta é uma citação de Menachem Mendel de Kotzk, um célebre rabino polonês do século 19, que aproveito como entrada para nossa reflexão de hoje, desta semana.

Se analisarmos bem a frase, percebemos um ponto de vista voltado para que, a fim de que um diálogo sincero aconteça, é preciso ambos se apresentar como realmente são.

Talvez a maior dificuldade do ser humano seja o se descobrir, ou melhor, aceitar e viver a sua real identidade e assim ser autêntico e verdadeiro com o mundo.

Ser o que realmente somos parece ser a forma mais lógica de nossa existência.

Seria um erro na vida e em nossos relacionamentos ao se aproximar de alguém ou de um grupo de pessoas, tentar se identificar ao que o agrada, o que agrada o outro, ou o que querem que você seja, e assim se adaptar e moldar sua vida pessoal ao gosto alheio.

Viver para os outros, ou melhor, viver como querem que vivamos, é ser autêntico?

Quantos não se enquadram na situação acima, de viverem influenciados pelos outros, mas por vontade própria buscam ser o que não são para agradar a quem de interesse?

Nas duas situações, até que ponto tal atitude é interessante e saudável a nossa existência?

Ter orgulho, aceitar e gostar do que somos e reconhecer que somos únicos, não seria a forma correta de se viver?

Não seria uma ingratidão com o Universo e consigo mesmo se negar a viver o que nos foi proposto? E se aceitar não seria um grande gesto de gratidão?

Ser o que somos não seria a fórmula real da verdadeira felicidade? Ou ser feliz é ser o que os outros querem que você seja?
A verdade é um fato aparentemente irônico, mas real, em que num mundo de mais ou menos 7 bilhões de habitantes, ninguém é igual a ninguém, cada ser humano é único tanto fisicamente quanto geneticamente. Talvez uns sejam fisicamente quase iguais, mas jamais idênticos.

Se assim é a realidade, por que eu não ser o que eu sou e você ser o que você é? Por que não aceitar a vida que nos foi dada e assim escrevermos a nossa própria história, em nossa estadia neste mundo que é tão breve, ao invés de escrever a história que os outros querem?

Meu convite a todos nós nesta breve reflexão é trazermos para nossa intimidade uma avaliação sincera e honesta de nosso comportamento diante do mundo, seja em qual esfera for, como estamos vivenciando nossa vida pessoal e nossos relacionamentos. Estamos vivendo para os outros ou para nós? Estamos vivendo o que queremos ou o que os outros querem, ou ainda, estamos deixando de viver a nossa vida para viver a vida dos outros e como consequência deixando de ser feliz? Ou pior, por medo do que podem pensar de nós, deixamos de viver a realidade dos fatos para viver a uma ilusão.

Se clama por um mundo mais verdadeiro, mas a maioria prefere viver no engano de ideologias fundamentadas em mitologias com vestes de verdade.

Viver para os outros, ou a vida dos outros, ou negar a si mesmo e suas convicções é de fato ser um cidadão autêntico?
Se eu sou eu e você é você então somos autênticos.

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